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09/02/2009 - Karla Cristina Gonçalves Diniz

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A mineira Karla Cristina Gonçalves Diniz, de 32 anos, mal acreditou quando recebeu a notícia de que tinha sido aprovada pela FIBA Américas para se tornar árbitra internacional. A prova foi em Montevidéu (Uruguai), em outubro de 2008, e, um mês depois, já estava ela numa competição fora do Brasil. O 15º Campeonato Sul-Americano Sub-15 Feminino, no Paraguai, foi sua estréia. Mas, se depender de dedicação e obstinação, Karla promete ir muito mais longe. “Árbitro tem que ser pau para toda obra”, diz ela com seriedade, e garante que não recusa convite para apitar. As corridas diárias pela manhã são parte da preparação, assim como o estudo constante. Apaixonada por basquete, a árbitra diz que esse novo passo foi apenas um dos muitos que ainda pretende dar na carreira.
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Como foi a prova que a promoveu a árbitra internacional?

Foi uma prova com quatro etapas: teórica, com 25 questões em espanhol; entrevista; prática com arbitragem na mecânica de três e de dois; e o teste físico. O que mais me preocupava era o teste físico, porque requer uma boa preparação. Eu pratico corrida diariamente e minha alimentação é acompanhada por nutricionista. Árbitros precisam de preparação contínua, não podemos relaxar. Também estudo inglês e espanhol.

E a estréia como árbitra internacional?

Foi no Paraguai, no Sul-Americano Sub-15 feminino de 2008. Foi uma experiência ótima. São novos conhecimentos, novos árbitros que conheci e com os quais pude interagir, como Miguel Nieto (Paraguai), José Carrasco (Chile) e Juan José (Argentina), entre outros. É minha única experiência internacional por enquanto, mas foi excelente e pretendo ter muitas ainda pela frente.
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O que representou para você esse novo passo na carreira?

Representou mais um objetivo que eu conquistei e, querendo ou não, também passo a ter uma responsabilidade maior. Você passa a ser uma referência, principalmente para os mais jovens, os que estão começando a carreira. Mas é necessário dar segmento ao trabalho, continuar estudando e se preparando sempre.

Por que decidiu ser árbitra?

Eu jogava basquete, comecei aos 12 anos. Minha técnica comentou que seria bom que eu fizesse um curso de arbitragem, mas apenas para entender melhor as regras. Eu fiz e passei a trabalhar como mesária, função que exerci entre 1995 e 2004, mas tive poucas oportunidades. Em 2004, com apoio da Federação Mineira de Basketball, onde trabalho, resolvi fazer a Clínica Eletrobrás ministrada pelo Geraldo Fontana (coordenador de arbitragem da CBB), em Belo Horizonte. No mesmo ano estreei nas Olimpíadas Escolares, que é onde o Fontana trabalha a formação dos árbitros, e desde então não parei mais de apitar.

Qual sua função na Federação?

Trabalho com registro de atletas e ministro cursos de arbitragem. Sou formada em Educação Física, mas não estou dando aulas por enquanto.
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Como foi sua experiência como jogadora?

Eu era armadora. Minha mãe sempre incentivou a prática esportiva, tanto para mim quanto para os meus três irmãos. Também fiz natação, mas o que me marcou foi o basquete, que é o esporte que eu amo. Sempre que posso, “bato bola” com os jogadores, assisto a muitos jogos, até porque preciso ver a atuação de outros árbitros. É um esporte bonito, complexo, sou completamente vidrada. Sempre fui fã da Magic Paula. Para mim ela é uma jogadora completa.

Tem preferência por apitar jogos femininos ou masculinos?

Não. Apito qualquer jogo, de qualquer categoria. Eu coloco a mesma seriedade em tudo que eu faço. Me escalou, eu vou. Árbitro tem que ser “pau para toda obra”. Precisamos ter consciência de que nossa participação é importantíssima na formação do atleta.

Já sofreu algum tipo de preconceito?

No início, sentia. Depois, com o tempo, a aceitação melhora. Nós vamos impondo respeito e as barreiras se quebram. O mundo é muito machista, mas não podemos desistir. Por isso acho importante estar sempre preparada, estudar e não ter medo de encarar as dificuldades. Os erros são importantes para chegar ao acerto. Me preparo fisicamente, mentalmente e tenho um imenso respeito pelo trabalho de todos.
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Em 2008, você apitou pela primeira vez o Nacional Masculino. Como foi?

Foi muito gratificante. Pude apitar de igual para igual com meus colegas, sinal de que meu esforço está dando resultado. Este ano também estou apitando os jogos do Novo Basquete Brasil – Campeonato Nacional Masculino.

Como você vê a arbitragem brasileira hoje?

Se não for a melhor, está entre as melhores do mundo, graças ao trabalho que o Fontana e a CBB vêm fazendo. Estamos com um grupo muito bom e não ficamos atrás de ninguém.

Você considera alguma regra mais complicada?

O basquete, por ser complexo e ter muitos detalhes, é muito interpretativo. Uma das situações mais difíceis para o árbitro é a interferência. Temos que saber se a bola está subindo, descendo, se tocou ou não na tabela. Por isso é preciso estar sempre estudando e assistindo a jogos.
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Que outras atividades ocupam seu tempo?

Eu sou muito caseira. Também gosto de correr. Todo dia acordo e vou logo correr, bem cedo. De vez em quando participo de meia maratona. Outro hobby é cinema, que vou sempre que posso. E também preciso sempre arrumar um tempo para ver a família. Meus pais e irmãos moram em Sete Lagoas (MG), onde nasci, cidade que fica a 96 quilômetros da capital. Me mudei para Belo Horizonte para fazer faculdade, mas sou muito apegada a eles, até porque sou a única filha.