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10/04/2007 - Delcy Ellender Marques

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O atletismo foi o primeiro esporte praticado por Delcy Marques, mas foi no basquete que essa paranaense de 67 anos fez história. A ex-ala da seleção brasileira relembra com orgulho dos quase vinte anos em que defendeu a camisa verde-amarela. Momentos gloriosos não faltam na carreira desta ex-atleta. Em cinco participações em Jogos Pan-Americanos, Delcy conquistou quatro medalhas, sendo duas de ouro (Winnipeg/1967 e Cali/1971) e duas de prata (Chicago/1959 e São Paulo/1963), além do quarto lugar na Cidade do México, em 1975. Mas a sua maior lembrança é a conquista da medalha de bronze no Mundial do Brasil, em 1971. Delcy soma ainda seis títulos sul-americanos (Peru/1958, Brasil/1965, Colômbia/1967, Chile/1968, Peru/1972 e Bolívia/1974). Professora de Educação Física, Delcy voltou às origens e atualmente dá aulas de atletismo para crianças.

Como surgiu o basquete em sua vida?

Comecei aos 13 anos, em Curitiba, onde nasci. Lá joguei no Círculo Militar e no Clube Curitibano. Em 1958, disputei meu primeiro Campeonato Brasileiro pelo time de Piracicaba. Depois fiquei três anos e meio no Rio de Janeiro, defendendo o Flamengo. Passei os últimos treze anos da minha carreira em São Caetano do Sul.
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Quais são as suas melhores lembranças dessa época?

As viagens da seleção brasileira e o ótimo clima entre as jogadoras e a comissão técnica. Um momento inesquecível para mim foi a excursão à Europa, quando fizemos 15 partidas e perdemos apenas três. Foi nessa viagem que jogamos na Espanha contra a Tchecoslováquia. Foi esse jogo que incentivou os dirigentes a incluir o basquete feminino nos Jogos Olímpicos, o que aconteceu em 1976, em Montreal.

Como era o ambiente na seleção?

Super alegre. Formávamos uma verdadeira família. Foi uma geração que ficou muito tempo junta, dentro e fora de quadra. A maioria das atletas da seleção atuava no mesmo clube, ou perto e estudávamos na mesma faculdade. Então, as viagens eram maravilhosas. Parecíamos crianças, brincávamos até de roda. Uma ajudava a outra, na quadra e nos estudos. Mas, apesar de todo divertimento, éramos todas muito disciplinadas, por isso conseguíamos jogar bem e trazer bons resultados para o basquete brasileiro.
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E vocês são amigas até hoje?

Sim. Sempre que possível, nos encontramos para matar as saudades e conversar. A Elzinha (Elza Pacheco, ex-armadora da seleção) é a responsável por promover esses encontros. Ela é o nosso banco de dados. Além disso, estamos nos vendo mais por conta da exposição “Mulheres de Bronze”, promovida pelo SESC, que passa por diversas cidades de São Paulo. É uma linda homenagem pela conquista da medalha de bronze no Mundial do Brasil, em 1971.

Fale um pouco sobre essa conquista.

Foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Me lembro quando chegamos um dia ao hotel e fomos recebidas por todos os funcionários, que nos aplaudiam. Acordávamos com os corredores cheio de flores de fãs. Era uma emoção só. O Ibirapuera ficou lotado e ainda tinha uma multidão do lado de fora gritando “Brasil, Brasil”. Não estávamos acostumadas a tanto assédio, mas foi maravilhoso. O melhor de tudo foi que essa medalha incentivou muitas crianças e jovens a praticar basquete. As escolinhas ficaram cheias e trouxe uma renovação importante de atletas nos clubes.
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E como foi a conquista do bicampeonato Pan-americano?

Sensacional. Depois de duas medalhas de prata (Chicago/1959 e São Paulo/1963), conseguimos chegar ao lugar mais alto do pódio por duas vezes seguidas (1967 e 1971). Foi a consagração de um excelente trabalho, feito com determinação e planejamento.

O Brasil sediou o Mundial Feminino 2006. Você acompanhou a competição?

Claro. Conseguimos reunir toda a velha guarda no Ibirapuera e foi uma festa só. Revivemos a emoção de estar no Ibirapuera lotado e colocamos a fofoca em dia. Quanto à seleção, acho que o quarto lugar foi um bom resultado. Temos atletas muito talentosas que representaram o País com muita garra.

O que faz atualmente?

Ainda trabalho com esporte, dando aula de atletismo para crianças. Aliás, a corrida foi o primeiro esporte que pratiquei e por conta disso tive a chance de conviver com uma das grandes esportistas brasileiras, Aida dos Santos.