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22/12/2006 - Murilo Becker da Rosa

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Com 2,11m e 23 anos, o pivô Murilo Becker da Rosa figura entre os melhores pivôs do País. Com a camisa verde-amarela, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo (2003), o Campeonato Sul-Americano da Venezuela (2006) e foi uma peça importante na conquista do título inédito da Copa América da República Dominicana (2005). Pelos clubes, Murilo busca o seu segundo título do Nacional. Campeão pelo Bauru em 2002, o pivô defende o time mais tradicional do basquete brasileiro: o Unimed/Franca. A equipe está em terceiro lugar no Nacional com 100% de aproveitamento (quatro vitórias). Murilo aparece como quinto cestinha da competição com 73 pontos em quatro partidas. Pelo Campeonato Paulista, Franca também faz uma boa campanha, liderando com 33pts (16 vitórias e uma derrota). O pivô é o jogador mais eficiente da competição com média de 21pts em 17 jogos.
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Que análise faz da campanha do Franca no Nacional? Que times você aponta como os favoritos ao título?

Acho que Franca está fazendo uma campanha perfeita. O time está bem entrosado, melhorando a cada partida. Nós fizemos todas as partidas em casa e isso ajuda um pouco também. A competição está bastante equilibrada, as equipes participantes se equivalem. Além de Franca, acho que Brasília, Uberlândia, Paulistano, Minas e Rio Claro são candidatas ao título do Nacional.

E no Paulista?

Estamos na liderança da competição. A última partida de 2006 foi contra Limeira. O jogo foi na casa do adversário e foi bem difícil, mas nós conseguimos a vitória. Jogamos o tempo todo com a cabeça no lugar, concentrados. Acho que isso é prova de que estamos evoluindo.

Quais são os pontos fortes da equipe? E em que precisa melhorar?

Nós não temos um ou dois jogadores que são sempre os cestinhas. A cada jogo alguém se destaca. Nós temos um entrosamento muito bom e isso é acaba sendo um diferencial. Um joga para o outro, sem individualismo. Mas nós ainda temos muito a melhorar. Acho que o time todo está em constante crescimento. Todo dia a gente corrige um detalhe aqui e outro ali. A gente se ajuda sempre dentro e fora da quadra.
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Franca é uma cidade apaixonada pelo basquete. Como é jogar no Pedrocão lotado e como é a relação dos atletas com a cidade e os fãs?

No Brasil, não tem lugar melhor para jogar. Em Franca, nós somos reconhecidos na rua e a torcida nos apóia bastante. Poucos ginásios do país ficam lotados como o Pedrocão. As pessoas têm comparecido em peso aos jogos e ainda estamos na fase de classificação, tanto no Campeonato Nacional como no Paulista. A cidade respira basquete e os torcedores conhecem o esporte e as regras. Eles não estão ali apenas para ver a bola entrar na cesta. Eles comentam as jogadas, as atuações dos jogadores. É até engraçado porque às vezes o jogador adversário comete uma violação e antes mesmo de nós falarmos com o árbitro, a torcida já está reclamando, vaiando. E isso é bom. Mas quando o time não está bem, a gente escuta um pouco. Os fãs cobram mesmo e acho que devem fazer isso mesmo. Afinal, eles ajudam bastante o time, inclusive financeiramente com o programa sócio-torcedor.
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A seleção tem dois grandes desafios na temporada 2007: o Pan-Americano em casa e o Pré-Olímpico nos Estados Unidos. Qual a sua expectativa para as competições?

Acho que nós temos que aproveitar o fato do Pan-Americano ser no nosso País. Não é sempre que jogamos uma competição oficial na nossa casa, com o apoio da torcida. Temos a chance de mostrar que temos talento, garra e determinação. O público brasileiro vai poder ver de perto que somos esforçados e defendemos a camisa verde-amarela com muito orgulho. Vamos buscar a quarta medalha de ouro para o Brasil no Rio e depois vamos brigar pela vaga olímpica em Las Vegas.

Quais as chances do Brasil nos dois torneios?

Nós temos totais condições de ganhar o ouro nos Jogos Pan-Americanos. Acredito muito no potencial dos jogadores que defendem a seleção. O Pré-Olímpico é uma tarefa mais difícil. São dez países disputando apenas duas vagas, com Estados Unidos e Argentina como favoritos. Eu acho até bom nós entrarmos na competição como zebras. No último Pré-Olímpico perdemos para Porto Rico e Canadá nos detalhes e, por isso, todo cuidado é pouco contra qualquer adversário. Nós temos que acreditar em nós mesmos, no nosso talento. Mostrar que estamos melhorando a cada dia. Jogar concentrados, com muita raça. Atropelar quem vier pela frente e garantir o Brasil em Pequim.
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Quais são suas características de jogo?

As pessoas brincam e dizem que eu sou um quatro e meio. Em Franca eu jogo na posição cinco. Quando o Estavam sai do jogo para descansar ou por faltas, eu automaticamente assumo o lugar do pivô embaixo do garrafão. Na seleção, eu atuo como quatro. Nas competições internacionais, jogar de cinco fica muito pesado para mim. Eu, particularmente, gosto de jogar como ala/pivô. Eu sou um jogador bem versátil. Arremesso, corro para o contra-ataque, faço marcação nos laterais. Estou sempre enroscado ali no garrafão. Tento me aprimorar a cada dia que passa, buscando sempre atingir o meu melhor basquete.

Você se inspira em alguém?

Acho que todo mundo se inspira um pouco no Michael Jordan. Ele é um exemplo de atleta. Quando você assiste aos jogos dele, entra na quadra com muito mais vontade.
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Como você vê a sua evolução no basquete?

Antes eu entrava em quadra para descansar os outros jogadores. Agora eu tenho uma boa participação nas partidas. Em 2002, eu era coadjuvante e hoje sou sempre lembrado nas convocações. Fui chamado para integrar a seleção adulta pela primeira vez em 2003 e joguei todas as competições para as quais fui convocado. Na Copa América de 2005, eu mostrei que estava pronto para entrar em quadra a qualquer momento e que estava ali para ajudar o grupo. E conquistamos o título inédito para o Brasil. Todo atleta quer defender o seu país e estou sempre pronto para tudo. Quero jogar o Pan-Americano, o Pré-Olímpico e os Jogos Olímpicos de Pequim.

Tem planos de jogar na Europa?

Eu sempre tenho as portas abertas para todos os clubes, desde que a proposta me agrade. Só não tenho muito interesse em defender um time de terceira divisão. Acho que não seria lembrado nas futuras convocações. Nesse caso, eu prefiro jogar no Brasil. Tudo depende das condições que vão me oferecer. Se forem boas, não vejo porque não ir jogar na Europa.

E na NBA?

Jogar na NBA é o sonho de qualquer jogador de basquete. Eu estive perto de participar do draft uma vez, mas acabei tendo que operar o joelho. A cada dia que passa está mais difícil entrar na Liga Americana. Mas com certeza eu iria para qualquer time. Mesmo que não fosse para jogar. Ia ficar treinando forte, trabalhando para construir meu espaço.