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24/09/2008 - Diego Miceli Jeleilate

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Não só de técnica e tática é feito o basquete moderno. A preparação física é uma parte do treinamento que vem ganhando destaque no esporte. Seja para potencializar o rendimento ou reduzir o risco de lesões, a preparação física hoje deve estar intimamente ligada com o trabalho técnico realizado nas equipes de base e de alto rendimento. É isso que faz Diego Miceli Jeleilate, preparador físico da seleção brasileira adulta masculina, do clube Paulistano e do E.C. Banespa. Formado em Educação Física e especialista em treinamento desportivo, Diego está na comissão técnica do Brasil desde 2004. Paralelo a esse trabalho, Diego ministra as Clínicas Técnicas e de Preparação Física Eletrobrás trocando experiências e capacitando técnicos por todo o país.

Como começou a carreira?

Iniciei minha carreira dando aulas na escolinha de basquete do Colégio Santo Agostinho (SP) em 1998, quando ainda jogava basquete. No ano seguinte, quando eu era juvenil no Sport Club Corinthians e cursava o primeiro ano em Educação Física, o técnico Jofre Menezes me chamou para auxiliá-lo nas categorias menores do clube. Minha paixão por esporte, o incentivo dos meus pais a praticá-lo, e o fato da minha mãe ser educadora física, me fizeram escolher essa profissão.
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Por que o basquete e o trabalho com equipes masculinas?

Ter jogado basquete por seis anos em clubes me fez amar essa modalidade. Quando ainda era universitário tive vários convites para ser técnico de algumas equipes de faculdades, sempre masculinas. Não foi uma escolha voluntária. Apenas não apareceram oportunidades na categoria feminina.

Existe diferença na preparação física do basquete e do futebol?

A diferença nas modalidades é muito grande, primeiro pelas características do jogo e as suas especificidades, depois pelas solicitações energéticas e pela dinâmica do trabalho. Trabalhar com trinta atletas (futebol) ao contrário de doze a quinze (basquete) acaba fazendo com que a administração das cargas seja bem diferente. No período de 2000 a 2002, ainda no Sport Club Corinthians, fui convidado a auxiliar a equipe juniores de futebol. Com isso comecei a acumular as duas funções, de preparador físico dos times juvenil e adulta do basquete e de auxiliar de preparação física dos juniores de futebol.
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Como está a preparação física do Brasil em comparação com os outros países?

No Brasil temos excelentes profissionais e centros de desenvolvimento científicos voltados para preparação física e, em comparação aos outros países, às vezes o que nos falta são recursos, pois nossos profissionais são tão ou mais capacitados do que os de fora. Acredito que estamos no caminho certo e não deixamos faltar nada aos nossos atletas. Particularmente, minha maior preocupação quanto às categorias de base. Com o privilégio físico dos brasileiros, se pudéssemos explorar mais os aspectos motores desses atletas, com certeza teríamos muito mais talentos aptos a jogar em qualquer modalidade.

Fale um pouco da sua experiência com as Clínicas Eletrobrás realizadas em várias cidades do país?

A experiência com as Clínicas tem sido maravilhosa, pois além de ser gratificante poder trocar informações com os profissionais dos outros estados, verificamos o grande interesse em desenvolver os aspectos da preparação física. Devido ao grande sucesso e as solicitações de novas Clínicas Eletrobrás estamos desenvolvendo o módulo dois, já que no primeiro módulo o tema de preparação física foi abordado de maneira geral. Agora vamos começar a falar de forma mais específica. Vale destacar também que, em 2009, iniciaremos a Escola Nacional de Formação de Treinadores, que será uma possibilidade de mudança e de direcionamento para o basquete brasileiro.
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Como está sendo o trabalho com o técnico Moncho? Alguma diferença da escola espanhola para a brasileira?

O trabalho com o técnico Moncho Monsalve tem sido produtivo e eficiente. Ele é um ótimo profissional e uma excelente pessoa. O Moncho acredita muito no trabalho da preparação física, sendo também um defensor da especificidade, permitindo que o trabalho seja realizado quase que na sua totalidade dentro de quadra (físico/técnico), que são os conceitos modernos de treinamento que muitos técnicos Brasileiros também já estão adotando. Outro fator que facilitou a adaptação do trabalho foi o ótimo entrosamento que tenho com o assistente técnico José Neto, que me auxilia bastante na dinâmica dos treinamentos.

Qual a importância da musculação na preparação física do time?

Todos sabem que as principais capacidades do basquete são força e velocidade. Com isso, o desenvolvimento delas durante todo o processo de preparação é muito importante. Assim, o trabalho de força na musculação é mais um dos meios de desenvolver essas capacidades. Não é a única ou principal forma, mas sim uma ótima maneira de potencializá-las.
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Qual a diferença do trabalho físico nas categorias de base para a adulta?

Nas categorias de base até 15 anos, a ênfase do trabalho deve ser no desenvolvimento dos aspectos motores. Nos anos seguintes não podemos esquecer esses aspectos, mas já nos preocupamos mais com o desenvolvimento das capacidades propriamente ditas. Ou seja, aliando uma boa base a uma boa potencialização, com certeza teremos um melhor resultado na formação de um atleta.

Como o atleta vê a preparação física?

A aceitação do trabalho físico de uns anos para cá por parte do atleta tem sido muito grande, tornando também mais fácil a atuação do preparador físico. Quem deseja se tornar um profissional, tem total consciência da necessidade de estar bem fisicamente, não só para jogar melhor como para prevenir de lesões.