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03/04/2008 - Marcelo Tieppo Huertas

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Marcelo Tieppo Huertas vem se destacando na Liga ACB, a primeira divisão do Campeonato Espanhol. O armador do clube Lurbentia Bilbao Basket é o cestinha do time e o 12º da competição, com média de 14.3 pontos (400 no total), até a 28ª rodada da competição. Marcelo também é o líder de assistências da equipe e o oitavo no Campeonato com 3.75 (105). Com o bom desempenho do brasileiro, o Bilbao é o sexto colocado na tabela e está na briga por uma vaga nos playoffs. O jogador também lidera a votação popular para MVP da Liga com quase seis mil votos. Com 24 anos e 1,90m, o atleta foi campeão da Liga Catalã e da Eurocopa na temporada 2005/2006 pelo DKV Juventut. Pela seleção brasileira, conquistou o título da Copa América – Pré-Mundial de 2005 e do Sul-Americano de 2006.

Você trocou de time da temporada passada para esta. Como foi a adaptação à nova equipe?

Foi uma mudança tranqüila. Todos me receberam muito bem. O Tiago Splitter jogou aqui alguns anos atrás e me falou que a cidade e o técnico eram ótimos. Um companheiro do Joventut veio comigo para Bilbao. Tudo isso facilitou muito a adaptação e contribuiu para que eu tivesse um bom começo de temporada.
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Como analisa a campanha do Bilbao na Liga ACB?

Tivemos um bom começo. Ganhamos de grandes times nas primeiras rodadas como o Joventut, Tau Cerâmica e Pamesa Valencia, e as outras equipes começaram a nos ver com outros olhos. Agora, não somos mais considerados uma surpresa. O clube investiu contratando atletas de bom nível técnico e o grupo deu um salto de qualidade significativa. Ganhamos do Barcelona na Supercopa e perdemos para o Tau Cerâmica na final. Viramos o ano como líderes da Liga. Perdemos três jogadores por contusão e o rendimento caiu. Mas esses atletas estão voltando e já estamos nos recuperando. Ganhamos do Unicaja na última rodada, que é um time bastante forte. Estamos fazendo uma bela campanha e vamos continuar com essa energia para chegar aos playoffs.

Que clubes você aponta como favoritos ao título?

Acho que Joventut, Barcelona, Real Madrid e Tau Cerâmica são os grandes favoritos ao título. São equipes constantes e equilibradas. As quatro têm seus altos e baixos, mas levam uma pequena vantagem sobre os outros. Se não houver surpresa, uma delas será campeã. A Liga Espanhola é forte e equilibrada. Outro dia, o Tau Cerâmica perdeu em casa para o lanterna. Qualquer desleixo vira derrota. Não tem nenhum time bobo na competição. Todos têm algum interesse. Os que estão nos primeiros lugares querem garantir a vaga nos playoffs e os que ocupam as últimas posições querem evitar o rebaixamento. Cada jogo vira uma guerra.
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Sua atuação nos jogos vem sendo bastante elogiada. Como você vê o seu desempenho?

Estou fazendo uma boa temporada. A confiança do técnico e dos meus companheiros de equipe no meu trabalho está fazendo a diferença. Fico em quadra mais minutos que nas temporadas passadas e isso tira a pressão de ter que fazer tudo em pouco tempo. Estou feliz com o meu desempenho e por estar despontando no time. Vou continuar trabalhando para manter o padrão de jogo e melhorar cada vez mais.

Fale um pouco sobre o desenvolvimento do seu jogo nesses quatro anos na Espanha?

Todo atleta está em constante aprendizado. Amadureci bastante e ganhei força física. Aprendi muito sobre conceitos de defesa e de ataque, principalmente nos primeiros anos. Hoje em dia, sou um jogador de explosão. Não sou um grande pontuador, mas dou assistências para meus companheiros e jogo com muita intensidade na defesa. Vou adaptando as minhas características ao time em que estou.

E o que representa para você ser o mais votado para MVP da Liga ACB?

Eu tenho um bom relacionamento com a torcida e é gratificante ver que reconhecem o meu trabalho no time. Acho que ainda estou longe de ser o MVP da competição, mas isso me dá esperança de conquistar esse prêmio um dia. Fico contente em saber que muitas pessoas acreditam em mim.
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Há quanto tempo mora na Espanha? Como foi a adaptação ao país, à nova cultura, ao clima?

Eu vivo na Espanha há quatro anos. Primeiro fui para Barcelona, defender o Joventut, e me adaptei muito rápido. Tinha um bom contato com as pessoas do clube, fiz muitos amigos. A cidade é muito boa de morar. A comida é gostosa, tem um bom clima. Não faz tanto frio como em outros lugares. Tudo isso facilita bastante.

Você sentiu alguma diferença na mudança de Barcelona para Bilbao?

Senti diferença no clima, pois Bilbao é mais fria. As cidades são um pouco diferentes. Barcelona é turística, Bilbao já é mais empresarial. Aqui também tem praia, mas não se vai muito porque chove bastante e não faz tanto calor assim. São dois ótimos lugares para morar.

Como é a relação dos torcedores com o basquete?

A cidade tem um time de futebol muito tradicional, o Atlético de Bilbao, onde só os bascos podem jogar. É o esporte número um na cidade. O público tem ido aos jogos. A capacidade do ginásio é de cinco mil pessoas e está sempre lotado. As pessoas nos reconhecem na rua, conversam, fazem perguntas. É uma torcida muito calorosa. Gritam, cantam, apóiam o time. O Tau Cerâmica fica perto da gente e formamos uma região que respira basquete. Já se criou até uma rivalidade entre as duas equipes.

Do que você sente mais falta do Brasil?

Não tem nenhuma brecha na temporada para ir visitar a família e os amigos. A gente fica muito tempo longe e às vezes dá muita saudade de todos. No resto a gente dá um jeitinho. Tem um restaurante brasileiro aqui na cidade, sempre vou lá comer um feijão.
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O que achou do novo técnico da seleção brasileira e das propostas dele?

Foi uma boa escolha. É importante trazer um pouco da mentalidade do basquete europeu para a seleção brasileira. O nível técnico das equipes cresceu muito e a oportunidade de disputar uma competição mundial está cada vez mais rara. A Olimpíada só tem doze participantes e apenas duas vagas são disputadas no continente americano. Além dos Estados Unidos, que é uma potência no esporte, a Argentina sempre foi uma pedra no nosso caminho. Eles evoluíram bastante e contam com excelentes jogadores. Mas nós também temos um time forte, com talentos individuais. Precisamos acreditar em nós mesmos e no trabalho do técnico Moncho Monsalve. Cada um tem que entender o seu papel e jogar coletivamente.

Quais as chances do Brasil no Pré-Olímpico de Atenas?

O Brasil tem grandes chances de garantir a vaga para Pequim. Cair na mesma chave da Grécia na primeira fase foi bom para nós. Desta maneira não pegamos os gregos no cruzamento. Além de ter uma excelente equipe, eles são os anfitriões. A torcida grega é fanática, apóia o time o tempo inteiro. Croácia e Eslovênia também são adversários fortes. É uma competição difícil, mas temos condições de nos classificarmos para a Olimpíada.