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23/02/2009 - Raul Togni Filho

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Após duas décadas de uma vitoriosa trajetória como atleta, Raul Togni Filho abraçou a carreira de técnico há sete anos, quando estreou no comando do time de Bauru, onde atuava como jogador. Hoje, aos 44 anos, Raul realiza pela segunda vez o sonho de vestir a camisa verde-amarela. O ex-armador, que em 1997 defendeu o Brasil na Copa América – Pré-Mundial do Uruguai, agora vai pegar a prancheta para comandar a nova geração do basquete brasileiro. Esse mineiro de Poços de Caldas voltou a cidade natal para sua estréia como técnico da seleção Sub-16 masculina no mês passado, dirigindo a primeira fase de treinos rumo à Copa América – Pré-Mundial da Argentina, que será em junho. E a jornada é dupla, pois Raul também é o assistente técnico de Gustavo De Conti na seleção Sub-17, que inicia o treinamento para o Sul-Americano da categoria no dia 8 de março, em Teresópolis (RJ). Como jogador, Raul atuou pelo Minas Tênis (MG), Flamengo (RJ), Franca (SP), Corinthians (RS), COC/Ribeirão Preto (SP) e Bauru (SP). Já foi tricampeão mineiro, campeão carioca, campeão gaúcho, tricampeão paulista, bicampeão sul-americano e campeão pan-americano. Como técnico, ganhou os Jogos Abertos (2005) e os Jogos Regionais (2006) com a equipe Sub-21 de Bauru. Como assistente no Minas Tênis, foi campeão sul-americano e mineiro. Raul ama tanto o basquete que contagiou os seus três filhos, Gabriel, Raulzinho e Diego. Os três praticam a modalidade. É experiência passando de geração para geração.
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Como avalia a primeira fase de treinos da seleção Sub-16, em fevereiro?

Foi um período muito positivo. Avaliamos bem os meninos, que se mostraram bastante comprometidos com a seleção. Todos querem estar no grupo que vai à Copa América e se esforçaram muito dentro e fora de quadra. Essa garra será fundamental para o sucesso da equipe na competição. Conseguimos trabalhar fundamentos técnicos individuais e passar a nossa filosofia de jogo, baseado numa defesa forte, com boa valorização da posse de bola e ataque veloz. A prioridade nessa fase foi transmitir os conceitos ofensivos, que ocupou 70% dos nossos treinos.

Quais as características do grupo convocado?

São atletas com muita vontade, que sabem jogar em mais de uma função, os pivôs podem jogar na posição quatro ou de lateral e os armadores são talentosos. Com esse grupo podemos montar uma equipe forte, com muito vigor na defesa e intensidade no ataque.
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E a sua expectativa para a Copa América?

Trabalhamos sempre com o objetivo de vitória. Queremos o título da competição, mas se não for possível, vamos buscar a vaga para o Campeonato Mundial de 2010. Os Estados Unidos são candidatos ao ouro, Argentina é forte e joga em casa, além de Uruguai, Venezuela e Porto Rico. Cada jogo será uma decisão, mas acho que fazemos um basquete de alto nível e temos condições de carimbar o passaporte para esse Mundial.

Como é trabalhar com a categoria de base?

O legal de trabalhar com a base é que você lida com atletas que estão se formando e não têm ainda tantos vícios. É muito bom, faz o técnico estudar bastante para dar aos jovens uma boa formação. Na seleção cada um vem de uma origem e você tem que tentar somar o que eles já trazem dos clubes com o que você acredita que é melhor para a equipe.
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De que forma ter sido jogador influencia no seu trabalho como técnico?

Acho que como ex-jogador fica mais fácil fazer algumas avaliações, pois eu já estive dentro da quadra. Sei quais são as dificuldades de executar as ações sejam ofensivas ou defensivas. Conheço alguns atalhos que só a prática nos ensina. Acho que esse conhecimento vai me ajudar a orientar esses meninos, passando minha experiência durante os treinos.

