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17/03/2009 - Gustavo De Conti

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Gustavo De Conti está realizando um dos maiores sonhos de sua vida: ser técnico de uma seleção brasileira. O carioca, de 29 anos, dirige a equipe sub-17 masculina, que treina em Teresópolis (RJ) até esta quinta-feira. O primeiro desafio de Gustavo é o Sul-Americano da categoria, que será disputado de 25 a 30 de maio, em Trinidad, no Uruguai. A competição classifica os três primeiros colocados para a Copa América – Pré-Mundial de 2010. Embora jovem, o técnico tem experiência e resultados que comprovam o seu talento. Gustavo comanda o time juvenil do Paulistano (SP) há quatro anos, com o qual foi bicampeão estadual (2006/2007). Foi bicampeão brasileiro de seleções Sub-17 (2007/2008) e campeão cadete paulista (2008). Além disso, é assistente técnico do time adulto há seis temporadas e atualmente trabalha com o técnico João Marcelo Leite na equipe principal. Quando criança, queria ser jogador, mas no segundo ano atuando na categoria adulta do Paulistano, resolveu parar e se dedicar exclusivamente aos ofícios de técnico e professor de Educação Física. Escolha acertada, que está produzindo frutos promissores para o basquete brasileiro.
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O que sentiu estreando no comando de uma seleção brasileira?

Só de falar em seleção brasileira me arrepia. Sempre foi um sonho chegar até aqui. Vestir a camisa da seleção pela primeira vez me deixou realmente muito emocionado. Foi um momento muito especial para mim. A gente vai aprendendo a conviver com isso. Mas não quero me acomodar. Quero usar a camisa verde-amarela sempre com a mesma emoção do primeiro dia, em cada treino e competição.

Quais os objetivos desta primeira fase de preparação?

Estamos passando os conceitos de jogo das seleções brasileiras, ofensivos e defensivos. No ataque, as prioridades são trabalhar intensidade e a ocupação de espaços. Na defesa, os conceitos rotação defensiva , transição defensiva. Não fazemos um trabalho específico, mas uma maneira de transmitir esses conceitos. O outro objetivo é logicamente, a observação dos meninos. Estamos vendo quem melhor se adapta a cada situação de jogo, avaliando com o maior critério, para não sermos injustos na hora de escolher o grupo que irá para o Sul-Americano.
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Como é a seleção dirigida por você?

Dentro da filosofia das seleções, busco imprimir a minha marca, que obviamente, combina com essa filosofia. Meus times têm as características do basquete moderno: defesa forte, transição muito rápida e, no momento que se está com a bola na mão se consegue fazer o contra-ataque, ter a valorização máxima da posse de bola. Independente do modo que o time jogar taticamente, eu quero esses meninos guerreiros e defendendo a seleção brasileira com bastante orgulho. O principal é que o time lute sempre até o final.

Explique as características do grupo convocado.

É um grupo de grande qualidade, principalmente nas posições 1, 2 e 3. Isso garante a força e velocidade do contra-ataque. Os pivôs são bons no rebote. O outro ponto forte a gente observa fora de quadra. Os meninos se entrosaram bem e ficaram bastante unidos, formando uma equipe disciplinada e forte. Grupo disciplinado, esforçado.
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Conte sua trajetória como atleta?

Comecei com sete anos, na escola. Com 12 fui para o Corinthians (SP). Joguei no Monte Líbano (SP), Ipiranga (SP), Paulistano (SP), onde parei no segundo ano do adulto. Sou da mesma geração de grandes nomes do basquete de hoje, como Giovanonni, Alex, Baby, Jefferson Sobral, Manteiguinha, entre outros. Não fiquei frustrado com isso, pois me encontrei na carreira de técnico.

Qual a razão de ter parado de jogar?

Parei porque além de ter ficado baixo para o jogo, não treinava com a mesma garra que esses jogadores que citei. Era muito esforçado, mas não o suficiente para ser um profissional de alto nível. Se for para fazer mais ou menos, prefiro não fazer. Já estudava Educação Física e atuava como técnico no Ipiranga, onde dirigi equipes do mini ao infanto. Depois fui para o Paulistano.

Por que gosta tanto de trabalhar com categorias de base?

Eu acho fantástico. Hoje os meninos da categoria de base são mais profissionais do que na minha época. A gente não levava a sério como os jogadores de hoje, que querem realmente ser atletas. E isso facilita a vida do técnico, que trabalha com jovens motivados e que querem mostrar serviço.

Você também trabalha como assistente da equipe adulta do Paulistano. Que categoria dá mais trabalho?

Na parte de jogo, os adolescentes exigem mais, já que os profissionais têm uma experiência maior. Só que administrar um grupo de adultos é mais complicado, pois os meninos são mais fáceis de comandar. Mas gosto de trabalhar com os dois.
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Como é o técnico Gustavo De Conti?

Eu sou rígido, rigoroso. Tem gente até que me define como chato, de tão detalhista e perfeccionista que sou. O técnico, principalmente de base, tem que prestar bastante atenção nos detalhes de fundamento. São eles que irão fazer diferença no futuro. Procuro, na medida do possível, ser amigo dos jogadores e explorar deles o que eles têm de melhor.

O que um jogador precisa para entrar no seu time?

Em primeiro lugar, precisa ter um coração muito grande ou até dois corações. Gosto de jogador que se dedique ao máximo, que dispute todas as bolas e que vá para a cesta sem medo. O jogador não precisa ganhar sempre, mas tem que querer ganhar sempre. Para isso é fundamental jogar o seu melhor em todas as partidas e buscar evolução. Se tiver isso, o resto a gente vai ajeitando.
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Você tem apenas 29 anos e aparenta ser ainda mais jovem. Já passou por alguma situação engraçada por isso?

Uma vez, faz uns dois anos, treinava time infanto. Eu tinha tinha 26 anos e os atletas, 16. Acertei por telefone todos os detalhes sobre alimentação para o meu time com o gerente do restaurante. Quando cheguei lá e disse que era do Paulistano, ele mandou chamar meu técnico. Foi engraçado e isso acontece até hoje. Estou tentando mostrar meu talento e acho que os resultados estão aí para isso. Tanto que consegui chegar até aqui e realizar o sonho de estar em uma seleção brasileira.

Quais técnicos que você admira?

Neto (José Alves Neto, supervisor das seleções masculinas de base), com quem trabalhei muitos anos no Paulistano. Ele é ótimo tanto profissional quanto pessoalmente. Gosto muito também do trabalho do Hélio Rubens Garcia, que é um técnico super vitorioso e de muita capacidade. A gente sempre vai tentando aprender. A função do assistente é observar, passar informação e por conta disso sou muito estudioso. Assisto a muitos vídeos e partidas internacionais na TV e na Internet.