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12/09/2007 - Franciele Nascimento

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Com apenas 19 anos, a pivô Franciele Aparecida Nascimento é a caçula da seleção adulta, que se prepara para o Torneio Pré-Olímpico das Américas de Valdívia, no Chile. Franciele foi um dos destaques no Campeonato Mundial Sub-21 da Rússia deste ano. A jogadora foi cestinha e reboteira do Brasil com 118 pontos e 73 rebotes. A pivô foi a quarta reboteira e a sétima cestinha da competição. A atleta de 1,87m fez sua estreia com a camisa do Brasil no Sul-Americano Juvenil da Bolívia, em 2004, e voltou com o título na bagagem. Ano passado, defendeu a seleção Sub-20 na Copa América do México, garantindo a vaga para o Mundial da Rússia. Hoje, Franciele treina de igual para igual com as mais experientes da equipe adulta e está na briga para ficar entre as 12 que vão para o Chile. Um bom começo para quem não queria praticar esportes na infância.
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O que você está achando dos treinos com a seleção adulta?

O treino é bem forte, num ritmo ao qual eu não estava acostumada, mas me adaptei bem. No início fiquei com vergonha. As jogadoras são mais velhas e bem mais experientes. Ficava com medo de errar, fazer alguma besteira. Com o passar dos dias, eu fui me acostumando, me soltando. A seleção tem um clima ótimo e já estou muito a vontade.

Você sente alguma diferença entre o treinamento do time adulto e da Sub-21?

Nas categorias de base, nós também treinamos na academia e em dois períodos na quadra. A diferença está no técnico. Cada um tem seu próprio estilo, sua maneira de trabalhar. O ritmo na adulta é um pouco mais puxado, as jogadoras são experientes, e por isso exige mais criatividade e malícia.
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Como foi receber a notícia da convocação para a equipe adulta?

Eu já fiquei muito feliz por ser chamada para o Pan-Americano do Rio. Infelizmente, não pude participar da fase de treinamento, porque estava com a seleção Sub-21 no Mundial da Rússia. Eu nem esperava essa convocação para o Pré-Olímpico. Foi uma excelente surpresa. Estou treinando forte, me dedicando para ganhar meu espaço. Espero ter a oportunidade de defender o Brasil também na categoria adulta, ainda mais numa competição de alto nível técnico como o Pré-Olímpico.

E o que podemos esperar do Brasil no torneio?

Os Estados Unidos são considerados os grandes favoritos. Elas têm muito talento individual, mas como grupo somos mais fortes. Nós também temos jogadoras talentosas e estamos treinando juntas há bastante tempo. O time está entrosado, com ritmo de jogo. As americanas têm pouco tempo de treinamento e uma responsabilidade de vencer o Pré-Olímpico bem maior do que a nossa. Acho que podemos surpreender. Nada é impossível.
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Como analisa a participação brasileira no Mundial Sub-21?

Nós poderíamos ter ido mais longe. Foi a primeira participação em mundiais da maioria das atletas e da comissão técnica. Valeu pela experiência internacional que adquirimos e pelo aprendizado. Achei que algumas equipes seriam mais fracas tecnicamente, como Hungria e Suécia, que não têm muita tradição no esporte. Me surpreendi com a força do basquete desses países.

Você foi a cestinha e reboteira do Brasil com 118 pontos e 73 rebotes. Terminou como quatra reboteira e sétima cestinha da competição. Como você vê a sua atuação no Mundial?

Acho que esses números representam a dedicação e o trabalho forte que fizemos na fase de treinamento. O mérito não é só meu, é de todo o time. O grupo estava muito unido e fico feliz pela confiança das minhas companheiras no meu jogo. Alguém tinha que me passar a bola para eu fazer as cestas. O basquete é um esporte coletivo e ninguém faz nada sozinho.
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Conte como começou no basquete.

Eu nunca tive muito interesse por esportes. Os professores de Educação Física do colégio sempre falavam para eu praticar modalidade esportiva, mas nunca quis. Um dia, um técnico apareceu na escola e perguntou quem queria entrar para o time de basquete. Todas as minhas amigas aceitaram o convite e como eu não queria ficar para traz, fui junto. Eu tinha nove anos, me apaixonei pelo basquete e não parei mais. Eu levava a bola comigo e ficava quicando pela casa inteira, o tempo todo. O engraçado é que hoje, de todas as meninas que começaram comigo, eu fui a única que continuei a praticar.

O que a sua família achou de você jogar basquete?

No início, minha mãe não me apoiava muito. Ela achava que esporte era só diversão, não via futuro para mim. Quando surgiu a proposta de ir jogar em Jundiaí, ela não queria deixar eu ir de jeito nenhum. Imagina, filha única sair de casa aos 14 anos. Só depois de muita conversa, ela cedeu. Hoje ela me dá bastante apoio, torce por mim.
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Como é ficar longe da família?

Faz cinco anos que me mudei para Jundiaí. Eu moro numa república com mais 16 meninas. Elas são a minha nova família, minhas irmãs. Nós superamos as dificuldades juntas e dividimos os bons momentos. Sinto saudades da minha mãe. Sempre que posso, vou visitá-la. A gente também acostuma a ficar longe. Quando termina a temporada dos clubes, começa o treinamento com a seleção. Não sobra muito tempo livre.

Atualmente você joga na posição quatro (ala/pivô), mas o técnico Paulo Bassul acha que você tem um grande potencial para atuar com lateral. O que você está achando dessa mudança?

Eu ainda não me estabeleci na posição três (ala), mas estou na expectativa. A mudança é gradativa, estou me adaptando às características dessa função. Confesso que estou um pouco ansiosa para jogar como ala. A característica de driblar e ir para cesta já faz parte do meu estilo, só tenho que melhorar o meu arremesso de três pontos. Eu acho que isso vai acrescentar muito e será bom para a minha carreira.
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E essa história de enterrar?

Começou um tempo atrás, fazendo um trabalho de impulsão. Na época, consegui enterrar com uma bola menor. Eu sempre brincava depois dos treinos. Quando cheguei na seleção e vi que a Ísis também “treina” para enterrar, ganhei um incentivo a mais. O César Gudetti, assistente técnico, nos ajuda bastante.

O que você gosta de fazer quando não está na quadra?

Eu não tenho muito tempo livre, estou sempre na rotina de treinos. Gosto de assistir a filmes, principalmente comédias e romances, às vezes terror. Adoro falar ao telefone, fico horas conversando. Também gosto de comer, sou viciada em nutela. Só não gosto de queijo.