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24/08/2007 - Cláudia Maria das Neves

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A armadora Claudia Maria das Neves está de volta à seleção brasileira após cinco anos. Claudinha é a atleta mais experiente do grupo dirigido pelo técnico Paulo Bassul, que se prepara para disputar o Torneio Pré-Olímpico das Américas de Valdívia, que será realizado de 26 a 30 de setembro. A última competição de Claudinha com a camisa verde-amarela foi o Mundial da China, em 2002. A armadora, de 32 anos, espera ajudar o Brasil a carimbar o passaporte para os Jogos Olímpicos de Pequim, no ano que vem. Estar numa Olimpíada não é novidade para a atleta, medalha de Bronze em Sydney, em 2000. Nos quase dez anos em que defendeu o Brasil, Claudinha conquistou vários títulos como Campeã sul-americana juvenil (Chile/1992), campeã da Copa América Juvenil (México/1992), tricampeã sul-americana adulta (Bolívia/1993, Chile/1997 e Brasil/1999), bicampeã da Copa América Adulta (Brasil 1997 e 2001), medalha de prata no Pré-Olímpico de Havana (1999), além do 4º lugar no Mundial da China (2002).
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Como vê sua volta para a seleção?

Estou muito contente e animada com o meu retorno à seleção. Já estou adaptada ao novo grupo e treinando em ritmo forte rumo ao Pré-Olímpico. Espero poder contribuir com o time para conquistar o grande objetivo desta temporada, que é a vaga para a Olimpíada de Pequim.

Esses cinco anos que você ficou afastada, as jogadoras da seleção mudaram bastante. O que você acha desse novo grupo?

Muito talentoso. É um grupo jovem, mas que não é tão verde quanto se imagina. Apesar de novas, a grande maioria tem experiência internacional, adquirida na seleção e em clubes fora do país. É um time forte fisicamente e com muita explosão. Agora é trabalhar para alcançar o máximo de conjunto e entrosamento rumo às competições.
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Quais são suas características de jogo?

Com 32 anos e mais madura, estou bem mais calma do que nas minhas passagens anteriores pela seleção. Estou mais tranqüila e menos ansiosa, o que se reflete em quadra e é muito importante para desempenhar bem a função de armadora. Sei que preciso ter a cabeça no lugar, organizar as jogadas, tranqüilizar o grupo em determinada situação de jogo. Mas sei também sacudir o time quando for necessário. Uma boa armadora tem que saber fazer isso para ajudar sua equipe.

Você passou pela WNBA e por times na Espanha e na França. Fale um pouco dessa experiência de jogar no exterior.

Foi maravilhoso tanto no lado profissional quanto no pessoal. Aprendi filosofias de jogo diferentes em cada clube que passei, conheci técnicos e jogadoras talentosos que ajudaram a desenvolver meu basquete. Pessoalmente, tem sido enriquecedor viver em outro país e aprender outro idioma. Você enriquece culturalmente e conhece pessoas e lugares interessantíssimos.

Você joga há muito tempo na França. Defendeu o Lattes Maurin Montpellier e agora vai defender o Clermont Ferrand. Como é a sua relação com esse país?

Fantástica. Defendi o Montpellier por quatro temporadas e fui muito bem recebida na cidade. Aprendi rápido o idioma, o que facilitou muito a adaptação. Outro dia fui voltei a Montpellier para assistir a um jogo do Campeonato Francês e fui aplaudida de pé no ginásio. Realmente, eu e a França temos um relacionamento que deu meu muito certo. Tanto que estou voltando depois do Pré-Olímpico, só que agora em outra cidade, Clermont, mas no centro da França.

O que é bom e ruim na França?

Montpellier, onde fiquei quatro anos, fica no litoral francês e é uma cidade linda, e o povo de lá é bem simpático. O maior problema é o frio. Morava em frente a uma praia belíssima, mas sem calor. Outro fator que brasileiro estranha na França é que lá tudo fecha muito cedo, restaurante, loja, bar.

Do que mais sente do Brasil?

Além da família, a comida. A comida francesa é boa, mas vem sempre tão pouquinho. Nós, brasileiros estamos acostumados com prato cheio. Com isso, ainda não me acostumei não.
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Estamos na expectativa da chegada da Olimpíada de Pequim 2008 e você é uma atleta que já ganhou uma medalha olímpica, o bronze em Sydney/2000. Como é para o atleta participar dos Jogos Olímpicos e ainda voltar com uma medalha?

É a sensação mais fantástica do mundo para uma atleta. A conquista da medalha de bronze em Sydney foi o momento mais inesquecível da minha vida. Estar em uma Olimpíada já um sonho realizado, pois é uma festa lindíssima. Agora, a emoção de subir ao pódio e receber uma medalha e indescritível. Espero que essa geração experimente esse momento que eu tive o privilégio de viver. Acho que esse grupo tem todas as chances para isso.

Qual a expectativa para o Pré-Olímpico?

Vamos para o Chile com o objetivo de conquistar a vaga olímpica. Será muito difícil, mas estamos trabalhando para isso. Os adversários mais complicados são Cuba e Estados Unidos. As americanas mostram uma certa superioridade, comprovada nos últimos resultados, mas não estão com o passaporte carimbado. Vão disputar a vaga como a gente. Estamos treinando com dedicação para garantir logo a nossa ida a Pequim.

O que está achando dos treinos?

Estão ótimos, em ritmo bastante forte, mas no começo é assim mesmo, por conta do intenso trabalho físico. Taticamente, o técnico Paulinho Bassul está montando uma equipe aguerrida, com uma defesa agressiva e velocidade no contra-ataque.