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19/04/2007 - José Carlos Vidal

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O técnico José Carlos Vidal tem motivos de sobra para comemorar. Aos 44 anos, dirige o Universo/BRB, a sensação do Campeonato Nacional Masculino 2006/2007. A equipe brasiliense é líder invicta do torneio com 100 % de aproveitamento (18 vitórias). Esta marca fez do time de Brasília o novo recordista de vitórias consecutivas da história da competição. Mas tantos triunfos não deslumbram o treinador, que mantém os seus pés no chão, seguindo em ritmo forte de trabalho para aperfeiçoar seu elenco rumo aos playoffs. Carioca de nascimento, Vidal foi para Brasília com quatro anos de idade e lá construiu sua carreira de técnico, tendo dirigido clubes como AABB, Unidade Vizinhança e Gama. Em 2004, chegou ao Universo/BRB como assistente e assumiu a função de técnico dois anos depois. Formado em Educação Física e especialista em basquete pela Universidade de São Paulo (USP), Vidal se define como um técnico democrático, que incentiva seus jogadores a evoluir sempre.

Qual o segredo da ótima campanha do Universo/DF no Nacional?

O sucesso da equipe se deve principalmente ao excelente elenco. Os jogadores são experientes e talentosos, tecnicamente capacitados em todos os fundamentos. Eles colocam em prática muito bem a nossa filosofia de jogo, baseada na defesa forte individual e na transição com velocidade.
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Quais são as suas expectativas para os playoffs?

Com certeza será uma etapa ainda mais difícil. Ainda não penso muito nisso. Estamos focados em cumprir o nosso primeiro objetivo, que é a classificação em primeiro lugar, para garantir o mando de quadra. O que estamos fazendo já pensando na próxima fase, é o trabalho de preparação física. Nos playoffs teremos uma freqüência maior de jogos, o que será bem mais desgastante, e temos que garantir a evolução dos atletas nesse setor.

Quais os favoritos ao título do Nacional?

Teoricamente, são os times que ocupam as primeiras posições na tabela: Universo/DF, Paulistano, Uberlândia e Franca. Mas surpresas sempre podem acontecer nos playoffs. O Campeonato está equilibrado, onde times considerados pequenos venceram importantes partidas contra favoritos e fora de casa. Ou seja, não dá para fazer muitas previsões.
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Como é a relação da cidade de Brasília com o basquete?

Muito boa. A vinda da equipe do Universo, além dos bons resultados obtidos, estimularam a divulgação do basquete na cidade e o público, que lota o ginásio apoiando o time. O torcedor nos reconhece nas ruas e isso é ótimo. O fato da comissão técnica ser toda da cidade também é um incentivo a mais, pois conhecemos muita gente, que vem aos jogos apoiar o nosso trabalho.

Como se tornou técnico de basquete?

Eu fui jogador e sempre estive ligado à Educação Física. Fui para São Paulo me especializar em treinamento esportivo de basquete e ser técnico foi um caminho natural. Faço isso há 16 anos e trabalhei em diversos clubes de Brasília, desde categorias de base até as equipes adultas.

Quais as características de um bom técnico?

Basicamente, um técnico precisa desenvolver bem dois fatores. O primeiro é o conhecimento técnico e tático do jogo. O outro é cultivar sempre o bom relacionamento com os atletas, mantendo o grupo unido. Temos que ser claros e transparentes, definindo a função de cada um no grupo.
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E como você é como treinador?

Procuro ter as características que citei, mantendo sempre um diálogo com a equipe. Sou um treinador de temperamento calmo, democrático e motivador. O técnico tem que trabalhar de acordo com as características do grupo que tem nas mãos. Para dirigir o atual elenco do Universo, tive que me adaptar com uma realidade nova, pois nunca havia trabalhado com tantos atletas experientes e consagrados. Aqui damos ênfase em aperfeiçoar o domínio cognitivo dos jogadores, para que evoluam na leitura do jogo, na tomada de decisão em quadra.

Quem são os técnicos de basquete que você mais admira?

O Laurindo Miúra, aqui de Brasília, sempre foi um incentivo e um exemplo para mim. Admiro também o excelente trabalho realizado pelo Hélio Rubens há tantos anos. Internacionalmente, gosto do estilo do Mike D’Antoni, técnico do Phoenix Suns. Busco aprender com esses profissionais informações técnicas e táticas importantes para a evolução do meu trabalho.
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Como analisa o sucesso dos jogadores brasileiros na NBA e na Europa?

Essa geração é muito boa, além de jovem, o que garante uns dois ciclos olímpicos na seleção brasileira. Atuar no exterior é um caminho natural para os jogadores de alto nível. A evolução de atletas como Nenê, Anderson, Leandrinho e Tiago Splitter é impressionantes e a tendência é melhorar ainda mais.

Quais as suas expectativas para o Pan-Americano e o Pré-Olímpico?

O Pré-Olimpico é um torneio muito difícil, mas eu acredito no Brasil. A seleção conta com grandes talentos e pode montar uma equipe bastante competitiva. Já o Pan é um pouco mais fácil e é grande a possibilidade do Brasil ser tricampeão no Rio de Janeiro.