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18/12/2008 - Jonathan Tavernari

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O ala Jonathan Tavernari é um dos destaques da temporada 2008/2009 da Liga Universitária Americana (NCAA). O brasileiro é um dos responsáveis pela excelente campanha da Brigham Young University (BYU). Os Cougars, como são chamados, estão invictos na Conferência Montain West, com dez vitórias em dez jogos. É o melhor inicio de temporada da Universidade desde 1987. Cestinha em seis dos dez triunfos dos Cougars este ano, Tavernari é o segundo principal pontuador da equipe, com média de 17.5 pontos por jogo (175 no total). O ala, de 1,96m é ainda o reboteiro do time, com média de 7.3 (73 no total). Esse paulista de São Bernardo do Campo está em terras americanas desde 2004, quando foi cursar o segundo grau na Bishop Gorman High School e está se formando em Gerenciamento Recreativo e Negócios na BYU. Foi eleito o calouro do ano da Conferência na temporada 2006/2007 e hoje, é um dos grandes nomes do basquete da Universidade. Tanto potencial chamou a atenção do técnico espanhol Moncho Monsalve, que o convocou para o Torneio Pré-Olímpico de Atenas, em julho deste ano. Jonathan afirma que o período com a seleção um dos grandes responsáveis por sua evolução, especialmente na defesa, nesta temporada. Com apenas 21 anos, Jonathan demonstra maturidade e visão de futuro. Além de ser atleta profissional após se formar, já traçou planos para a vida depois do basquete: pretende ser diretor esportivo da BYU. Para isso, já se prepara para fazer pós- graduação em Comunicação Esportiva e Administração.

Os Cougars estão fazendo um excelente inicio de temporada, com 10 vitórias em 10 jogos. Qual o fator principal para o sucesso da equipe?

O segredo é a defesa. A marcação tem sido excelente em todos os jogos até agora. Temos altos e baixos, como todos os times, mas a defesa tem sido constante. Ofensivamente, temos bons jogadores que entendem seus papéis, e sabem o que, quando e como fazer. Isso é o fator mais importante. A expectativa sempre é de ganhar o próximo jogo, dando um passo por vez, e melhorar a cada dia.
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O seu desempenho tem sido decisivo para os Cougars. Como avalia o atual momento da sua carreira e quais os seus pontos fortes?

Eu só tenho feito minha obrigação. Meus técnicos e companheiros de time sabem o que esperar de mim, e sabem que eu não vou desapontá-los. Na defesa ou ataque, eu consigo mudar o jogo, e faço o que tiver que fazer para ganharmos. Meus pontos fortes são a minha paixão pelo jogo e o meu espírito competitivo. Talento sozinho não resolve nada.

No que você acha que mais evoluiu no último ano?

Cresci bastante no aspecto defensivo. Eu me tornei um marcador melhor, e devo muito isso a minha ida para a seleção brasileira em 2008. Eu tive que melhorar muito para poder ser escolhido pelo técnico Moncho Monsalve. Treinar com o Marcelinho, o Alex, o Duda, o Marcus me motivou para eu chegar no nível deles. Eu sempre admirei o Marcelinho e o Alex, e joguei contra o Marcus quando estava no Pinheiros. Para continuar evoluindo, tive que aprender a marcar grandes jogadores e eles me ensinaram demais.
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Fale um pouco sobre sua trajetória no basquete americano.

Eu vim para os Estados Unidos em 2004. Cursei dois anos do segundo grau aqui e me formei na Bishop Gorman High School, em Las Vegas. Estou no terceiro ano na Brigham Young University, onde estou me formando em Gerenciamento Recreativo e Negócios. Vou fazer minha pós-graduação em Comunicação Esportiva e Administração. Depois que eu pendurar o tênis, quero ser diretor na BYU, e vou estudar pra isso.

Conte sobre a sua rotina nos Estados Unidos. Como faz para conciliar os estudos e o basquete?

Vim para cá para poder estudar e jogar. Meus pais são educadores e a educação sempre foi importante para a família. Aqui, somos estudantes-atletas e na BYU a escola vem primeiro. Minha rotina é pesada, mas legal. Durante a semana eu acordo às 6h, treinos de sete às oito. Depois tenho aula de nove ao meio dia. Na parte da tarde faço musculação e os deveres de casa. Depois das 20h, fico com a minha namorada.
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Do que mais sente falta no Brasil?

Dos Meus pais. Tanto que falo com eles de três a quatro vezes por dia. Eu sinto muita falta da minha família e meus amigos de infância. No resto eu dou um “jeitinho” brasileiro.

O que gosta de fazer fora das quadras?

Cozinhar, ir ao cinema, ir ao teatro. Não saio muito para festas e baladas, sou muito caseiro.

Quais os planos para quando acabar a Universidade?

Meu primeiro objetivo é poder jogar profissionalmente. Sendo na NBA, ou na Europa, eu espero poder ser pago para brincar de basquete. Eu também tenho lido sobre a Liga Nacional de Basquete. Quem sabe o campeonato se torna muito atrativo.
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Fale sobre a experiência na seleção brasileira adulta? Como foi trabalhar com Moncho Monsalve?

Foi um sonho que se tornou realidade. Não só o de treinar com Moncho, mas de fazer parte de um grupo tão bom de jogadores, técnicos, preparadores físicos, médicos, fisioterapeutas, massagistas, roupeiros, dirigentes, presidente. Todos, de A-Z foram importantes para mim. A primeira vez na seleção é inesquecível. Vou me lembrar para sempre do Alex, Tiago, Marcelo Huertas e Marcelinho e dos momentos felizes da seleção. Das brincadeiras com JP, Tiago e Murilo e as inúmeras conversas que tive com todos eles.

Em 2009 tem Copa América / Pré-Mundial do México. Quais as expectativas de voltar a vestir a camisa verde-amarela?

Jogar pela seleção brasileira é um vício. Eu experimentei e agora quero para sempre. Pode ser Copa América, Sul-Americano, Mundial, Universíade, Olimpíada, não importa. Qualquer oportunidade que tiver, eu vestirei as cores do Brasil e representarei o meu país com orgulho e paixão.
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Sua mãe, Thelma, é uma figura importante no basquete paulista, trabalhando na formação de atletas há muito tempo. Ela foi sua maior influência para começar a jogar?

Minha mãe é a melhor técnica do cenário nacional. Um dia eu vou pesquisar quantos jogos ela já ganhou na carreira. Ela é e sempre será a maior influência na minha vida, junto com meu pai. Dentro e fora da quadra, minha mãe sempre me passava lições que uso no meu dia-a-dia. Ela me ensinou a amar o basquete e ser sempre positivo em todas as situações.

Quais conselhos que daria para o jovem que seguir o mesmo caminho que você, tentando a vida no basquete universitário americano?

Antes de mais nada, é preciso entender que o basquete não é para sempre, e que há vida depois do jogo. Estudar, ser uma pessoa culta e de família são bênçãos que Deus nos dá. Para poder ter sucesso na NCAA, assim como em qualquer Liga, temos que saber fazer sacrifícios e ter uma vida equilibrada.