Imprensa

19/03/2001 - Lígia Maria Moraes

img
Das pistas de atletismo para as quadras de basquete. Esse foi o caminho percorrido pela pivô Lígia Maria Moraes, de 27 anos, para se tornar um dos destaques da equipe campeã paulista de 2000, o Unimed/Ourinhos. Do alto de seus 1,83m de altura, a atleta conta como está trabalhando para surpreender mais uma vez os adversários. O objetivo agora, é ficar entre os quatro primeiros colocados e garantir uma vaga na semifinal.

Como e quando você começou no basquete?

Eu fazia atletismo em Avaré quando umas amigas, por causa da minha altura, me chamaram para jogar basquete. No começo era brincadeira, mas fiquei jogando no time da cidade (Associação Barbarense) e fui gostando do esporte. Aos 19 anos, joguei na Minercal e fiquei por dez anos com a Maria Helena Cardoso. Joguei no BCN, Ponte Preta, Goiânia, Bauru e Ourinhos.

Qual o melhor e o pior momento da sua carreira?

Um grande momento para mim foi a conquista do meu primeiro campeonato paulista pelo BCN. Nunca vi uma alegria tão grande por um título. A Paula pulou no meu colo, todo mundo gritando de felicidade e agradecendo minha participação. Foi muito legal. O pior foi quando, no meio de uma competição, em Brasília, a Maria Helena Cardoso me deu notícia da morte da minha mãe. Foi muito triste mas temos que seguir em frente com o nosso trabalho.

Qual o seu ponto forte como jogadora e o que ainda precisa melhorar?

Minhas maiores armas em quadra são o rebote e a infiltração. Por outro lado, tenho um jeito meio afobado em quadra e preciso ter mais disciplina tática, ouvir mais o meu técnico. Mas não é só isso. Sou muito crítica comigo mesmo e acho que nunca está bom. Por isso, acho que tenho que melhorar em tudo, sempre.
img

Como você analisa o crescimento da equipe do Ourinhos após a conquista do Paulista?

Acho que a nossa equipe é uma agradável surpresa para o basquete feminino nacional. Estamos trabalhando muito, sem folga, para atingir o nosso objetivo, que é ficar entre as quatro melhores colocadas.

Quais as chances do Ourinhos no Nacional?

O Nacional está muito equilibrado, tem grandes equipes, mas não acredito em favoritismo. Assim como surpreendemos no Campeonato Paulista, podemos fazer o mesmo agora. Mas sabemos que não será nada fácil. Precisaremos trabalhar bastante, ter força de vontade e disciplina tática.

Como você está na competição e quando foi sua melhor atuação?

Acredito que estou cumprido bem meu papel de capitã, chamando a responsabilidade quando preciso, já que sou uma das experientes em um grupo tão jovem como o nosso. Às vezes sou até um pouco grossa, mas é pelo bem da equipe, pois sou a capitã e a cobrança em cima de mim é maior. Minha melhor atuação foi no jogo contra o Jundiaí. Naquele dia realmente consegui impor meu jogo contra o adversário e ajudei a minha equipe, independente da quantidade de pontos que tenha marcado.

Você é muito alta e forte, qualidades essenciais para uma boa pivô. Mas no seu dia-a-dia, existe alguma desvantagem em ser muito grande?

Não. Para mim, só traz vantagem. Em quadra, parto para cima das adversárias com toda a minha força. No lado pessoal também, meu “tamanhão” impõe respeito, as pessoas ficam um pouco receosas em me enfrentar. Eu até gosto disso.
img

Qual sua mensagem para quem está iniciando no esporte?

Em primeiro lugar, nunca abandone os estudos, porque é o maior bem que teremos para toda vida. E leve o basquete sempre a sério, com muita dignidade e respeito aos seus colegas de trabalho e adversários.