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19/06/2007 - Janeth Arcain

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Janeth Arcain, o maior nome do basquete feminino brasileiro na atualidade, está se despedindo das quadras. O adeus da estrela está marcado para a última partida dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Janeth estreou na seleção juvenil aos 17 anos, em 1986. De lá para cá, traçou uma trajetória de vitórias e de muita dedicação ao basquete. Foram 21 anos de conquistas, incluindo um campeonato Mundial (Austrália/1994), duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta/1996 e bronze em Sydney/2000), além da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Havana (1991). Agora, Janeth passa toda sua experiência para as atletas mais novas, que terão a responsabilidade de substituí-la. A dedicação ao esporte que a consagrou não acabará com o fim de sua carreira como atleta. Há cinco anos, a ala fundou, em Santo André, o Centro de Formação Esportiva Janeth Arcain, que atende a 450 crianças e jovens entre 7 e 15 anos. A aposentadoria das quadras dará a Janeth mais tempo para se dedicar ao seu trabalho social. Para a jogadora, o Centro foi a forma que encontrou de retribuir tudo que o basquete lhe proporcionou.
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Como foi a decisão de encerrar a carreira?

Difícil, mas necessária. Esse dia chegaria em algum momento e decidi aproveitar o Pan-Americano para me despedir. Por isso, desisti de jogar a nova temporada na WNBA para poder encerrar minha carreira junto ao meu público, minha família e amigos.

Já pensou como será na hora exata da despedida?

Evito ao máximo pensar nisso para não me emocionar demais antes da hora. Só sei que será uma honra imensa me despedir em um evento tão importante para o esporte brasileiro.
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Como você está se preparando para o adeus as quadras?

Estou trabalhando forte para jogar o meu melhor basquete e presentear o povo brasileiro que sempre me apoiou por todos esses anos. Vou curtir com emoção e alegria até o último momento em quadra defendendo as cores do Brasil. O basquete me trouxe muita felicidade e espero retribuir tudo que recebi fazendo sempre um bom trabalho jogando com garra e determinação rumo às vitórias.

O que acha da geração que está te substituindo na Seleção Brasileira?

É um grupo talentoso e determinado, que vem mostrando seu potencial gradativamente, conquistando mais confiança e responsabilidade a cada competição. Acho que essa geração tem todas as condições de manter o Brasil na elite do basquete feminino internacional.

O que mudou da Janeth que estreou na Seleção Juvenil em 1986 até hoje?

Naquela época, eu era uma jovem de 17 anos que só pensava em jogar basquete e havia conseguido sua primeira chance na seleção, o que já era a conquista de um grande objetivo da minha vida. Nesses 21 anos, fui realizando todos os meus sonhos aos poucos, com muita luta e treinamento. Cada competição foi me dando mais experiência, dentro e fora de quadra. Evoluí bastante tecnicamente e fui ganhando confiança no meu jogo. Hoje, sou uma atleta realizada, que colheu os frutos de um trabalho árduo, porém gratificante.

O que você aprendeu nesses 21 anos?

O esporte traz várias e importantes lições para todos. Pessoalmente, o que mais aprendi com a vida de atleta foi equilibrar razão e emoção. Esse balanço é fundamental para a prática esportiva e também é muito útil na vida pessoal. Outro ensinamento importante é respeitar os seus limites e o dos outros. Além disso, o basquete me deu amigos para o resto da vida.
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Quais os planos da Janeth após a aposentadoria?

Terei mais tempo para me dedicar à vida pessoal, sem os desgastes das viagens e concentrações. Vou poder curtir mais minha família, meus amigos e cuidar mais diretamente do meu Centro de Formação.

Fale um pouco sobre esse projeto, o Centro de Formação Esportiva Janeth Arcain.

É o meu grande orgulho. O Centro, que tem cinco anos de existência, atende a 450 crianças de 7 a 15 anos. Por meio da prática do basquete, visamos a integração da criança e do jovem junto à sociedade, contribuindo para melhorar a qualidade de vida delas. O projeto visa não só ensinar a prática esportiva, mas desenvolver o amor e o respeito ao esporte. Acompanhamos o boletim escolar dos alunos e já temos grupos de estudo que ajudam a quem está com dificuldades na escola. Esse trabalho é a minha forma de retribuir à nação que me deu a oportunidade de sonhar, acreditar e vencer.
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Você passa uma tranqüilidade incrível. É sempre assim?

As minhas companheiras sempre dizem que sou calma demais. Acho que é bom ser assim. Preciso ter sempre calma e cultivar pensamentos positivos, facilitando a minha convivência com os outros e com o meu trabalho. Em quadra, essa calma é fundamental para manter o equilíbrio emocional nos momentos decisivos da partida.

Destaque três momentos marcantes de sua vitoriosa trajetória.

Tenho inúmeras passagens marcantes na carreira, mas com certeza títulos e medalhas são realmente inesquecíveis. Citaria a medalha de prata na Olimpíada de Atlanta em 1996, o ouro no Pan-Americano de Havana, em 1991, e os quatro títulos da WNBA, pelo Houston.

Quais as chances do Brasil no Pan do Rio?

Temos tudo a nosso favor para vencer o Pan-americano. Contamos com ótimas atletas e jogamos em casa, com o apoio da maravilhosa torcida brasileira. Queremos a medalha de ouro, claro. Não será fácil, pois é uma competição de alto nível, em que todas as outras equipes querem nos superar e vencer.