Como se sente com a primeira experiência como técnico da seleção brasileira?

Estou feliz com a primeira chance de treinar uma seleção brasileira e pretendo honrar essa oportunidade alcançando os objetivos. É uma alegria enorme representar seu país através do esporte, que é algo sadio e prazeroso. Espero fazer um bom trabalho e passar para a garotada tudo que eu sei. E quero aprender também com eles. Acho que é para isso que estamos na Terra, para evoluir, e na seleção não é diferente. É mais uma oportunidade de crescer.

Conte a sua trajetória como atleta.

Comecei minha carreira no Clube Caldense, em Poços de Caldas (MG). Depois joguei em grandes clubes como Minas Tênis (MG), Flamengo (RJ), Franca (SP), Dharma de Franca (SP), Corinthians de Santa Cruz do Sul (RS), COC Ribeirão Preto (SP) e Bauru (SP).
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Sempre quis ser técnico?

Não. Eu gostava de orientar e compartilhar o conhecimento que adquiri na minha vida de atleta. Durante os meus últimos anos na quadra, sempre procurava ajudar aos mais jovens. Por causa desse perfil eu caí nas graças de alguns treinadores, que me chamaram para ser assistente. Com isso, acabei me tornando técnico.

Como começou a carreira de treinador?

Foi em Bauru, após a conquista do Campeonato Nacional de 2002. Fiquei um tempo e voltei a atuar como jogador na edição seguinte. Em 2004 dirigi o clube por dois meses e depois fui assistente técnico do falecido Tomzé. Quando ele foi para Brasília treinar o Universo, eu assumi o time de Bauru, disputei o Campeonato Paulista e o Nacional. Estou no Minas Tênis há três anos, como técnico da equipe juvenil e assistente técnico do Flávio Davis na adulta.
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Defina o técnico Raul Togni Filho.

Sou exigente naquilo que eu quero do time. Dou liberdade ao grupo, lógico que acompanhada de responsabilidade e acho que o espírito de equipe está acima de tudo no trabalho. Procuro ouvir os atletas, mas não passo a mão na cabeça. Quando é preciso, falo mais grosso sem problemas.

Como era o jogador Raul aos 16 anos?

Eu estava disputando o Campeonato Mineiro pela Caldense, em Poços de Caldas, quando o Ary Vidal me viu e me levou para o Minas Tênis. Aí começou minha carreira que, a princípio era mais brincadeira, não tinha nenhuma grande pretensão de viver de esporte. Nessa idade, a gente tinha era sonhos e muitos deles acabaram se tornando realidade. Era um menino disciplinado e obediente, conforme meus pais me orientaram.

Qual o maior ensinamento que você aprendeu e repassa para seus jogadores?

O principal é trabalhar com dedicação e disciplina sempre. Além disso, devemos saber desenvolver nossas virtudes e saber lidar com as nossas limitações e as dos outros. O basquete é um esporte coletivo e o jogador deve aprender a agregar as suas qualidades a dos seus companheiros para o êxito da equipe. É um esporte em que não se consegue absolutamente nada sozinho.
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Os seus três filhos jogam basquete. Você os influenciou muito na escolha pelo esporte?

Nunca os obriguei a nada, eles foram jogando e tomando gosto pelo esporte. O Gabriel joga no mini. Raulzinho no cadete e na adulta, enquanto o Diego é meu atleta no juvenil. E na seleção Sub-17, em que sou assistente, vou treinar o Raulzinho. Eu procuro separar as coisas. O objetivo como técnico é ser vitorioso e não agradar filho ou jogador. Às vezes a gente não quer mostrar imparcialidade e acaba sendo mais exigente com os nossos filhos, mas eu tento ser o mais justo possível. Eles não têm que sofrer por serem parentes do técnico. Nós temos é que compartilhar a alegria pelo basquete, que nos une tanto. Tenho orgulho e oriento, mas o importante é que eles sejam felizes.