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22/05/2007 - Rogério Klafke

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Aos 36 anos, Rogério Klafke, ala do Unimed/Franca, entrou para a história do Campeonato Nacional, se tornando o principal cestinha da competição, com 9.133 pontos em 510 partidas. A marca anterior pertencia ao ala Oscar Schmidt, com 9.096 pontos em 258 jogos. Rogério quebrou O recorde ao anotar 36 pontos contra o Saldanha da Gama, no dia 16 de maio, em partida válida pela 25ª semana do Nacional. Em 18 participações no Campeonato, Rogério foi campeão cinco vezes (Franca – 1997/1998, Vasco da Gama – 2000/2001 e Uberlândia – 2004). Tantas histórias e conquistas fazem de Rogério o atleta mais experiente desta edição do Nacional. Aos 36 anos, o jogador exibe um invejável condicionamento físico e mostra muita regularidade em quadra. Mesmo com 20 anos de estrada, parar ainda não faz parte dos planos desse gaúcho, que afirma que permanecerá jogando até a motivação acabar. Os bons números e a alegria que exibe em quadra, mostram que esse dia não vai chegar tão cedo.

Você é o novo cestinha da história do Campeonato Nacional, com 9.133 pontos. O que significa para você essa marca?

Fico muito orgulhoso em fazer parte da história do Nacional. Meu objetivo maior é sempre ajudar a minha equipe. Eu vejo esse recorde como fruto de todo trabalho, treinamento e dedicação que tenho pelo basquete por todos esse anos.
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Como analisa o desempenho do Franca na competição?

Estamos enfrentando uma incrível maratona. Disputamos três competições ao mesmo tempo (Nacional, Paulista e Liga Sul-Americana) e voltamos ao Campeonato Nacional em ritmo frenético. Estamos nos superando e nos mantendo entre os primeiros colocados. Vamos lutar até o fim para continuar assim, pois sabemos da importância do mando de quadra em um playoff. Aqui em Franca trabalhamos duro para ultrapassar todos os obstáculos, temos perseverança e muito amor ao basquete, por isso enfrentamos essas dificuldades sem medo.

Quais os favoritos para levar o título do Campeonato Nacional deste ano?

A competição está muito equilibrada e várias equipes têm condições de conquistar o título. O Universo/DF está se destacando com uma campanha invicta, mas playoff é outro campeonato e tudo pode acontecer. Além do time brasilense, outros clubes são favoritos, como Franca, Uberlândia, Rio Claro, Paulistano, Minas Tênis.
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Você é o mais experiente jogador de Franca. Como é sua relação com os companheiros mais jovens?

Muito boa. Acho que a função do atleta mais experiente é ser amigo dos mais novos e construir um relacionamento de igual para igual com todos. Eu procuro fazer isso, ser amigo e trocar experiências, pois todos nós temos o que ensinar e o que aprender com o outro.

Você participou de 18 das 19 edições do Nacional. O que você aprendeu nesses quase 20 anos de história?

A cada ano ganho mais experiência e conheço mais gente com quem posso descobrir coisas novas, que me fazem melhorar como atleta. Aprendi que, para ser campeão nacional, um time precisa de muito treino, concentração e ter atenção redobrada nas partidas fora de casa. Vencer na quadra do adversário é peça importante rumo ao título.
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Fale um pouco sobre sua trajetória no Campeonato Nacional.

Defendi sete clubes em 18 anos de competição e fui muito feliz em todos eles. Comecei no Sul, no Sogipa, e fui para o Monte Líbano. Depois fiquei dois anos em Jales, interior de São Paulo, onde aprendi demais com feras como Maury e o técnico Flor Melendez. Em 94, cheguei ao Franca, clube em que conquistei dois títulos nacionais e evolui demais como atleta. Conquistei mais três títulos: dois pelo Vasco da Gama (2000/2001) e um pelo Uberlândia (2004). No Vasco, conheci a emoção da torcida de futebol e jogar no Maracanãzinho lotado. Em Uberlândia, vi um grande projeto ser solidificado, que se mantém até hoje. Tive a felicidade de fazer amigos e ser bem recebido em todos os clubes e cidades em que joguei.

