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02/02/2009 - João Batista dos Santos Guia

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João Batista dos Santos Guia está muito motivado com o novo salto em sua carreira. Assistente técnico de André Germano na seleção brasileira masculina Sub-15, o treinador comemora sua convocação. O carioca de 46 anos acredita que, como técnico, terá a chance de retribuir às novas gerações tudo que aprendeu na bem sucedida carreira de jogador, que durou 30 anos. João defendeu grandes clubes brasileiros como Flamengo (RJ), Vasco (RJ), Corinthians (RS), Monte Líbano (SP), Universo (DF), e encerrou a trajetória como atleta em 2003, em Lajeado (RS). Foi campeão brasileiro em 1994 pelo Pitt/Corinthians (RS). Pelo Vasco, conquistou os títulos da Liga Sul-Americana e do Campeonato Sul- Americano de Clubes e com a seleção brasileira adulta ganhou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata (1995). João Batista começou como técnico em 2002, na Ulbra (RS), enquanto ainda era jogador da equipe. O treinador está há dois anos no Flamengo, onde começou trabalhando com a categoria infantil e depois passou a ser assistente da equipe adulta.

Como recebeu a notícia de ser assistente técnico da seleção masculina Sub-15?

Com surpresa e felicidade por ter sido lembrado. Estar na seleção brasileira é o que todo profissional do esporte almeja. Fico muito orgulhoso em ter servido à seleção como jogador e agora como assistente técnico. Essa convocação vem coroar uma vida de trabalho e dedicação ao basquete.
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Que contribuição acha que pode dar para o sucesso da seleção Sub-15?

Acredito que possa ajudar o técnico André Germano com meu conhecimento prático e teórico fruto dos meus mais de 30 anos de basquete. Espero colaborar no desenvolvimento do talento desses garotos, com disciplina e responsabilidade. Como técnico, posso retribuir e passar adiante conselhos importantes que recebi de técnicos fantásticos. Gostaria de fazer o mesmo pelos atletas da seleção, passando principalmente meu amor e dedicação por esse esporte tão maravilhoso.

Qual o diferencial do trabalho com a categoria de base?

Além dos aspectos técnico, físico e tático, temos que lembrar que o jovem atleta está se formando também moralmente. Acho que não devemos deixar escapar nenhuma oportunidade de educar esses meninos.

Como era o João Batista aos quinze anos?

Confesso que não era um atleta muito interessante nessa idade. Gostava muito de jogar, mas ainda faltava seriedade. Meu amadurecimento como jogador começou com 16, 17 anos, quando tive a chance de conhecer dois técnicos incríveis: Emmanuel Bomfim e Eduardo Almada (Edu). Eles me ensinaram a ter ética e ser uma pessoa responsável. Se eu gostava de basquete, teria que me dedicar com afinco. Eles me mostraram o que eu poderia render como atleta dentro de quadra e como um grande homem na vida. A partir daí comecei a trabalhar duro para ser o melhor jogador possível. E deu certo. Logo depois eu era titular da equipe adulta do Mackenzie (RJ) .

Quais os outros técnicos que marcaram sua carreira? Por quê?

Acredito que grande parte do sucesso na minha carreira eu conquistei ouvindo os conselhos dos técnicos com que trabalhei. Além de Emmanuel Bomfim e o Edu, tive também a sorte de conviver com nomes como Carlos Baroni, que me fez mudar de posição (era pivô e fui jogar de ala e acabei me tornando um armador). Ary Vidal foi outro exemplo de inteligência e capacidade. A seriedade de Edvar Simões me impressionava muito. Com o porto-riquenho Flor Melendez, com quem trabalhei no Vasco, vi o quanto é possível mudar a situação do jogo com uma prancheta. Ele era incrível, moderno e inteligente.

Você tem uma história interessante com o Edvar Simões. Conte o que aconteceu.

Eu jogava no Monte Líbano e, no final da temporada, fui receber meu salário na tesouraria do clube. O funcionário queria saber se eu já havia assinado com outro clube e eu respondi que sim. Perguntei porque o interesse e ele me confessou que o Edvar deu ordens para me pagar salário até eu fechar com outro time. Foi o reconhecimento pelo meu trabalho e esforço. Fiquei muito emocionado. Felizmente, não precisei, pois já havia acertado meu retorno ao Flamengo.

Como foi a mudança de jogador para técnico?

Sempre pensei em ser técnico. Achava que não poderia ficar com tanto conhecimento que adquiri com gente tão competente só para mim. Em 2002, quando jogava na Ulbra (RS), fui convidado para treinar a equipe. Os próprios atletas me pediram para aceitar. Com incentivo deles e apoio dos meus amigos, vi que era a hora. Trabalhei por 40 dias na fase final do Campeonato Nacional. Todos gostaram do meu trabalho, mas não conseguimos acertar para a temporada seguinte. Então fui jogar em Lajeado, onde encerrei a carreira de jogador em 2003.
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Conte a experiência de treinar, de um dia para o outro, com seus colegas de clube.

Foi tranquilo. Eles entenderam bem a relação técnico-atleta. Sempre fui um profissional sério e não houve problema em trabalhar com meus ex-companheiros, nem chamar atenção ou até mesmo dar bronca.

Quais suas características como técnico?

Primeiro de tudo, sou sincero e procuro mostrar que o mais importante é a verdade. Sou consciente do que posso fazer e muito auto-crítico, buscando corrigir o que faço de errado. O time que trabalho reflete o que fui como jogador: aguerrido e responsável. Tecnicamente, gosto de time organizado e moderno, com uma defesa muito forte, jogo de transição rápido e ataque coletivo.

Fale sobre sua trajetória no basquete.

Comecei com 11 anos. Fui assistir a uma prova de natação no Mackenzie e antes da piscina, tinha uma quadra de basquete. Estavam fazendo uma peneira e eu resolvi entrar. Nem sabia fazer bandeja. O professor foi mandando eu voltar no dia seguinte, no outro e acabei ficando. Depois joguei no Flamengo (SP), Vasco (RJ), Porto (Portugal), Monte Líbano (SP), Suzano (RJ), Vasco/Barueri (SP), Municipal (RJ), Universo (DF), Ulbra (RS) e terminei minha carreira como jogador em Lajeado. Estou no Flamengo há dois anos, já trabalhei com a categoria infantil e hoje sou assistente técnico de Paulo Sampaio na equipe adulta.