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17/04/2001 - Paulo Bassul

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Experiência com categorias de base não falta ao técnico da seleção brasileira feminina juvenil Paulo Bassul. Esse brasiliense, de 33 anos, começou como treinador com apenas 16 anos, na equipe infanto da AABB (DF). Logo depois, já dirigia a seleção estadual no campeonato brasileiro da categoria. Nesses 17 anos de carreira, conquistou dois títulos sul-americanos cadete (1996 e 2000). Como assistente técnico da seleção do Brasil, foi campeão da Copa América Juvenil (97) e na seleção principal, sob o comando do técnico Antonio Carlos Barbosa, conquistou a medalha de bronze nas Olimpíadas de Sydney. Nos clubes conta com 24 títulos estaduais nas categorias de base (10 em Brasília e 14 em São Paulo) e um título adulto paulista (Divisão A-2). Agora Bassul prepara a seleção juvenil para o Mundial da Republica Tcheca, de 14 a 22 de julho. A equipe iniciou seus treinamentos participando do 4º Campeonato Nacional, onde ficou em sétimo lugar.

Qual sua análise da participação da seleção no Nacional?

Foi fundamental para a preparação para o mundial. A maioria das meninas vêm de equipes juvenis e não tinham experiência com jogadoras adultas. Por isso, o Nacional foi importantíssimo porque apesar de terem grande potencial, elas eram um pouco ingênuas em quadra. Jogar com atletas mais experientes as fizeram ganhar mais maturidade.

O objetivo inicial foi alcançado?

Sim. A nossa meta era dar ritmo e entrosamento a essas meninas, trabalhar fundamentos e, principalmente, acostumá-las a jogos difíceis para aperfeiçoar o potencial individual. E nós conseguimos. As atletas já evoluíram muito e no fim do returno já estavam mais espertas e entrosadas.

O que melhorou na equipe e o que ainda precisa ser aperfeiçoado até o Mundial?

A equipe ganhou mais velocidade em todos os aspectos. Está mais rápido no raciocínio em quadra, na defesa e na movimentação no ataque. Isso porque o jogo adulto é sempre mais veloz e elas assimilaram bem essa característica. Precisamos melhorar o preparo físico e ainda estamos errando muitas bolas, numa média de 30 por partida. Nossa meta é baixar essa média para 15.
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Quais as jogadoras que mais evoluíram e as que mais se destacaram?

Precisei aumentar a estatura do time, que contava com armadoras muito baixas. Para isso, tive que adaptar algumas alas para a posição de armadora. As maiores evoluções vieram daí. Iziane, Fabiana e Natália corresponderam muito bem a essa mudança, especialmente a Iziane, que se sobressaiu em quase todas as partidas. As pivôs também melhoraram bastante, como a Kátia e a Graziane, que perdeu 12 quilos durante o Nacional e passou a contribuir muito mais para a equipe. O grande destaque mesmo foi o conjunto. O grupo veio se acertando a cada partida, jogando um basquete coletivo e harmonioso.

E o planejamento daqui para frente?

A equipe se reapresenta dia 1º maio para a continuação do treinamento até o Mundial. Nessa próxima etapa, a prioridade é trabalhar intensivamente a parte física. Deixamos para fazer isso agora porque no Nacional tínhamos dois jogos por semana e não seria possível realizar uma eficiente preparação física. Depois, partiremos para a parte técnica e, por último, os treinos táticos. Com o passar do tempo, essa ordem vai se invertendo.

Quais as chances do Brasil no Mundial?

Acho que temos boas possibilidades de jogar de igual para igual com nossos adversários na competição. Devido à inexperiência de que já falei, a classificação para o Mundial foi difícil, ficamos com a terceira vaga. Mas já melhoramos muito e com a preparação que estamos fazendo, chegaremos em boas condições à República Tcheca. Até porque teremos contato com alguns adversários no início de julho, em Washington, onde disputaremos um Torneio Internacional contra Estados Unidos, China e Japão. Será uma excelente oportunidade de avaliar os outros competidores.
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E os adversários mais perigosos do Mundial?

É difícil avaliar a categoria juvenil. Às vezes, uma geração é boa e a seguinte nem tanto. Historicamente, Estados Unidos, Rússia e Austrália sempre contam com uma equipe bastante forte. Esse ano, quem pode surpreender é a China, atual campeã asiática.