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22/02/2007 - Renato Lamas Pinto

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Até a 13ª semana do Campeonato Nacional 2006/2007, o ala Renato Lamas Pinto, do Paulistano/Dix Amico é o jogador mais eficiente do Campeonato Nacional com a média de 23.1 pontos em onze jogos. O atleta aparece ainda como terceiro cestinha da competição com média de 20.2 (222 no total), décimo nos rebotes com 6.5 (71) e 12º nas assistências com 3.5 (39). Com a camisa verde-e-amarela, Renato foi campeão sul-americano (2003) e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo (2003). O ala é tetracampeão paulista (2001 a 2004) e campeão do Nacional (2003) pelo COC/Ribeirão Preto, equipe que defendeu por nove anos. Já adaptado à cidade de São Paulo, o pai da pequena Manuella busca seu primeiro título estadual e brasileiro pela equipe do Paulistano. No Campeonato Paulista, o time da capital se prepara para enfrentar o Limeira nas quartas-de-final, enquanto no Nacional, a equipe procura se manter entre as primeiras colocadas.
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Que analise você faz da campanha do Paulistano no Campeonato Nacional até agora? E que times você aponta como favoritos ao título?

Acho que estamos indo bem na competição. Já fizemos onze jogos e só perdemos para o Universo/DF e o Rio Claro. A equipe de Brasília é forte, conta com jogadores experientes e, por isso, não considero essa derrota um tropeço. Foi um resultado normal. Na minha opinião, o Universo/DF e o Franca têm grandes chances de disputar o título. Esses dois times estão um degrau acima dos outros. Paulistano, Rio Claro e Uberlândia vêm correndo por fora, mas também de condições de chegar a final.

Você é o mais eficiente e o terceiro cestinha da competição. O que está achando do seu desempenho?

Ainda é muito cedo para fazer uma análise do meu jogo. Acho que só no final de abril, vou ter uma idéia do meu desempenho. Se até lá eu conseguir me manter como o mais eficiente e permanecer entre os cinco primeiros cestinhas, vai estar bom. Hoje não me destaco só pela pontuação, mas também pelas assistências e recuperações. A gente sempre tenta ser um jogador completo, o duro é conseguir. Estou indo bem neste início de competição. Até agora, estou satisfeito comigo.
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O Paulistano terminou em quinto lugar na fase de classificação do Campeonato Paulista e vai enfrentar Limeira nas quartas-de-final. Qual a expectativa para essa série de jogos?

Limeira é um adversário forte e guerreiro, que luta o tempo todo, e tem a vantagem de jogar três partidas em casa. Nos últimos anos surgiram alguns técnicos novos. O Zanon é um deles. Ele vem fazendo um bom trabalho e o time tem a cara dele. Eles também contam com o armador americano Taylor, que é um jogador de decisão. É uma equipe completa. Tem um bom treinador, bons atletas e o apoio da cidade. Além disso, nós ganhamos deles nas quartas-de-final no ano passado por três a zero. Com certeza, eles vão querer se vingar. Vamos precisar estar muito concentrados em todas as partidas. Nós jogamos bem no nosso ginásio, mas não temos uma torcida como Franca, Rio Claro e o próprio Limeira. O Paulistano é um clube mais social. E jogar em Limeira, no ginásio lotado, com a pressão da torcida adversária, vai ser uma missão difícil. Mas nós temos total condição de vencer e chegar às semifinais. Vai ser um bom duelo.

E como é disputar duas competições ao mesmo tempo?

Pela primeira vez, estamos disputando duas competições simultaneamente, o Paulista e o Brasileiro, e isso está sendo muito gostoso. É bem melhor jogar do que ficar só treinando. As viagens é que são um pouco desgastantes. São dois campeonatos fortes, com equipes de alto nível. Está sendo uma boa temporada.

O Brasil vive a expectativa dos Jogos Pan-Americanos. Você acha que a competição pode trazer benefícios para o esporte brasileiro?

Eu espero que sim. A realização dos Jogos Pan-Americanos no Brasil vai dar mais visibilidade aos esportes no País. E junto com a lei de incentivo, temos tudo para conseguir novos patrocinadores e reerguer o esporte nacional. No basquete, em particular, tivemos algumas equipes que foram desfeitas. O Pan do Rio pode ajudar a trazer novos investidores, fazendo com que esses times voltem e outros apareçam no cenário nacional.
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Você acha que o Brasil tem chances de conquistar o tricampeonato? E a vaga olímpica?

A seleção brasileira tem tudo para conseguir resultados positivos este ano. Eu já vivi a experiência de defender o Brasil e sei que não é nada fácil. Os adversários também querem ganhar, não é só a gente. Sei como é difícil, mas temos sempre que manter o pensamento positivo. Acho que não só temos condições de ganhar a terceira medalha de ouro no Pan, como também podemos garantir o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Como você começou no basquete?

Eu comecei por acaso. Eu jogava futebol de salão no Olímpico, em Belo Horizonte. Do lado da quadra de futebol, ficava a de basquete. Eu sempre fui muito alto e, por isso, o técnico de basquete na época, o Rebello, sempre me chamava para jogar. Naquele tempo eu não gostava nem um pouco de basquete, só queria saber de futebol. Eu gostava muito do treinador e um dia resolvi jogar. O Rebello foi para o Ginástico e como ele também gostava muito de mim, me levou junto. Fiquei praticando os dois esportes durantes uns três anos. Depois escolhi o basquete porque sentia que tinha talento para jogar. Além disso, o Ginástico pagava os meus estudos, o que ajudava bastante meus pais.
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Você jogou durante nove anos em Ribeirão Preto. Como foi a mudança para a capital paulista?

O COC/Ribeirão tinha uma equipe unida e vencedora. Conhecíamos o caminho da vitória. Era um ambiente muito familiar e sabíamos como agregar os novos jogadores. Qualquer problema que eu tinha, sabia para aonde correr. O Carlinhos, fisioterapeuta do time, sempre foi um pai para mim. E também tinha o técnico Lula Ferreira. Sempre podíamos contar com ele. Foi muito difícil deixar Ribeirão Preto depois de tantos anos e ir para uma cidade nova, com pessoas diferentes. No começo foi duro me adaptar, mas com o tempo fui me acostumando. Encontrei ótimas pessoas aqui no Paulistano e, no final, valeu a pena.
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Como é trabalhar com o técnico José Neto?

O Neto faz parte dessa nova geração de técnicos que estão surgindo no cenário nacional. Ele tem ambição e quer buscar o espaço dele. Está fazendo um bom trabalho, quer formar um time vencedor. E ter um técnico ambicioso, que sempre quer um algo a mais, é importante para o grupo. Eu gosto de trabalhar com ele.
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Como é a experiência de ser pai?

Ser pai é muito bom. Foi um momento muito especial na minha vida pessoal e na carreira de atleta. Quando a Manuella nasceu, eu ainda estava em Ribeirão. Logo depois recebi uma proposta muito boa do Paulistano e a Manu me deu forças para decidir. Não tive medo de mudar de cidade. A vida da gente muda completamente. Hoje eu sou mais calmo, mais tranqüilo. Quando é só a gente, não medimos as conseqüências dos nossos atos. Mas quando temos esposa e filhos, a gente já pára para pensar antes de fazer alguma besteira.