Imprensa

12/11/2008 - Nádia Colhado

img
Nádia Gomes Colhado é um dos destaques da jovem equipe do São Caetano no 11º Campeonato Nacional. A pivô, que chegou ao clube em maio, tem alcançado bons números na competição. Em 12 jogos, possui médias de 10.4 pontos (125 no total) e 7.1 de rebote (85). Apesar de ter apenas 19 anos, Nádia é uma das mais experientes do grupo dirigido pelo técnico Norberto Borracha. Com a maturidade de quem se cuida sozinha desde os 13 anos, quando saiu do Paraná para Jundiaí, Nádia conclui que a equipe paulista soube mostrar potencial e talento no Nacional, apesar de não ter alcançado a classificação para os playoffs. Nádia iniciou a carreira cedo e ficou dos 13 aos 18 anos no Clube Divino/COC/Jundiaí, famoso pólo de formação de atletas. Depois, passou cinco meses na universidade espanhola de Leon, onde atuava no Campeonato Universitário e treinava com o time adulto da primeira divisão da Liga. Pela seleção brasileira, a jogadora paranaense foi campeã sul-americana cadete (Venezuela/2005), vice-campeã sul-americana juvenil (Paraguai/2005), 4º lugar na Copa América/Pré-Mundial Juvenil (Estados Unidos) e 10ª colocada no Mundial Sub-19 (Eslováquia/2007). A juventude de Nádia lhe dá fôlego para realizar várias tarefas: defende o time adulto e juvenil do São Caetano, cuida da casa junto com as companheiras e ainda arruma tempo para cursar o primeiro período de Educação Física, em São Paulo.

Que análise você faz da participação de São Caetano no Nacional?

Positiva. Somos uma equipe muito jovem e acho que o objetivo era mostrar o talento e potencial do grupo, num investimento para o futuro. Acho que conseguimos cumprir essa meta. Fizemos bons jogos, especialmente nas três vitórias sobre Floripa, Mangueira e Santo André. Nas partidas que perdemos jogamos com raça e buscamos evoluir a cada jogo. O importante é que temos consciência de que demos o máximo pelo time, procurando aprender com os erros e crescer como atletas e como equipe.
img

Qual a expectativa para a última partida do Campeonato contra Americana?

Quando acabaram as chances de classificação, nosso objetivo foi usar as partidas para evoluir, visando aos Jogos Abertos (que começam neste domingo). A equipe precisa melhorar principalmente a defesa, para marcarmos ainda mais forte.

O que está achando do seu desempenho na competição?

O Campeonato ajudou demais a melhorar meu jogo. Brigar no garrafão com atletas mais experientes como Mamá e Êga, por exemplo, me trouxe lições importantes. A gente aprende a respeitar o adversário, mas também a jogar de igual para igual, sem medo. Acho que joguei bem, mas ainda tenho o que aperfeiçoar, como a minha marcação.
img

Como é o clima em um grupo tão jovem?

Maravilhoso. Todas somos alegres, brincalhonas e o ambiente é o melhor possível. Eu moro com mais quatro atletas e a amizade é incrível. Eu moro com a Laís e a Roberta Fogaça há seis anos, desde Jundiaí, e esse convívio ajuda dentro e fora de quadra. A gente brinca na hora que pode brincar e encara o trabalho com muita responsabilidade.

Conte um pouco sobre sua experiência na Espanha.

Foi bom e ruim ao mesmo tempo. Fui estudar espanhol na Universidade de Leon, por onde joguei o Campeonato Universitário. Treinava com o time principal, que disputa a primeira divisão. Enquanto as partidas eram fracas tecnicamente, os treinos eram ótimos. Convivi com algumas atletas da WNBA e da seleção espanhola e foi isso que fez valer a pena. Aprimorei meu arremesso e melhorei muito o jogo de costas para a cesta. Outro fator positivo é que pude visitar duas vezes a minha mãe, que mora na França.
img

Fale sobre sua trajetória no basquete?

Comecei com 12 anos, em Maringá (PR). Um ano depois já estava em Jundiaí (SP). No começo minha mãe me acompanhava. Depois, passei a me virar sozinha. Fiquei lá até o ano passado e foi um aprendizado enorme, pessoal e profissional. Joguei na Espanha de janeiro a maio deste ano e me transferi para o São Caetano.
img

E sua história na seleção brasileira?

Minha primeira seleção foi em 2005 e foi um caminho de muito crescimento. O ano passado, a nossa geração disputou todos os campeonatos da temporada e o mais importante é que fui melhorando a cada participação. Não fui muito bem no Sul-Americano Juvenil, em 2005. Um ano depois, na Copa América, fiz alguns bons jogos, mas poderia ter sido bem melhor. Já no Mundial Sub-19, em 2007, consegui jogar com mais regularidade.

Como é a sua rotina?

Pesada. Acordo às 5h30 da manhã e vou para São Paulo, onde sou caloura do curso de Educação Física. Volto para São Caetano almoço e tomo banho. Depois academia e treino, mais os jogos e viagens. É puxado, mas eu gosto. Sou calma, gosto de ficar em casa assistindo a filmes e procuro descansar bastante.

É verdade que você tinha muita vergonha da sua altura na infância?

Sim. Com 11 anos, eu media 1,80m e tinha uma cara de criancinha. Todo mundo ficava olhando para mim. Eu costumava dizer para minha mãe só me levar ao shopping segunda-feira de manhã, pois não tem quase ninguém. No sábado, aquilo lotava e todo mundo ficava encarando aquela loira magra e grandona. Hoje parece até engraçado, mas na época eu detestava.