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20/02/2008 - Paulo Teixeira Sampaio (Chupeta)

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Tricampeão carioca (2005, 2006 e 2007), o Flamengo/Petrobrás é o líder invicto do Campeonato Nacional com 100% de aproveitamento em dez partidas. Um dos responsáveis pelo sucesso da equipe vem do banco: o técnico Paulo Teixeira Sampaio. Mais conhecido como Paulo “Chupeta”, o treinador rubro-negro começou sua carreira no basquete como jogador do clube Riachuelo em 1970. Teve passagens pelo Jequiá, Benfica de Portugal, Botafogo e Tijuca, e pela seleção brasileira. Começou como treinador na equipe pré-mirim quando ainda era juvenil, também no clube Riachuelo. Chupeta está no Flamengo desde 1997 e foi assistente dos técnicos Claudio Mortari e Emanuel Bomfim, vice-campeões nacionais em 2000 e 2004, respectivamente. Mas Paulo Chupeta espera superá-los. Com um elenco forte, unido e dedicado, o time rubro-negro vai em busca do título inédito para o clube.
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Fale um pouco sobre a sua trajetória como jogador?

Comecei em 1970, no mirim do clube Riachuelo. Em 1974, fui para o Jaó, em Goiás, voltei para o Riachuelo no ano seguinte. Passei pelo Jequiá e fiquei uma temporada no Benfica, em Portugal. Voltei para o Jequiá, fui para o Botafogo e encerrei minha carreira como jogador no Tijuca Tênis Clube. Também tive uma passagem pela seleção brasileira em 1975, sob o comando do técnico Claudio Mortari. Em 1977, fui convocado para a seleção de novos para uma excursão pelo país com o Ari Vidal.

E a experiência de jogar em Portugal?

Foi excelente. O time estava em oitavo lugar e apenas os seis primeiros se classificavam para a fase seguinte. O Benfica precisava de um armador de força, que era a minha característica. Quando cheguei em Portugal, a equipe tinha que vencer quatro partidas para garantir a vaga no playoff e conseguimos as quatro vitórias. Perdemos na semifinal, terminando a competição em terceiro lugar.

Como foi a transição de jogador para técnico?

Na minha época, os jogadores não eram muito bem pagos. Era comum os atletas das categorias acima treinarem as mais novas. Eu estava no juvenil quando comecei a trabalhar com o pré-mirim em 1973. Tive um grande tutor, o Sr. Coutinho, que me mantinha na linha, pois eu era um pouco rebelde. Aprendi bastante com ele. Muita coisa aprendi na marra, apanhei muito. Estava sempre de olho nos técnicos mais experientes em busca de mais conhecimento.
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Você foi assistente dos experientes técnicos Claudio Mortari e Emmanuel Bomfim no Flamengo. O que isso contribuiu para a sua carreira?

Eu comecei no Flamengo, treinando a equipe infanto, em 1997. O Claudio Mortari chegou no clube em 2000 e me convidou para ser assistente dele no time principal, que contava com jogadores como Oscar, Robyn Davis, Caio Cazziolato, Pipoka, Josuel, Ratto. Quando veio o Miguel Angelo, voltei a dirigir somente as categorias de base. Depois o Emmanuel Bomfim assumiu e me chamou para trabalhar com ele. No Tijuca Tênis Clube, fui assistente do Marcos Flavio, o Pingo, quando Alexey, Anthony White e Dwayne Perry estavam no elenco. Trabalhar com técnicos experientes, de alto nível como esses foi muito bom para minha carreira. Uma das coisas que aprendi com eles foi a lidar com jogadores de nome. Algumas pessoas acham que o assistente é apenas um espectador com o privilégio de acompanhar o jogo no banco de reservas. Mas o trabalho é muito mais do que isso. O assistente tem que estar atento a todos os detalhes da partida e passar as informações para o técnico principal. Procurei aprender com todos e fui agregando valores à minha filosofia.

Quais são as suas características como treinador?

Eu sou um técnico disciplinador e aglutinador. Uma coisa que o técnico Emmanuel Bomfim falava e trago comigo é que o basquete é um esporte coletivo, então nós perdemos e nós ganhamos. Uma outra característica minha é que eu sempre procuro não expor os atletas na quadra. Se eu tiver um problema com qualquer jogador, vou levar a conversa para o vestiário. Tento manter a tranqüilidade na quadra. Às vezes, as pessoas falam que eu fico muito calmo nos momentos apreensivos da partida. Mas os jogadores ficam de cabeça quente nas horas difíceis e acho importante o técnico permanecer calmo e passar tranqüilidade para que o grupo possa virar o jogo.
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Após a conquista do tricampeonato carioca, o Flamengo faz história no Nacional. São nove vitórias em nove jogos. Como você analisa a campanha do Flamengo até agora?

Estou muito otimista. Nós montamos o elenco para isso. Escolhemos os jogadores de maneira que tivéssemos dois atletas em cada posição. Isso me possibilita mexer na equipe sem que o ritmo de jogo diminua. E é importante ter peças de reposição. Tem dias que determinado jogador não está bem e é preciso alguém para substituí-lo e que mantenha o padrão. O armador Hélio estava bem, teve uma caída agora, enquanto o ala Duda subiu de produção. O pivô Alírio vem crescendo a cada partida e o ala/armador Marcelinho é um jogador que preocupa qualquer adversário mesmo num dia ruim. É um grupo entrosado. Alguns jogadores cresceram juntos, atuaram no juvenil, e se conhecem bem.

Quais os pontos fortes da equipe?

Destaco o conjunto e a harmonia do time. Estamos com uma defesa forte e uma boa produtividade no ataque. Isso está sendo fundamental para alcançarmos a vitória e essa campanha que temos até agora. E vamos continuar assim para garantir nosso lugar na final da competição.

O Campeonato Nacional sempre revela jovens talentos. Que jogadores você destacaria na edição deste ano?

O ala/armador André Góes, do Joinville, é um jogador promissor, voluntarioso. Bem lapidado, será um adversário difícil. O Rodrigo, do Uberlândia, é um lateral de 2,04m que está muito bem na competição, assim como o ala Audrei, da Univates. Fiquei impressionado também com o pivô Darlan, de 2,07m, do FTC EAD. Quando ele entrou em quadra para substituir o americano, deu bastante trabalho para nós.

Além do time rubro-negro, quem você aponta como favorito ao título?

O Universo/BRB ainda tem muito a crescer no Nacional. O Minas também tem uma equipe forte e é quase certo que chegue as finais. A Ulbra ainda não estreou na competição, mas fez uma boa campanha no Paulista e conta com jogadores experientes como Vanderlei, Danilo, André Bambu. Além do técnico Neto, que também faz um bom trabalho.

Por que o apelido Chupeta?

Quando eu era criança, estava sempre com chupeta na boca na porta de casa. Toda vez que o seu Benedito passava por mim me chamava de Paulinho da chupeta. Depois que eu fui jogar no clube Riachuelo, o seu Benedito apareceu por lá para fazer um trabalho. Ele me viu na quadra e falou: “Olha lá, o Paulinho da chupeta jogando”. O pessoal só ouviu “Paulinho” e “chupeta”, o “da” ninguém escutou. O apelido pegou e ficou até hoje.