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02/03/2009 - Leonardo Cursino dos Santos

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O basquete está presente na vida de Leonardo Cursino dos Santos desde os nove anos de idade. Começou na modalidade como jogador, mas chegou na seleção brasileira como preparador físico das categorias de base. Leonardo trabalha direto na formação dos atletas, preparando as equipes de base do Finasa/Osasco (SP) e ainda se divide entre dar consultoria de preparação física e ser professor de futebol, lazer e recreação no curso de Educação Física da UniSant'anna (SP). O preparador se apresenta neste domingo (dia 8), em Jundiaí (SP), para o início da primeira fase de treinamento da seleção brasileira Sub-17 feminina, patrocinada pela Eletrobrás.

Conte um pouco da sua carreira.

Eu decidi fazer Educação Física para me tornar técnico de basquete, mas as oportunidades de trabalho que aparecerem foram como técnico de futebol, de vôlei e de handebol. Fui seguindo o que aparecia em outras áreas. Trabalhei como instrutor de musculação, professor de ginástica de academia, com dança de salão. Depois com a Educação Física no ensino infantil, fundamental e médio. Mas desde o início trabalhei com treinamento de base. Também atuei no futebol de campo do Palmeiras, no futsal e no vôlei como técnico escolar e no handebol como técnico no Projeto Ayrton Senna em São Paulo.
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Como chegou no basquete?

Sempre quis a competição e o basquete. Quando estava concluindo a especialização em Psicologia do Esporte, fiz alguns trabalhos motivacionais para o então BCN/Osasco e surgiu a oportunidade de trabalhar como preparador físico na base. O basquete feminino me proporcionou um ambiente mais propício para desenvolver meu trabalho, pois com minha formação eclética na Educação Física, sempre procurei formar meus treinamentos com influência das áreas que trabalhei, usando muita atividade rítmica e práticas de outros esportes coletivos. As meninas são mais adeptas às inovações em treinamentos e isso sempre foi uma das minhas características.

Você já jogou basquete?

Eu jogo ainda. Sou praticante da modalidade desde os nove anos. Passei pela categoria de base do Palmeiras, mas foi com o professor Carlão, em Pirituba (bairro de São Paulo), que joguei durante 14 anos seguidos. Ele foi meu professor de educação física e basquete desde os seis anos de idade. Meu primeiro emprego na Educação Física foi ele que me deu. Minha carreira nesta modalidade se deve ao incentivo do Carlão, uma pessoa que, na minha opinião, é de grande importância para o basquete brasileiro. Afinal, foi com ele, no Centro de Treinamento de Pirituba, que profissionais como eu, o Cristiano Cedra (novo assistente técnico da Sub-17), a armadora Ângela, de Santo André, que serviu as seleções brasileiras de base, e o próprio Leandrinho Barbosa começamos no basquete.

Existe uma diferença muito grande do trabalho com equipes adultas para a base?

Trabalho só com as categorias base, com a relação entre aprendizagem motora x performance. Com equipes adultas seria mais fácil trabalhar, pois teoricamente o processo de aprendizagem dos fundamentos ou da coordenação motora já foi ultrapassado. Então é apenas necessário administrar as tarefas para que as capacidades físicas estejam no ponto mais alto da performance no momento do jogo.
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Quanto tempo está com as seleções brasileiras? E o que acha do trabalho?

Fui convocado pela primeira vez em 2004. Depois voltei em 2006 e estou até hoje. Acho que o trabalho que venho desempenhando está muito promissor em todas as convocações. Recebi orientações dos profissionais que estão há mais tempo e isso continua sendo um aprendizado muito grande. A técnica Macau, que também serve a seleção, está há muitos anos no Finasa. Ela é a nossa coordenadora e tem muita coisa para ensinar. Tive várias oportunidades de trabalhar com o técnico César Guidetti e a minha forma de trabalho casou muito bem com a dele. Sem contar a experiência que o técnico Antonio Carlos Barbosa nos passa como supervisor das seleções. Vejo o Barbosa com uma função muito importante no basquete brasileiro, alguém com bastante experiência internacional para nos nortear quando estamos no escuro.

Como está a preparação física brasileira nas categorias de base em comparação com os outros países?

Nós brasileiros temos uma grande abertura no meio esportivo quando falamos em preparação física. As teorias que norteiam o nosso trabalho compreendem tanto os acadêmicos americanos quanto europeus, o que diversifica as práticas. No início deste ano, em nossas reuniões de planejamento, tanto o João Nunes quanto o Diego Jeleilate, preparadores das equipes adultas e os coordenadores, têm planos de instituir a ida dos preparadores físicos a todos os campeonatos internacionais, que é de suma importância para o processo de desenvolvimento da nossa área. Para comparar o trabalho é necessário intercâmbio e observação.
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Como funciona a preparação física das equipes de base?

A relação entre aprendizagem motora e performance é constante. Temos que conhecer as características de crescimento e desenvolvimento da faixa etária para não pularmos fases e acelerarmos uma performance de forma precoce. Trabalhamos com o aumento do acervo motor através do trabalho coordenativo constante, bem como o fortalecimento muscular aplicado a modalidade, utilizando o peso corporal como carga e otimizando algumas capacidades para um melhor desenvolvimento do corpo durante a execução dos fundamentos técnicos do jogo.

E as atletas respondem ao treinamento físico?

Procuro ensinar que o treinamento físico compreende o técnico, tático e as partes físicas extras, bem como o repouso e a alimentação. As jogadoras que entendem esta relação respondem muito bem ao treinamento e, consequentemente, têm boas performances nos treinos e partidas.

Como entra a parte de musculação na adolescência das atletas?

Costumamos ouvir do público leigo que em certas idades não devemos praticar musculação. É importante entender que a musculação é apenas uma das muitas ferramentas de trabalho físico. A partir dela podemos trabalhar a reabilitação (de alguém que se machucou e precisa das funções normais), a resistência muscular, a potência e o trabalho de hipertrofia (aumento de massa muscular). Tudo isso bem periodizado e orientado pode ser aplicado ao atleta adolescente.
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Você participou de algumas Clínicas Técnicas e de Preparação Física Eletrobrás. O que achou da experiência?

O contato com a realidade brasileira, de forma geográfica, onde você pode conhecer outros profissionais e atletas e outras culturas, me enriqueceu muito no trabalho e na importância que eu sinto como um profissional representando o Brasil. Muitas vezes nós chegamos na seleção, mas não tivemos a oportunidade de realmente conhecer o basquete no país inteiro. As Clínicas Eletrobrás vêm me proporcionando isso. Com relação às aulas, gosto muito de dividir meu trabalho com as pessoas e me sinto honrado em poder ajudar a plantar sementes pelo país.

Além do basquete você trabalha com outro esporte?

Eu sou preparador físico das categorias de base de basquete feminino do Finasa Esportes (SP) e também tenho uma consultoria de preparação física geral (esportes, empresas, etc.). Sou professor de futebol e lazer e recreação no curso de graduação em Educação Física da UniSant'anna, em São Paulo.