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16/02/2009 - Ana Jéssica Pinto

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Nem mesmo a timidez consegue esconder o brilho da jogadora Ana Jéssica Pinto, que está em Osasco participando da primeira fase de treinamento da seleção brasileira Sub-16, patrocinada pela Eletrobrás. No Campeonato Sul-Americano do ano passado, no Paraguai, a ala/pivô foi um dos destaques do Brasil com 60 pontos, 28 rebotes, seis assistências, sete recuperações e um bloqueio. Ana foi vice-campeã na competição, resultado um pouco amargo para a estréia com a camisa verde e amarela. Mas o objetivo maior foi conquistado: a vaga para a Copa América – Pré-Mundial, que acontece de 10 a 14 de junho, em Buenos Aires, na Argentina. A jogadora vem se dedicando cem por cento aos treinos para se manter no grupo que vai buscar a classificação para o Campeonato Mundial Sub-17 de 2010.

Como foi a experiência no Sul-Americano do Paraguai em 2008?

Eu gostei muito. Fizemos bons jogos, apesar da derrota para a Argentina. Nessa partida, não estávamos muito bem, cometemos alguns erros bobos que nos custaram o título, mas acho que tudo na vida serve de aprendizado. Hoje estamos treinando para não cometer as mesmas falhas e superar os adversários na Copa América.
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O que achou da viagem para o exterior?

Só tinha ido fazer compras no Paraguai uma vez, mas não com um grupo tão grande. Foi muito legal viajar com as meninas. A ida foi muito boa, estávamos na expectativa de defender o Brasil fora do país pela primeira vez. Voltar que foi um pouco triste, porque além da vaga para o Pré-Mundial, queríamos o título. Infelizmente não deu, mas ganhamos experiência e conhecemos pessoas com culturas totalmente diferentes da nossa.

E a cidade de Assunção?

A capital do Paraguai me pareceu uma cidade bem antiga. Alguns pontos turísticos são muito bonitos. Também fomos ao shopping um dia, fazer umas comprinhas. Não resistimos em sair do Paraguai sem levar mais peso na bagagem.

Você foi a cestinha do Brasil junto com a Érika com 60 pontos em sete jogos. Fale da sua atuação no Sul-Americano.

Falhei em alguns momentos que não poderia, mesmo assim acho que fui bem no geral. Eu sempre me concentrava antes dos jogos e pensava comigo mesma: hoje eu tenho que jogar bem. Felizmente, consegui fazer meu jogo, principalmente boas infiltrações. Com certeza, sem a ajuda das minhas companheiras, isso não seria possível.

Quais são suas características de jogo?

Meu ponto forte é o corte. Eu gosto de jogar na velocidade e cortar, mas agora estou procurando melhorar meu arremesso de três pontos. Ainda posso defender melhor do que faço hoje. Eu gosto muito de atacar, mas precisamos sempre garantir uma boa marcação no adversário para vencer.
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O que achou da convocação para a primeira fase de treinamento para a Copa América?

Achei muito interessante dar continuidade ao trabalho que começamos no Sul-Americano. A gente já se conhece bem e ir para mais uma competição juntas facilita bastante. Já nos entendemos melhor em quadra, sabemos como cada uma joga e os pontos fortes. Entrosamento é muito importante para uma equipe numa competição de alto nível.

O que está achando dos treinos?

A primeira semana foi mais para recuperarmos o físico, já que a maioria estava em férias ou tinha voltado à quadra uma semana antes da convocação. Agora, já temos musculação e entramos numa fase de praticar bastante a parte defensiva e começar a aprender algumas jogadas que vamos usar na Copa América.

Você saiu de São José dos Pinhais (PR) para jogar no Finasa/Osasco (SP). Como foi a mudança de time?

Estou gostando de estar aqui em Osasco. O treinamento é bem puxado, meu técnico é ótimo e acho que vou aprender muito aqui. E esse é o principal objetivo, ganhar experiência e melhorar cada vez mais. Estou me adaptando muito bem, mesmo longe da minha família.

Como é deixar a casa dos pais para viver com as companheiras de equipe?

O ruim é que a gente não tem a mesma liberdade que temos na nossa casa, com a nossa família. Por outro lado é bom porque moramos com pessoas diferentes, aprendemos a conviver com a personalidade de cada pessoa. A cidade não é muito diferente de onde eu morava. Só tem mais movimento. O clima é o mesmo.

Quando não está treinando ou jogando, o que você gosta de fazer?

Gosto muito de ler livros e estudo bastante. Vou ao shopping com as meninas, falo com a minha mãe pelo telefone. Vejo filmes, escuto música. Não dá para fazer muita coisa porque é preciso descansar também para render nos treinos e jogos.

Sua família apóia sua decisão de jogar basquete?

Minha família me dá bastante suporte. Enquanto eu estiver gostando de jogar basquete, está tudo bem para eles. Eles só vão parar de me apoiar quando eu começar a ficar triste e querer começar uma outra carreira.

Qual o melhor momento do jogo?

Além da vitória? Bom, gosto daquela partida que tem o placar bem apertado, que a gente precisa jogar mais até do que sabe e temos que superar os momentos difíceis para ganhar.

Tem alguma superstição antes das partidas?

Eu sempre calço primeiro a meia do pé direito, depois a do esquerdo. Faço a mesma coisa com o tênis. Na quadra, eu entro com o pé direito quando eu lembro. Não é sempre que isso acontece. Eu raramente lembro de fazer isso, mas na hora de me arrumar, nunca deixo de fazer meu ritual.