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19/01/2009 - Vander Lobosco Nunes Júnior

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O árbitro internacional Vander Lobosco Nunes Júnior traz no sangue e no sobrenome a aptidão para a arbitragem. O pai, ex-árbitro internacional de mesmo nome, aconselhou o filho quando este optou pela mesma profissão: "Se quiser continuar, não seja um soprador de apito, seja um árbitro e seja profissional", disse. A mais recente conquista desse carioca de 32 anos prova que ele ouviu o pai com atenção. Em outubro do ano passado, Vander foi promovido a árbitro internacional FIBA na Clinica realizada no Uruguai. Vander passou por testes físicos, avaliação teórica com 25 questões, prova prática com mecânica de dois e de três árbitros, além de uma entrevista. Professor de Educação Física, Vander segue uma rotina disciplinada, que inclui atividade física, cuidados com a alimentação e estudo constante de inglês e espanhol. Tudo isso para estar sempre preparado para os desafios da profissão de árbitro, que exerce desde 2001. Na temporada 2008 Vander deu outro passo importante na sua carreira: apitou a primeira e a terceira partidas das finais do Nacional Feminino, entre Ourinhos e Americana, no mês de dezembro.
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Fale um pouco sobre a prova para árbitro internacional, realizada no Uruguai.

Foi uma experiência excelente. Tivemos aula teórica com o instrutor FIBA, Anibal Garcia, onde vivenciamos as novas filosofias implantadas pela FIBA. Observamos os princípios de vantagem e desvantagem, além de mecânica com dois e três árbitros Fizemos ainda o teste físico e arbitramos alguns jogos amistosos para sermos avaliados. Assistimos à palestra com o instrutor argentino Alejandro Micone, referente à psicologia de arbitragem. Enfim, além da promoção, foi uma grande oportunidade de fazer um intercâmbio com grandes profissionais da arbitragem.

Qual a emoção de dar um passo tão importante na carreira?

Fiquei muito feliz. Acredito que alcancei somente mais um degrau, pois ainda tenho muito trabalho pela frente. Em primeiro lugar agradeço a Deus por te me concedido essa vitória. Dedico essa conquista a minha esposa, filha, mãe e, principalmente ao meu pai (o ex-árbitro internacional Vander Lobosco Nunes), que tanto torcem por mim e entendem muitas vezes a minha ausência. Não posso esquecer dos amigos que sempre me apoiaram, a CBB e a Federação do Rio de Janeiro, que apostaram em mim. E em especial, agradeço ao Geraldo Fontana (coordenador de arbitragem da CBB), que se dedicou na minha preparação e aos árbitros que me ajudaram nos jogos das competições em que atuei.

E agora como é a expectativa da espera pela primeira competição internacional?

A expectativa é muito grande e estou me preparando diariamente. Tenho meu programa de treinamento, pois em competições internacionais sempre se faz o teste físico. Continuo constantemente com estudo do inglês e espanhol. Quando for solicitado estarei preparado.
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Você é filho de um grande árbitro de basquete (Vander Lobosco). Qual a participação dele na sua carreira?

Desde garoto eu ia aos jogos com meu pai e vibrava com a arbitragem. Um dia fui assistir a um jogo em Niterói (RJ) e um amigo me chamou para arbitrar com ele. Aí tomei gosto pela coisa. Meu pai sempre me deixou livre para minhas escolhas, mas só fez um pedido: "se quiser continuar não seja um soprador de apito seja um árbitro e seja profissional". Então tive seu apoio e consegui alcançar um bom resultado. Meu pai vibrou mais do que eu.

Como concilia a vida de professor de Educação Física e árbitro?

Não é tão fácil, mas para tudo tem um jeito. Dou aula em um curso técnico e com isso tenho como flexibilizar meus dias e horários com outros colegas, que entendem e vibram pela minha carreira na arbitragem.

Existe diferença em apitar jogos femininos e masculinos?

Existe bastante diferença. Nos jogos femininos, o contato é menor. Assim, o quando se tem contatos mais fortes pode dar a impressão de agressão. Além disso, o ritmo do jogo é mais cadenciado. Nas partidas masculinas, predominam o vigor físico, a estatura e a velocidade. Isso faz com que os contatos sejam mais aceitos. É um jogo mais veloz e dinâmico, com enterradas, interferências e tocos.
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Quais árbitros admira?

Admiro muito o Cristiano Maranho, um árbitro que desde o início me incentivou e me ensina muita coisa. Ele tem uma boa postura e se dedica muito ao que faz, estando sempre antecipado nas suas decisões. Somos amigos fora da quadra. Tenho uma gratidão também pelo Fernando Serpa, Carlos Renato (Renatinho) e Sergio Pacheco, pois foram aqueles com quem mais atuei nos primeiros Campeonatos adultos e me ajudaram bastante.

Você apitou a final do Nacional Feminino 2008. Como avalia o seu desempenho?

Esse campeonato foi diferente para mim. Nos outros anos eu estava com árbitros mais experientes, e nesse estive com árbitros da categoria nacional e regional e árbitras que foram promovidas junto comigo. Com isso, a responsabilidade de administrar foi bem maior e diferente. A meu ver me sai bem nas partidas e com aprendizados para melhorar em algumas situações para outros jogos. A maior dificuldade é quando uma ou ambas as equipes desistem do jogo, pois pode tornar a partida violenta em algumas situações.

Quais as principais características de um bom árbitro?

Concentração, leitura de jogo, administração da partida e disciplina.
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Como lidar com a pressão dentro de quadra?

O ser humano é fruto do meio e se adapta a tudo na vida. A pressão dentro da quadra sempre vai existir, mas o árbitro tem que saber absorver e não se deixar levar por isso. No momento de pressão temos que nos concentrar no jogo e entender o papel de cada um na quadra, principalmente o do árbitro.

Qual sua opinião sobre qualidade da arbitragem brasileira?

O Geraldo Fontana (coordenador de arbitragem da CBB), com toda sua dedicação faz um ótimo trabalho no nosso país. Hoje, em todas as regiões se fala a mesma linguagem e isso facilita o crescimento interno. A arbitragem brasileira é uma das melhores do mundo. Nos últimos anos tivemos representatividade em finais e semifinais dos Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, Torneios Pré-Olímpicos, Jogos Pan-Americanos e Sul-Americanos. Nossos árbitros se preparam bem e se dedicam ao trabalho de arbitragem como profissão, o que acarreta bons resultados.

E os seus objetivos para o futuro?

Meu principal objetivo é atuar como árbitro de ponta, participando de competições de grande porte como os Mundiais, Pré-Olímpicos, Copa América. É a isso que me dedico com disciplina, pois tenho muita paixão por arbitrar basquete. Meu grande sonho como árbitro é chegar a uma Olimpíada, pois é a maior competição do mundo.