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14/11/2007 - Patrícia de Oliveira Ferreira

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Um título sul-americano (Santo André – 1999), quatro nacionais (Santo André – 1999 e Ourinhos – 2004, 2005 e 2006) e três paulistas (Ourinhos – 2004, 2005 e 2006) marcam a carreira da ala Patrícia de Oliveira Ferreira, a Chuca, no basquete brasileiro. Aos 29 anos, a jogadora também acumula bons resultados defendendo o Brasil. A ala foi campeã sul-americana (2003 e 2005), medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007) e bronze no Torneio Pré-Olímpico de Valdívia (2007). São 16 anos dedicados ao basquete, esporte que escolheu após praticar quase todas as modalidades. Sua garra e determinação em quadra e os arremessos precisos de três pontos são características que fazem de Chuca uma peça importante nas horas decisivas da partida. A partir do dia 23, defendendo a equipe do Colchões Castor/Fio/Unimed/Ourinhos, a ala começa a disputa do décimo Campeonato Nacional da sua carreira e a briga pela conquista de mais um troféu para a sua estante e para a cidade do interior paulista.

Fale sobre a conquista do Campeonato Paulista.

Foi uma vitória maravilhosa. Conseguimos atingir o objetivo de chegar ao tricampeonato com muita garra e determinação. O torneio foi bastante equilibrado tecnicamente e a final foi muito disputada. O título teve um gosto especial de superação, pois a equipe teve um momento de desconcentração no campeonato, devido às idas e vindas das atletas que foram defender o Brasil no Pré-Olímpico. Com o fim da temporada da seleção, Ourinhos ficou em terceiro nos Jogos Abertos e vencer o Paulista representou a nossa recuperação.
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E como foi o playoff final?

Forte e muito disputado. Catanduva é uma equipe bastante entrosada, que vem evoluindo a cada ano, valorizando demais a competição. Apesar da vitória por 3 a 1, não foi nada fácil derrubar o time do técnico Edson Ferreto, que conta com grandes jogadoras. Jogar em Catanduva é difícil, pois a pressão da torcida é grande, mas conseguimos superar e impor o nosso jogo nos momentos decisivos da partida.

Qual foi o ponto forte de Ourinhos na competição?

A defesa fez a grande diferença nos jogos. Conseguimos impor uma marcação fortíssima, que dá um trabalho danado para os adversários. Além disso, mostramos personalidade e espírito de grupo, provando que estávamos totalmente focadas em cumprir o objetivo, que era a conquista de mais um título paulista para a cidade de Ourinhos.
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Que análise você faz da sua participação no Campeonato?

Graças a Deus estou em um grande momento, técnica e fisicamente. Tenho consciência de que consegui desempenhar um bom papel no grupo e fazer minha parte para alcançar a meta desejada pelo clube.

Como é a relação da cidade de Ourinhos com o clube?

Maravilhosa. Aqui se respira basquete. A torcida apóia incondicionalmente o time, lotando sempre o ginásio, sem violência ou confusão. É extremamente motivador para o atleta jogar em um lugar assim. Os torcedores comparecem aos jogos e aos treinos, acompanhando a vida das jogadoras.

Você esteve presente em todas as nove edições do Campeonato Nacional. Quais suas expectativas para a competição, que começa no próximo dia 23?

As melhores possíveis. Será uma edição equilibrada e vamos buscar o tetracampeonato por Ourinhos (Chuca também foi campeã por Santo André, em 1999). Para alcançar esta meta, temos que treinar bastante, melhorar a cada partida e evitar ao máximo perder em casa. Fico muito orgulhosa em participar de todas as edições do Nacional e ver que consegui melhorar a cada temporada.

Em que pontos você acha que evoluiu ao longo desses dez anos de Campeonato Nacional?

O atleta sempre busca a excelência. Eu não sou diferente e procuro sempre aprimorar o meu jogo. Quando a gente trabalha com prazer e dedicação, os resultados aparecem. Acredito que em todos esses anos eu consegui melhorar em vários aspectos, mas principalmente no aproveitamento dos meus arremessos. Hoje, tenho um chute mais eficiente, de curtas e longas distâncias.

Você conquistou quatro títulos. Qual foi o mais emocionante?

Cada título tem um gosto diferente. Mas o de 2004 foi especial. Ganhamos de Americana, que tinha um timaço, dirigido pelo Paulinho Bassul, que hoje é o nosso técnico. Conseguimos superar o favoritismo delas e garantir o título. Foi maravilhoso.
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Como começou a jogar basquete?

Comecei a praticar esportes, como brincadeira, desde os cinco anos, no SESI em Mauá. Brincava de tudo e fiz todas as modalidades que se possa imaginar. Com uns treze anos, comecei no basquete e fui para o Centro Esportivo Mauense.

E por que escolheu o esporte da bola laranja?

Na época, eu vi Paula, Hortência e Janeth jogando e fiquei encantada. Aí decidi me dedicar ao basquete. Dizia para minha mãe que ia seguir a mesma carreira delas e graças a Deus cheguei lá. Anos mais tarde joguei com a Janeth e contra a Paula. Pensando nisso, vejo como consegui conquistar meus sonhos.

Fale um pouco da experiência de conviver com a Janeth, já que vocês jogam na mesma posição?

Na primeira vez, em Santo André, eu entrava pouquíssimo em quadra. Era só quando a Janeth ia descansar. Quando o jogo era fácil, eu brincava com ela e dizia: “pô, Jane, cansa aí para eu poder entrar”. Agora, quando a partida era complicada, eu rezava: “Jane, não faz a quarta falta, não faz a quarta falta”. Em Ourinhos, tivemos uma convivência mais próxima e jogávamos mais tempo juntas. Ela é realmente uma pessoa maravilhosa e foi incrível trabalhar com ela.
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Como foi jogar o Pan-Americano no Rio?

Foi a minha primeira experiência defendendo a seleção brasileira em casa. E, apesar de ter jogado muito pouco, foi uma sensação maravilhosa. É emocionante para uma atleta jogar numa arena tão bem estruturada e bonita.

Qual a expectativa para o Pré-Olímpico Mundial em junho de 2008?

Primeiro de tudo, vou trabalhar bastante para disputar a competição e ajudar o Brasil nesta batalha. Acho que qualquer grupo que for defender a seleção dará o sangue para garantir nosso lugar na Olimpíada. Acredito que temos talento para carimbar o passaporte para Pequim. Tenho absoluta confiança de que uma das cinco vagas será do Brasil. As outras equipes que briguem pelas que restarem.