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16/01/2007 - José Roberto Nardi Duarte

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Aos 18 anos, José Roberto Nardi Duarte é um dos nomes da nova geração do basquete brasileiro. Betinho, como é conhecido, ajudou a seleção brasileira a conquistar a medalha de bronze na Copa América Juvenil de 2006, garantindo a vaga no Campeonato Mundial da categoria, que acontece em julho deste ano. O ala/armador de 1,95m acredita numa boa campanha do Brasil na competição e quer estar entre os doze que vão brigar pelas primeiras posições no Mundial. Para isso, Betinho se apresentou no domingo (dia 14), em Rio Claro, para a primeira fase da preparação para o Mundial. Filho de jogadores de basquete, Betinho garante que a carreira no esporte surgiu naturalmente. Hoje, o atleta se divide entre as equipes adulta e juvenil do Limeira e a seleção brasileira.

Fale um pouco da conquista da medalha de bronze na Copa América.

Nós trabalhamos muito, treinamos bastante, fizemos tudo como foi programado. Quando o time tem um padrão, tudo fica bem mais fácil. Nós temos um bom jogo coletivo. Mas foi uma conquista difícil. A Copa América é uma competição curta, que não dá chance para erros. Enfrentamos seleções boas e, felizmente, conseguimos voltar com a medalha de bronze e a vaga para o Mundial.
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O Brasil chegou a estar perdendo para o Uruguai na estréia, jogo que decidia a vaga para o Campeonato Mundial. O que fez a diferença no final para ganhar?

A gente vinha enfrentando essa seleção do Uruguai há três anos consecutivos, desde a categoria cadete, e sempre perdíamos para eles. Nós tínhamos que vencer de qualquer maneira. Além de não querer perder de novo para os uruguaios, a vaga para o Mundial estava em jogo. A gente sabia que não ia ser fácil. Era a nossa estréia na competição e a partida mais importante para nós. Começamos perdendo, mas não desistimos. O time tinha consciência de que podia vencer. Viramos o jogo, ganhamos por cinco pontos de diferença e garantimos o Brasil no Mundial.

Você foi o segundo cestinha do Brasil na competição. Como analisa a sua participação no Campeonato?

Eu tive uma boa participação, mas acho que o desempenho individual de cada um não é muito importante. O que importa mesmo é o jogo coletivo. Quando o grupo trabalha dentro de um padrão, o time consegue evoluir em quadra e alcançar bons resultados.

Quais são as suas características de jogo?

Meu ponto forte é o chute de fora. Eu arremesso bastante da linha de três pontos. E, numa situação de um contra um, eu sempre prefiro a infiltração pelo lado direito. Preciso trabalhar mais a parte defensiva e melhorar o corte pela esquerda. Todo atleta está em constante aprendizado e tem sempre alguma coisa a melhorar.

Você acha que os treinos na seleção influenciam no seu desempenho no clube?

O ritmo na seleção é bastante intenso. A gente aprende muito durante as fases de treinamentos. A Comissão Técnica está sempre dando dicas e nos incentivando a dar o nosso melhor em quadra. A gente sempre acaba levando o que aprende na seleção para os clubes. É inevitável.

O que espera dessa primeira fase de treinamento para o Mundial?

Nesses primeiros dias, nós estamos nos conhecendo. Além daqueles que disputaram a Copa América do ano passado, tem uns jogadores novos e três atletas da seleção cadete. Essa primeira fase é mais para o grupo ganhar entrosamento e aprender as jogadas.
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E quais as chances do Brasil na competição?

O time tem condições de ficar entre os primeiros colocados. É uma tarefa difícil, afinal é um Campeonato Mundial. São as melhores seleções do mundo lutando pelo título. Nós vamos brigar por um lugar entre os quatro primeiro colocados. A preparação vai ser uma peça importante para alcançarmos esse objetivo. Temos um bom time e com a seqüência de treinos, acho que temos condições de fazer uma boa campanha na competição.

Por que escolheu o basquete?

Meu pai e a minha mãe jogavam basquete, não tinha como escapar. Mas aconteceu muito naturalmente, não foi nada forçado. Desde pequeno eu brincava com a bola de basquete. Sempre gostei do esporte. E hoje, estou junto com meu pai no Limeira. Ele é meu técnico na equipe juvenil.

Como é essa relação pai/filho – técnico/jogador?

No início, uns três anos atrás, quando começamos a trabalhar juntos, era complicado distinguir. Às vezes eu achava que ele me cobrava muito porque eu era filho, mas depois vi que não era assim. A cobrança era igual para todo mundo. Agora que faço parte da seleção brasileira, ele me cobra mais um pouco, mas acho normal.

Como foi conciliar os estudos com o esporte?

Foi bastante difícil. A prioridade era sempre os estudos. Minha mãe não deixava eu ir treinar se não estivesse indo bem no colégio. Eu sempre fui um bom aluno, tirava notas boas. Consegui administrar bem as duas coisas.

Pretende fazer faculdade?

Eu comecei a cursar administração, mas não gostei. Saí no meio do curso. Quero fazer algo ligado à informática, como ciência da computação. Educação Física não está nos meus planos, não gosto muito. Não tenho paciência para dar aula.

O que gosta de fazer nas horas de folga?

Nos raros momentos de folga eu gosto de sair com a minha namorada, assistir a um filme em DVD. Também gosto de jogar videogame e ficar com a minha família. Não tenho muito tempo livre, então sempre que posso faço essas coisas.