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03/12/2008 - Silvia Gustavo

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Com apenas 26 anos, Silvia Cristina Gustavo Rocha tem uma vida plenamente feliz. Faz o que gosta, tem uma família unida e é mãe de Luiz Fernando, seu filho de 3 anos. Dividida em ser mãe e atleta, a jogadora de Catanduva (SP) batalha para cumprir bem as duas funções. Em 2008, Silvia ajudou o Catanduva na conquista do titulo do Campeonato Paulista e agora luta nos playoffs por uma vaga na final do no Nacional. É também a segunda cestinha de Catanduva na competição com média de 15.9 pontos por jogo e 271 pontos no total. A atleta paulista acumula um vasto currículo, cheio de premiações e digno de uma campeã. Pela seleção brasileira, ficou em sétimo lugar no Campeonato Mundial Juvenil da República Tcheca (2001), foi vice-campeã no Mundial Sub-21 da Croácia (2003), quarto lugar nos Jogos Olímpicos de Atenas (2004), vice-campeã na Copa América Adulto da República Dominicana (2005), quarto lugar no Mundial Adulto do Brasil (2006) e campeã do Sul-Americano Adulto do Paraguai (2006).
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Como é conciliar a vida de mãe e de atleta?

Está sendo bem difícil, um pouco cansativo, mas extremamente compensador. Ver meu filho crescendo está sendo muito bom, ele acabou de fazer três anos e está na fase de descobertas. Levo-o sempre que posso aos jogos e aos treinos, ele adora. O Luiz Fernando faz parte da minha bagagem. Tenho uma rotina que começa bem cedo com meu filho. Acordo às 6h30 e arrumo ele para a escola antes de ir para os treinos. Agora que começou a estudar, pergunta o tempo todo pelas meninas. Mas está sendo bom e importante ele ir para a escola porque facilita meu dia, já que preciso me dedicar aos treinos e também descansar entre eles.

A sua família tem tradição no basquete. Como você entrou para o esporte?

Comecei por causa da minha tia Roseli Gustavo (campeã do Mundial da Austrália, em 1994), que é a maior influência para mim. Tinha quase 11 anos quando fui para Ponte Preta, onde ela jogava. A tia sempre me convidava, então um dia resolvi aceitar e adorei. Depois, quando teve uma transição e terminaram com a equipe adulta da Ponte Preta e a Roseli trocou de time, aproveitei a saída dela e fui jogar com a professora Mila e o Paulo Bassul, em Americana. E foi quando amadureci bastante, pois estava morando numa república e tinha que me virar. Tinha uma rotina cansativa, onde eu treinava, estudava e tinha que me virar prá cuidar da minha vida. Quando eu tinha 14, minha irmã, Karen Gustavo, que é dois anos mais nova, veio jogar e morar comigo. Também tenho meu primo, Nezinho, que joga em Limeira. O basquete sempre fez parte da minha vida, desde criança, e está no sangue da família.
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Sua família é muito unida?

A minha família sempre foi muito unida, sempre que dá estamos juntos. Somos companheiros e incentivamos uns aos outros a continuar correndo atrás dos nossos sonhos e sempre jogar basquete. Nos reunimos quase sempre em datas comemorativas, como o Natal. A comemoração sempre foi na casa da minha avó, ela reunia a família toda. Depois da sua morte, cada ano é em uma casa diferente, mas sempre mantendo a tradição de ficarmos juntos. Esse ano, o encontro será na casa da Roseli. Em 2008 também consegui fazer a primeira festinha de aniversário do meu filho no Brasil com minha família toda. Foi muito emocionante. O importante mesmo é sempre reunir a família.

Como foi a sua experiência na Europa?

Fui jogar fora do Brasil assim que saí de Americana. Eu tinha algumas propostas para ficar aqui, mas precisava de tranqüilidade e escolhi ir para fora do país. E foi muito importante pra mim porque me proporcionou conhecer meu marido, que era meu técnico em Portugal. Lá joguei pelo Barreiros e pelo A.D. Vagos, ambos em Portugal, e pelo Bembibre, da Espanha. Jogar na Europa também foi um bom momento para descansar e lá engravidei. Foi marcante porque pude recomeçar, precisava treinar com pessoas desconhecidas e me recuperei da gestação para poder voltar a jogar bem. Enfim, retomar as rédeas da minha vida. Com certeza, uma experiência ótima pra mim.
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Você e Karen foram vice-campeãs no Mundial Sub-21 da Croácia (2003). Como foi?

Foi inesquecível. Já havíamos jogado o Mundial Juvenil (2001) em que as jogadoras eram praticamente as mesmas, uma ou duas só que mudaram, e ficamos em sétimo. Não foi um bom resultado, mas aprendemos muito com aquilo e o grupo amadureceu. Quando fomos para esse Mundial, não dividi o quarto com a Karen, fiquei com a Fabiana Manfredi e a Fernanda Beling. Nos divertíamos bastante. Mas estávamos conscientes do que tínhamos o que fazer. Ficamos com a medalha de prata, perdemos na final para os Estados Unidos, mas vencemos elas na fase classificatória. Foi muito legal. Seria melhor se tivéssemos ficado em primeiro. De qualquer forma, o nosso nome ficou marcado.

Faça um retrospecto da temporada 2008 e do Nacional Feminino.

Este ano está sendo ótimo para mim. A minha chegada em Catanduva foi um recomeço, algo maravilhoso. Ganhamos o título do Campeonato Paulista, que foi importante para iniciarmos confiantes no Nacional. Depois fomos campeãs dos Jogos abertos contra Ourinhos. Estamos até agora com um resultado positivo, jogando os playoffs e de maneira satisfatória. Espero que continuemos com um bom desempenho para fechar o ano com chave de ouro e um título brasileiro.