Imprensa

05/11/2007 - Angelina Bizarro

img
Em agosto de 1967, a ala/armadora Angelina Bizarro subia no lugar mais alto do pódio para receber a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá. Quarenta anos depois, a ex-atleta participou do Pan do Rio de Janeiro, fazendo parte do revezamento da Tocha Pan-Americana. Duas emoções que Angelina, aos 68 anos, guardará na memória e no coração para sempre. Além do ouro em 67, Angelina conquistou ainda duas medalhas de prata em Pan-Americanos (Chicago/1959 e São Paulo/1963). Pela seleção brasileira, Angelina foi também bicampeã sul-americana (Brasil/1965 e Colômbia/1967), e ficou em 8º lugar no Mundial da Tchecoslováquia. Paulista de nascimento, Angelina adotou o Rio de Janeiro quando veio jogar no Flamengo, há mais de quarenta anos. Torcedora rubro-negra de coração, Angelina continua entusiasmada com a prática esportiva. Até hoje pratica basquete, faz longas caminhadas, alongamento e abdominais para manter a forma. Herança que o basquete deixou no longo de 15 anos dedicados ao esporte.

Em 2007, comemoramos os 40 anos da conquista da medalha de ouro no Pan de Winnipeg (1967). Como foi essa conquista?

Foi um dos momentos mais maravilhosos da minha vida. Antigamente, o Pan era uma competição muito mais puxada, com turno e returno. Fomos campeãs invictas, jogando sem Maria Helena e Heleninha, que não foram para o Canadá. Era uma geração incrível, que jogava com amor, determinação e um grande conjunto. Foi realmente emocionante ser campeã.
img

Você participou de três edições do Pan-Americano, conquistando duas medalhas de prata e uma de ouro. Qual a emoção de subir ao pódio representando o Brasil?

Em primeiro lugar, vestir a camisa da seleção já é uma honra. Subir ao pódio é realmente maravilhoso. E nada se compara a conquistar uma medalha de ouro e ouvir o hino nacional em outro país. Tive o privilégio de fazer parte de uma geração excepcional e participar de três Jogos Pan-Americanos. Inclusive o Pan de Chicago foi a minha primeira experiência em seleção. Me dediquei ao máximo nos treinamentos para ficar entre as doze e consegui. Além de ter realizado um sonho, cheguei ao pódio e conquistei uma honrosa medalha de prata. Em 1963 tive o prazer de jogar em casa, com o ginásio lotado e com a presença da minha família, o que foi uma emoção indescritível.

Este ano, você participou do revezamento da tocha no Pan do Rio. Como foi?

Extraordinário. Foi mais um momento inesquecível. Fazer parte mais uma vez da história do esporte. Fiquei honrada com o reconhecimento do meu trabalho pelo basquete. Foi também uma forma de declarar meu amor pela cidade maravilhosa, onde vivo há 40 anos.
img

Quais as lições que o basquete deixou para a sua vida?

Acho que a primeira coisa que o basquete nos ensina é viver em conjunto. Em um esporte coletivo você tem que aprender a trabalhar em equipe, conviver nas concentrações e viagens. Lidar com as derrotas também é outra lição que o basquete me deixou. Além disso, as viagens proporcionam um grande aprendizado, te coloca em contato com outras pessoas e culturas. Fora o bem que a prática esportiva faz à saúde.

Fale sobre sua trajetória no basquete.

Comecei a jogar um pouco tarde, com 18 anos, no Sírio. Depois joguei no Paulistano. Mais tarde, tive a honra de jogar em dois grandes pólos do basquete feminino da época, Sorocaba e Piracicaba, onde aprendi com excelentes jogadoras e técnicos maravilhosos. Depois fui para o Flamengo, onde convivi com o excepcional Kanela que, apesar de treinar o time masculino, sempre ajudava a equipe feminina. Aprendi demais com ele. Naquele tempo, eu fazia minha preparação física com o pessoal do futebol, treinava com o técnico do nosso time e ainda pegava umas lições extras com o Kanela.

Você ainda pratica esportes?

Claro. De vez em quando bato uma bolinha no clube, junto com ex-companheiras como a Marta Kauffman, a Átila e a Didi. No meu dia-a-dia, faço caminhadas, alongamento e 200 abdominais. Isso foi uma das grandes heranças que o esporte me deixou, o cuidado com meu corpo e minha saúde.