E Franca, ocupa um espaço especial em sua carreira?

Franca é realmente um lugar diferenciado. Aqui o mais impressionante é que, além de gostar, o público conhece profundamente o esporte. Os torcedores entendem bem as regras e conversam conosco até sobre sistemas táticos. Eles dão uma força enorme ao atleta, e cobram também, mas sempre pensando no sucesso do time. O basquete é a paixão absoluta do povo francano, da criança ao idoso.
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Você foi campeão do Nacional cinco vezes. Qual o título mais marcante? Por quê?

Todos foram muito importantes mas, sem dúvida, o primeiro é o mais inesquecível do todos. Foi em 97, pelo Franca. Vínhamos de um vice-campeonato e dois quartos lugares nas edições anteriores. Estava louco para vencer. Quando o título veio, foi a aquela festa. A final foi contra o excelente time de Santa Cruz do Sul (RS). A rivalidade era grande e foi uma decisão muito difícil e disputada.

Qual a importância da família na sua carreira?

Minha família é a minha maior motivação, é a coisa mais importante da minha vida. Eles me dão todo o apoio que eu preciso, nos bons e nos maus momentos. Minha esposa Letícia tem sido uma super companheira nos dez anos que estamos juntos. Meus filhos Lauren e Eduardo são as maiores alegrias da minha vida. A família é a base de tudo para mim. Tudo que faço é pensando nela.
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E o que mudou na sua vida com a paternidade?

Tudo. A gente pensa de um jeito quando é solteiro, muda quando casa e se transforma de novo quando chegam os filhos. Lauren e Eduardo me trouxeram ainda mais incentivo para ser uma pessoa melhor. Quando somos pais, temos que dar exemplo e vivenciar coisas boas para eles. Além disso, você aprende coisas novas convivendo com crianças. É maravilhoso.

Qual o segredo da boa forma aos 36 anos?

O principal é estar bem de cabeça. É manter a mente focada em evoluir sempre, sem se acomodar. Cheguei aos 36 anos em boa forma e, principalmente, jogando com regularidade e sendo útil à minha equipe, o que é o mais importante. Isso fruto de um trabalho de longo tempo e de muito cuidado com a minha saúde e minha vida. Tenho uma alimentação equilibrada, descanso bastante e sou disciplinado com a malhação, para manter meu condicionamento físico.
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Quais foram os momentos mais marcantes para você na seleção brasileira?

Foram dois. A participação nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Estar em uma Olimpíada é a realização do sonho de qualquer atleta. Outra conquista inesquecível foi a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999. Estávamos desacreditados depois da perda da vaga olímpica, mas conseguimos dar a volta por cima e vencer a competição.

Como é sua relação com os técnicos com quem trabalhou?

Sempre tive um excelente relacionamento com todos os técnicos que trabalhei. Conheci vários estilos de treinamento, táticas e pontos de vista. Tenho que agradecer a cada um deles por tudo que me ensinaram. Pelo longo tempo trabalhando juntos, o Hélio Rubens é um técnico muito especial para a minha carreira. São 13 anos de trabalho e amizade. Ele é um profissional espetacular, motivador e inteligente. Não deixa a equipe se acomodar nunca. Está sempre trabalhando para evoluir.
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Você pensa em jogar por mais quanto tempo?

Vou parar quando acabar minha motivação. Vivi toda minha vida em função do esporte, sempre com muita alegria pois gosto demais de jogar, de estar em uma quadra de basquete. Encerrar a carreira ainda não passa pela minha cabeça, pelo menos por enquanto.

Você já pensou no que vai fazer quando parar de jogar?

Na verdade, ainda não pensei em nada específico. Continuo vivendo pelo prazer de ser atleta. Gostaria de voltar a Faculdade, mas não faço planos. Tentei cursar Ciências da Computação, mas foi impossível conciliar as duas coisas. Penso também em estudar Administração, mas não tenho nada definido.