Imprensa

19/02/2001 - Aloisio Ferreira

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Descobrir e desenvolver novos valores para o basquete nacional é o grande talento do técnico Lula Ferreira, do COC/Ribeirão Preto e da seleção brasileira juvenil. Talento que vem ajudando a equipe a se transformar na grande surpresa do Nacional Masculino. Líder da competição, com apenas uma derrota em oito jogos, o time de Ribeirão Preto tem na experiência de seu técnico e na juventude de seus jogadores as poderosas armas para o sucesso em quadra.

A equipe do COC lidera com 15 pontos e venceu equipes tradicionais como Franca e Flamengo. Qual a receita para o sucesso?

Acho que não existe receita. O COC acreditou nos jovens talentos e montou o time com um formato diferente da maioria, que contrata jogadores experientes, de seleção brasileira e mais dois estrangeiros. O COC apostou em um trabalho de formação de atletas que vem dando bons frutos. No Campeonato Paulista, costumava dizer aos garotos que jogar basquete eles já sabiam, mas faltava aprender a ganhar jogo. E isso está acontecendo aos poucos. A postura deles em jogos importantes contra Franca e Flamengo mostra isso. Mas não podemos nos entusiasmar demais, pois será normal apresentar oscilações.
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Quais os destaques da equipe do COC?

O grande destaque é o conjunto, é um grupo muito coeso que trabalha em equipe. Estatisticamente, Renato e Alex vêm se destacando na competição. O Juliano foi um excelente reforço, é um jogador mais experiente, que ajuda a desenvolver a estabilidade do grupo. Vale lembrar que os destaques não estão presentes apenas na quadra. O sucesso do time também tem que ser creditado à comissão técnica, formada pelo assistente Tom Zé, o preparador físico João Borin e o fisioterapeuta Carlos, que ajudam a mim e aos jogadores a fazerem o melhor trabalho possível.

Quais são as qualidades e os defeitos do COC/Ribeirão Preto?

A grande qualidade da equipe é o conjunto. A pontuação é bem distribuída entre os atletas e a nossa filosofia é que a bola é de todos e as tarefas e a responsabilidade em quadra têm que ser divididas pelo grupo inteiro. O nosso ponto fraco é que ainda cometemos muitas violações e perdemos muitas bolas, fruto da precipitação de jogadas. O grande entusiasmo de uma equipe jovem é muito bom, mas traz esse problemas de afobação e instabilidade. Mas já estamos evoluindo. Em relação à campanha no Paulista, por exemplo, o grupo se mostra mais maduro.
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Qual sua análise do Campeonato Nacional até agora?

O primeiro aspecto positivo dessa temporada é que a competição está saindo do eixo Rio-São Paulo e ganhando uma cara mais nacional. A entrada do time de Goiás e o trabalho sério desenvolvido em Uberlândia e Londrina mostram isso. Outro ponto positivo é o equilíbrio entre as equipes. Os jogos estão emocionantes e os clubes se superando para realizar grandes partidas e ganharem seus pontos na tabela.

O que esperar da seleção brasileira adulta em relação ao Sul-Americano e a Copa América?

Devemos começar a colher alguns frutos do forte trabalho de base que vem sendo desenvolvido pela comissão técnica das seleções brasileiras de todas as categorias. Estamos iniciando um ciclo olímpico, com as competições classificatórias para o Mundial, que não serão fáceis. Acho que temos chances de fazer uma boa temporada e solidificar ainda mais o trabalho.
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Como você define o técnico Lula?

Sou um profissional que sabe que as estrelas do time são os jogadores e só tenho que ajudá-los a desenvolver seu potencial. Eu costumo dizer aos meus atletas o seguinte: “A tarefa do técnico é dificultar ao máximo a vida dos jogadores nos treinos para poder ajudá-los durante as partidas”. E eu sou assim, muito exigente. Nos treinamentos, procuro criar situações que estimulem o desenvolvimento técnico, tático e emocional do time, para prepará-lo para qualquer coisa. Agora, na quadra, a hora é de cooperar, conversar, para que consigam praticar o que treinamos.