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05/08/2008 - Luiz Claúdio Tarallo

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Aos 42 anos, Luiz Cláudio Tarallo se prepara para o segundo Campeonato Mundial de sua carreira no comando da seleção brasileira. Trabalhando nas categorias de base do Brasil desde 2005, o técnico foi campeão logo na estréia, no Sul-Americano cadete da Venezuela. Repetiu a dose em 2006, no Equador, trazendo o segundo título na bagagem. Foi assistente de Antonio Carlos Barbosa na conquista de dois Sul-Americanos adultos (Colômbia – 2005 e Paraguai – 2006). Em 2006, dirigiu o time brasileiro na Copa América das categorias Sub-18 e Sub-20, que garantiram vaga para os Mundiais Sub-19 da Eslováquia e Sub-21 da Rússia, em 2007, respectivamente. Este ano, mais uma classificação. Desta vez, para o Campeonato Mundial Sub-19 da Tailândia de 2009.
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Qual a sua análise sobre a participação do Brasil na Copa América Sub-18?

A equipe teve um bom desempenho. Alcançamos o primeiro objetivo que era classificar para o Mundial da Tailândia. Depois, conseguimos a medalha de bronze. Foi uma competição muito positiva para nós. Temos uma geração boa e precisamos continuar investindo. Já estamos planejando o trabalho para o Mundial, nos focando, principalmente para jogar com igualdade contra os times europeus. Esse grupo perdeu para Argentina e Venezuela no ano passado no Sul-Americano Sub-17 e ganhamos desses dois adversários na Copa América. Acho que estamos no caminho certo.

Destaca alguma jogadora nessa competição?

O grupo todo foi muito bem. Todas tiveram sua participação na conquista do bronze e da vaga. Mas a ala Patrícia e a ala/armadora Tássia foram jogadoras que se destacaram mais, sendo a primeira e segunda cestinha do Brasil, respectivamente.
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Na sua opinião, qual foi o melhor jogo do Brasil?

Com certeza foi o confronto com a Argentina na segunda rodada. Não tínhamos feito uma boa partida contra o Canadá na estréia. O time estava nervoso e não teve uma boa atuação. Mas contra as argentinas nos saímos bem. Faltando 13 segundos para acabar o tempo normal, perdíamos por dois pontos. Uma jogada da Tássia empatou e levou a partida para a prorrogação. Conseguimos encaixar a defesa e com um jogo mais próximo do garrafão chegamos à vitória. O espírito guerreiro das jogadoras também foi fundamental. Em momento algum deixaram de acreditar no resultado positivo.

Quais são os pontos fortes da equipe e o que precisa melhorar?

O grupo marca muito bem, tem uma defesa sólida. É um time bastante técnico e com um jogo solidário. Temos uma boa performance nos arremessos. Também temos um bom número de bolas recuperadas. Precisamos melhorar nos rebotes, tanto ofensivo como defensivo, e nas bolas perdidas. Nós perdíamos entre 30 e 35 bolas e baixamos para 15. Mas sabemos que ainda podemos melhorar e diminuir ainda mais os erros.

É a terceira vez que você classifica o Brasil para o Mundial. O que representa essas conquistas na sua vida?

Eu fico muito feliz por ver o trabalho dando resultado. Em 2005, eu fui técnico da equipe que foi ao sul-americano Sub-17. Ficamos com o título e a vaga para a Copa América Sub-18 dos Estados Unidos, em 2006. Ficamos em quarto lugar e com vaga para o Mundial Sub-19 da Eslováquia em 2007, que foi dirigida pelo Norberto Borracha. Também em 2006, fui para a Copa América Sub-20 do México, onde garantimos nossa participação no Mundial Sub-21 da Rússia em 2007. E agora, em 2008, consegui mais uma classificação mundial. É muito gratificante para mim saber que o estou dando retorno à confiança que a Confederação tem no meu trabalho. Sou muito agradecido pela oportunidade.
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Dessas competições que você já participou, algum teve um sabor especial?

Todas foram importantes. Aprendi muito nas vitórias e nas derrotas. Não sei se é porque está recente, mas essa Copa América, em Buenos Aires, ficou marcada. As argentinas vêm sendo a pedra no nosso sapato. Na Copa América de 2006, nos Estados Unidos, nós perdemos para elas na disputa do terceiro lugar e, este ano, devolvemos a derrota dentro da casa delas.

Como vai ser a preparação para o Mundial da Tailândia?

Nós já nos reunimos com o presidente Grego e apresentamos o planejamento de treinamento para o Mundial. Além dos treinos e amistosos no Brasil, programamos uma excursão à Europa. Queremos que esse grupo tenha contato com as seleções européias para as meninas pegarem mais experiência internacional. Os vídeos ajudam muito na preparação, mas quando elas entram em quadra contra os adversários é que sentem a melhor maneira de marcar, a melhor hora para um corte, para um jump.

Fale um pouco da sua história no basquete.

Eu comecei em 1993, em Jundiaí, como preparador físico das equipes de alto nível. Trabalhei em vários projetos com categorias de base e adultos, inclusive no BCN/Osasco quando a Paula jogava lá. Depois comecei como assistente técnico nos clubes até chegar a técnico.
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Por que escolheu treinar equipes femininas?

Eu comecei no basquete feminino e fui ficando. Foi um processo natural e depois que a gente pega gosto, não quer mais sair. Já fui convidado para dirigir equipe masculina, mas recusei. Mesmo com suas diversas particularidades, não me vejo trabalhando fora do feminino.

Fale um pouco do trabalho em Jundiaí?

Jundiaí é um dos pólos brasileiros de basquete feminino, principalmente nas categorias menores. Já revelamos várias jogadoras para a seleção brasileira, como a Jaqueline Silvestre e a Franciele Nascimento, que hoje está na Olimpíada em busca de medalhas para o Brasil. A pivô Graziane, que também está em Pequim, também teve uma passagem pelo time da cidade. E esse é um dos nossos objetivos, revelar atletas.

Você é casado e tem dois filhos. Como é conciliar o basquete e a família?

Eu procuro ficar com a minha família o máximo que posso. E, quando estou longe, mantenho contato constante com minha esposa e meus filhos. Sempre tem um jeitinho. Minha família me apóia muito e entende esse estilo de vida.

E seus filhos jogam basquete?

A minha filha Letícia, de 12 anos, está nas aulas de dança, mas o meu filho Leonardo, de 10 anos, está na escolinha de basquete. Gosto que eles tenham atividade. A gente encaminha para o esporte, porque quer que eles tenham uma vida saudável, mas não forçamos a nada. Se ele quiser seguir carreira no basquete, ficarei muito feliz.

Se não fosse técnico de basquete, o que faria?

Como eu sou professor de Educação Física, acho que se não fosse técnico de basquete, trabalharia nas escolas, pois é uma área com que tenho afinidade. Mas qualquer outra coisa que eu venha a fazer, tem que ser ligada a preparação física. Essa é a minha vida.