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05/11/2008 - Urubatan Paccini

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O novo técnico de Ourinhos, Urubatan Paccini, de 59 anos, tem nas mãos uma equipe tetracampeã composta por grandes jogadoras como as brasileiras Micaela, Mamá, Ega, Karen e Chuca e as cubanas Lisdeivi e Ariadna. A missão: chegar à final do Campeonato Nacional de 2008. Uma responsabilidade e tanto para o ex-auxiliar técnico, que assumiu a equipe após a saída de Paulo Bassul. Mas o treinador não quer saber de polêmicas. Opta pela discrição e pretende continuar de fora dos holofotes: “O brilho do jogo é delas”, diz. Paulista de Álvares Machado, um pequeno município perto de Presidente Prudente, Urubatan dedicou toda a vida ao basquete. Começou jogando aos 10 anos por influência do pai, também atleta, e foi nas quadras que conheceu a esposa, Margareth. Em comum, tinham o gosto pela posição de armador, e o casamento já dura 36 anos. Os três filhos - Marina, Danilo e André – também jogaram basquete, todos como armadores. Agora, além da conquista do pentacampeonato, Urubatan tem pela frente o desafio de perpetuar na família o amor pelo esporte. As duas netas, em pouco tempo, já poderão começar a treinar os primeiros arremessos, para orgulho do avô.
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Quais são as suas expectativas para o Nacional 2008?

A equipe de Ourinhos foi montada para chegar à final e vem fazendo uma campanha com esse objetivo. O time de Americana também está muito forte, então acredito que a decisão seja entre os dois.Temos mais um jogo fora de casa, contra o Sport Recife (6/11), e depois quatro partidas seguidas em Ourinhos (São Caetano, Americana, Santo André e Catanduva). Se ganharmos esses cinco jogos, seremos líderes. Depois, o playoff é outro campeonato.

Como foi assumir uma equipe repleta de craques, como Ourinhos?

Eu ainda procuro o reconhecimento do meu trabalho no basquete feminino. O nosso grupo é excelente. Temos atletas que jogam juntas há cinco anos. Mesmo as que chegaram agora, como a Mamá e a Êga, são jogadoras que têm espírito de grupo, com experiência de seleção brasileira, inclusive. Sinto claramente a diferença entre o basquete feminino e masculino. As jogadoras são extremamente disciplinadas, entram de cabeça mesmo no esporte. Com elas, falo uma vez só e não preciso repetir. A dedicação é total.
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Como é o relacionamento com as atletas?

Procuro trabalhar para que seja um relacionamento sadio. Nós temos dez jogadoras que são a parte principal do grupo. Eu procuro fazer com que elas se mantenham num bom nível ou melhorem, se isso for possível. Digo sempre que as estrelas são elas. Eu faço parte do grupo, mas reconheço o meu espaço e o espaço delas. Às vezes, você acha que cresceu muito e pode levar um tombo. Ficar abaixo também pode ser prejudicial. Acho que as cobranças devem continuar, porque fazem parte da relação do técnico com as jogadoras, mas elas é que vão dar o espetáculo. O brilho do jogo é delas. Tento deixar isso bem claro.

Já é possível fazer planos para o futuro?

O futuro vai depender muito desse Nacional. Quero mostrar meu trabalho e vamos ver se ele será reconhecido. Antigamente, os técnicos de basquete duravam décadas nas equipes. Hoje, estamos mais parecidos com os técnicos de futebol. A cobrança pelo bom resultado é bem mais imediata. As demissões acontecem com mais freqüência também.
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Como foi sua chegada a Ourinhos?

Fui para Ourinhos em 2005 para trabalhar com as categorias de base do clube. O Antonio Carlos Vendramini, que ainda era o técnico do time adulto, me convidou. Já nos conhecíamos de longa data: jogamos basquete e fizemos faculdade juntos. Em 2006, o Vendramini saiu e eu continuei com as categorias de base. Após o Mundial de 2006, em São Paulo, o Paulo Bassul assumiu o time adulto. No ano seguinte (2007), ele me chamou para trabalhar com ele, como assistente técnico, e eu aceitei. Trabalhamos juntos no Nacional de 2007 e nos Campeonatos Paulistas de 2007 e 2008.

Com a saída do Bassul, no final do Paulista, qual era a sua expectativa?

Achei que seria demitido. Fui chamado para uma reunião com a diretoria do clube e tinha quase certeza de que seria mandado embora assim que terminasse o Campeonato Paulista Juvenil, que ainda estava em andamento. Eu ainda atuava como técnico no juvenil (Sub-19) e acumulava a função de auxiliar técnico do time adulto. Mas o convite veio sem rodeios e eu também respondi de pronto. Pensei: essa é a minha oportunidade. Se não for agora, será quando?

Como você começou no basquete?

Comecei a jogar basquete aos 10 anos em Presidente Prudente (SP), pela equipe da Associação Prudentina, time com o qual fui campeão paulista juvenil. Joguei até 27 anos. Só parei porque, a essa altura, eu já estava formado em Educação Física e treinava o time mirim de Presidente Prudente. Optei por parar de jogar e seguir como técnico. Depois que me casei, fui morar em Assis (SP) e comecei a trabalhar com o grupo feminino de lá, que teve uma geração excelente.
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Como foi essa experiência?

Em Assis, tivemos atletas de alto nível. O técnico do time adulto era o Mirinho Carneiro. De lá saíram jogadoras como a Paula (Maria Paula Gonçalves, a Magic Paula) e a Branca (Maria Angélica Gonçalves, técnica de Americana), que começaram conosco. Elas são de Oswaldo Cruz (SP), mas apareceram para o basquete em Assis. De lá, a Paula foi para Jundiaí (SP). Quando o Mirinho resolveu parar, o basquete feminino foi minguando na cidade. Mas o masculino continuou. Eu assumi a equipe adulta, que na época era a Conti/Assis. Nós investimos bastante no grupo e conseguimos, em 2002, levá-lo à primeira divisão do Paulista (A-1), onde está até hoje.

Você continua morando em Assis?

Sim. Na verdade, nunca me imaginei saindo de lá. São apenas 65 km entre Ourinhos e Assis. Eu passo o dia em Ourinhos, treinando no clube, e depois volto para a minha cidade. O trajeto entre o ginásio, em Ourinhos, e a minha casa dura, no máximo, 40 minutos.
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A família também tem história no basquete?

Todos. Meu pai, Jurandir Paccini, era jogador. Na época dele, até as regras eram outras. Ele jogava numa posição que não passava do meio da quadra. Arremessava de longe e ainda nem existia cesta de três pontos. Minha esposa, Margareth, eu conheci também no basquete, aos 13 anos. Ela era armadora do time de Assis e eu jogava na mesma posição na equipe de Presidente Prudente. Estávamos sempre nas finais dos campeonatos e acabamos ficando amigos. Era uma paquera, né? Começamos a namorar aos 18 anos e nos casamos em julho de 1972, quando eu cursava o último ano da faculdade. Nossos três filhos (Marina, Danilo e André) jogaram basquete, todos como armadores. O André chegou a jogar profissionalmente e fez parte dessa equipe do Conti/Assis que subiu para a primeira divisão do Paulista, em 2002. Hoje nenhum deles joga mais. Mas temos duas netinhas que, daqui a pouco, já poderão entrar em quadra e arriscar as primeiras cestas.