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23/05/2008 - Karen Gustavo

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Ela é sobrinha da ala Roseli do Carmo Gustavo, campeã mundial na Austrália (1994), medalha de prata na Olimpíada de Atlanta (1996) e ouro no pan-americano de Havana (1991). Aos 24 anos, Karen Gustavo Rocha começa a seguir os passos da tia. Já foi campeã sul-americana cadete (Colômbia/2000), vice-campeã da Copa América Sub-20 (Brasil/2002) e do Mundial Sub-21 (Croácia/2003), quarto lugar no Mundial adulto (Brasil/2006), medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos (Rio de Janeiro/2007) e bronze no Pré-Olímpico (Chile/2007). Em 2008, os objetivos são maiores. Karen quer ser campeã sul-americana, garantir a vaga do Brasil na Olimpíada e ir para Pequim buscar uma medalha para o Brasil.
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Qual sua expectativa para o Campeonato Sul-Americano?

Temos o compromisso de fazer uma boa competição e garantir mais um título para o Brasil. Além disso, vamos buscar o entrosamento com as duas atletas que se integram ao time aqui em Loja. O Sul-Americano faz parte da nossa preparação para o Pré-Olímpico, mas isso não quer dizer que podemos relaxar. Queremos ser campeãs.

A Argentina é um adversário tradicional do Brasil e vem mostrando evolução. Como você vê essa nova fase das argentinas?

A Argentina é um adversário tradicional do Brasil e vem mostrando evolução. Como você vê essa nova fase das argentinas? No Mundial do Brasil de 2006, a Argentina surpreendeu a todos. Fez um jogo duro conosco e ganhou da Espanha. Já no Pré-Olímpico das Américas do Chile no ano passado, o elenco mudou um pouco e as argentinas quase perderam para as chilenas. Para este Sul-Americano, tudo vai depender do grupo que vier participar da competição. Se estiver com o time completo, temos que encará-las como adversárias com possibilidade de nos superar. Qualquer descuido nosso, elas encostam no placar.
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Como você vê as chances do Brasil no Torneio Pré-Olímpico Mundial de Madri?

As nossas chances são muito boas. Temos que fazer o que treinamos, mantendo a nossa defesa forte. Não é uma competição fácil, todos querem garantir a vaga para a Olimpíada. Das equipes que conheço, acho que Cuba e Espanha são nossos adversários mais fortes.

Hoje em dia é comum ter atletas brasileiros em várias competições do mundo. Você já pensou em defender uma equipe estrangeira?

Já pensei, mas nunca quis muito. Não é o meu objetivo neste momento. Só sairia do Brasil se fosse para jogar um campeonato de bom nível técnico para me dar mais experiência e malícia. Não gostaria de ir para o exterior para atuar numa competição que não acrescentasse nada na minha carreira.

Você já atuou em várias cidades que adoram basquete. Como é a relação do atleta com os torcedores?

Em Americana, todo mundo torcia bastante pela gente, nos cumprimentavam na rua. Tínhamos uma relação muito boa com os torcedores. Em Ourinhos é quase a mesma coisa. A única diferença é que em Ourinhos o público entende um pouco mais das regras, analisam as estatísticas, essas coisas. O apoio dos torcedores é muito importante para qualquer time. Nos momentos difíceis da partida, eles sempre ajudam, nos motivando e nos empurrando para conquistar a vitória.
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Como é ficar longe da família?

No início é difícil, mas depois a gente acostuma. Fui para Campinas com 12 anos para jogar e aprendi ficar sozinha. Depois fiquei sete anos em Americana, metade de uma temporada em Recife e já faz três anos que estou em Ourinhos. Antes sentia falta, mas agora, depois de uma semana com a família, dá vontade de voltar para a minha casa.

Por falar em família, sua tia Roseli, sua irmã Sílvia e seus primos Nezinho e Felipe também jogam basquete. Fale um pouco sobre essa tradição familiar.

A gente sempre conversa sobre basquete, não tem como evitar. Quando junta todo mundo em Araraquara é certo que isso aconteça. Eu gosto dessa nossa relação. Um torce pelo outro, acompanha dos times nas competições. E não é só os que jogam basquete que são envolvidos com o esporte. A família inteira participa, comenta as partidas. Acho muito divertido.

Seguir a carreira esportiva foi um processo natural?

A minha tia Roseli sempre nos chamava para assistir aos treinos e jogos. Íamos porque gostávamos do esporte e começar a praticá-lo aconteceu naturalmente. Quando comecei não sabia nada, aprendi em muito pouco tempo.
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Como é treinar com o técnico Paulo Bassul no clube e na seleção?

Comecei com a Mila, esposa do Bassul, quando tinha 12 anos em Campinas. Com 16, fui treinar com o Bassul já em Americana, onde fiquei até os 21. Fiquei dois anos longe dele e voltei a trabalhar com ele em 2005, na equipe de Ourinhos. O Bassul me conhece muito bem e, acho que como estamos juntos por tanto tempo, ele percebe as coisas mais rápido no meu jogo. Se não estou num bom dia, ele sabe logo. Ele é um bom técnico e gosto de estar no mesmo time que ele.

Se não jogasse basquete que carreira escolheria?

Eu comecei a fazer faculdade de nutrição, mas parei. Ainda quero fazer enfermagem. Tenho duas tias que são enfermeiras e gosto muito da área de saúde. Mas conciliar faculdade com esporte profissional é complicado. A gente acaba faltando muitas aulas por conta de treinos, jogos e viagens. Se não jogasse basquete e pudesse me dedicar, escolheria direito para cursar.
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De que maneira você a sua evolução nas quadras?

Eu admito que demorei um pouco para evoluir. Na época em que eu estava nas categorias de base, não tinha competição todo ano, então não tive muita experiência internacional no início. Depois passei por uma cirurgia no joelho e fiquei um tempo me recuperando. Acho que esses dois fatores influenciaram no meu desenvolvimento. Mas agora estou numa crescente e procuro melhorar a cada dia.

Quais são as suas características de jogo?

Sou uma jogadora de muita velocidade e defendo bem. Apesar de ter um bom aproveitamento nas cestas de três pontos, prefiro chutar de dois. Gosto muito do meu jump. Ainda preciso melhorar a visão de jogo e a habilidade. Estou trabalhando nisso.
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Das competições que você foi defender a seleção brasileira, qual foi a que mais marcou?

O vice-campeonato mundial na Croácia foi um momento marcante. A final contra os Estados Unidos foi emocionante. Era um jogo possível para nós. Infelizmente não deu para garantir o título, mas fizemos uma boa partida. Elas tiveram que suar muito para ganhar da gente. A minha primeira seleção também marcou. Em 2000, fui convocada para a cadete para disputar o Sul-Americano da Colômbia. Foi meu primeiro título que conquistei para o basquete brasileiro. Agora, advinha quem era o técnico das duas competições.