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20/03/2007 - Elza Arnellas Pacheco

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Aos 59 anos, Elza Arnellas Pacheco, a Elzinha, lembra com carinho do seu tempo de seleção brasileira. Naquela época, as jogadoras formavam uma verdadeira família, em que compartilhavam experiência nos clubes, seleção brasileira, na Faculdade e nas escolas onde lecionavam Educação Física. A vida de atleta rendeu a Elzinha um grande aprendizado e valiosas amizades que duram até hoje. A geração de Elza, Norminha, Maria Helena, Heleninha, entre outras, se reúne sempre que possível para matarem a saudade e relembrar bons momentos e conquistas desse grupo vencedor do basquete feminino brasileiro. Junto com suas companheiras de quadra, Elza foi bicampeã pan-americana (Cáli/1967 e Winnipeg/1971), medalha de bronze no Mundial do Brasil (1971) e pentacampeã sul-americana (Colômbia 1967, Chile/1968, Equador/1970, Peru/1972 e Bolívia/1974). Hoje, a ex-armadora se dedica à Educação, atividade que sempre praticou, desde o tempo de atleta. Após três décadas lecionando e dirigindo uma Escola em Santo André, Elza trabalha hoje como consultora e palestrante.
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Como era a rotina de atleta na sua época?

Acordava às cinco da manhã, pois fazia faculdade de Educação Física em Santos, junto com outras atletas de Santo André e São Caetano. Depois ia trabalhar e de tarde treinava por duas horas. Quando jogava em Piracicaba, chegava no ginásio duas horas antes para praticar com a Heleninha. Foi ela que me ensinou tudo sobre a função de armadora.

Era muito desgastante?

Nem tanto. Tínhamos uma vida simples e nos cuidávamos muito, dormindo cedo e nos alimentando bem. Por isso não sentíamos tanto o desgaste físico. Além disso, o clima era tão alegre que só fazia bem. Éramos todas amigas, independente do clube. Representávamos times diferentes, mas fazíamos muitas coisas juntas, como ir a faculdade, pois só em Santos havia curso de Educação Física. Íamos todas juntas, de Kombi ou ônibus. Tudo isso nos fez muito unidas.
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E vocês se encontram até hoje?

Sim. Passamos um tempo mais afastadas. Hoje nos vemos com mais freqüência, especialmente por causa da exposição “Mulheres de Bronze”, realizado pelo SESC. Esse evento já rodou algumas cidades de São Paulo e promove o nosso encontro. No Mundial do Brasil, no ano passado, conseguimos reunir quase todo mundo no Ibirapuera. Foi maravilhoso.
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Como foi jogar um Mundial no Brasil?

Maravilhoso. Não tínhamos a menor idéia da repercussão que teria um evento como esse em São Paulo. No primeiro jogo, ficamos impressionadas com a multidão gritando “Brasil, Brasil”. Foi uma grande emoção, que fez aumentar ainda mais a nossa alegria de defender a seleção. O Ibirapuera lotava todos os dias e uma multidão assistia do lado de fora. Foi inesquecível. A conquista da medalha de bronze foi um incentivo para novos praticantes de basquete no país. A minha cidade natal, Paraguaçu, me homenageou na época colocando o nome de “Quadra Elzinha” no ginásio do Centro Esportivo do município.
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E a conquista do bicampeonato pan-americano (1967 e 1971)?

As duas medalhas de ouro aconteceram em circunstâncias distintas. Em 1967, em Cáli, a delegação brasileira estava um pouco desacreditada. Não apostavam muito em conquista de medalhas, especialmente de ouro. Mas o basquete superou as expectativas e subiu no lugar mais alto do pódio. Já em Winnipeg, em 1971, fomos defender o nosso título e conseguimos mais uma vez a medalha de ouro. O melhor de tudo foi a seleção masculina também ter sido campeã. Foi a consagração do basquete brasileiro.

O que o basquete trouxe para a sua vida?

O basquete me ensinava uma lição a cada dia. A carreira de atleta não me rendeu muito dinheiro, mas me abriu portas para maravilhosos aprendizados. Com o basquete conheci outros países, pessoas diferentes e interessantes. Enriqueci muito cultural e moralmente. No jogo aprendemos a ganhar, perder e principalmente, a trabalhar em equipe. Fiz parte de uma geração muito amiga, que fez da união o seu ponto forte. São lições que vou levar para a vida toda.

Além de atleta, qual sua formação profissional?

Fiz Faculdade de Educação Física em Santos e de Pedagogia em São Caetano do Sul. Trabalhei por 20 anos como professora na rede estadual e depois dirigi uma escola particular em Santo André por 26 anos. Hoje sou palestrante e consultora em Educação.

Deixe uma mensagem para os iniciantes no basquete.

O basquete é muito parecido com a vida, pois com ele você aprende sobre ganhar, perder, atacar e defender. Temos que jogar com ética e coração para tirar desse nobre esporte todos os ensinamentos que ele nos traz.