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05/12/2006 - Tayara Maria de Jesus Pesenti

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Tayara Pesenti, da Fac. Maurício de Nassau/ Sport, é um dos destaques do turno do Nacional Feminino. Segunda cestinha da competição, com média de 17.9 (89 no total), Tayara é a jogadora mais experiente do time pernambucano. Em sua segunda temporada no clube, ala, de 24 anos, tem uma tarefa árdua no segundo turno: liderar o time em busca da classificação para as semifinais. A equipe do Recife terminou o turno em 5º lugar, com duas vitórias e três derrotas. Se no clube Tayara tem status de veterana, na seleção, a atleta faz parte da nova safra de talentos do basquete brasileiro. Convocada pela primeira vez para a equipe adulta em 2005, Tayara defendeu o Brasil no vice-campeonato da Copa América/Pré-Mundial da República Dominicana (2005) e da conquista do título Sul-Americano no Paraguai (2006). Agora, a jogadora trabalha para ser lembrada nas futuras convocações e sonha defender a camisa verde-amarela nos Jogos Pan-Americanos do Rio, no ano que vem.

Como analisa o turno do Nacional Feminino?

Começamos mal a competição, que é curta e não dá tempo para as equipes se recuperarem de tropeços inesperados. O nosso time está muito irregular. Eu, particularmente, acho que não estou rendendo nem 70% do que rendi na temporada passada. Sei da minha responsabilidade no grupo, que o time conta comigo e espero melhorar nas próximas partidas.
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E as expectativas para o segundo turno?

Agora é tudo ou nada. Precisamos vencer algumas partidas fora de casa para cumprir a nossa meta e passar para as semifinais. Para isso temos que melhorar a nossa defesa e ter mais concentração durante toda a partida. Estamos entrando um pouco desconcentradas e tendo que correr atrás do prejuízo no fim. É mais difícil. Precisamos melhorar a comunicação e estar mais atentas, como na vitória sobre Catanduva, quando jogamos com garra e coletividade.

Você está na segunda temporada no Sport. Já está adaptada ao Recife?

Este ano estou mais à vontade. Já me sinto em casa, tanto na cidade como no clube. A torcida já me reconhece e valoriza muito o trabalho do basquete no clube. É gratificante passear e ser abordada por fãs que elogiam e prestigiam o meu trabalho.
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Você é a mais experiente do seu clube e a uma das novatas na seleção. Como é isso?

Interessante. No Sport, a equipe conta com a minha experiência e as meninas mais novas pedem ajuda, conselhos, dentro e fora das quadras. Procuro ajudar como posso e tento passar para elas o que venho aprendendo na convivência com as atletas mais experientes da seleção.

Qual o seu ídolo no esporte?

Minha grande referência como jogadora é a Hortência, apesar do pouco tempo que a vi nas quadras. Para mim, ainda vai demorar para aparecer no Brasil uma jogadora tão completa. Ela é meu grande espelho na profissão de atleta.
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Quais os seus plano para o futuro?

Meu maior objetivo a curto prazo é a classificação do Sport para as semifinais do Nacional. Depois espero ser convocada mais uma vez para a seleção, buscar o meu espaço e quem sabe, estar no Pan-Americano do Rio no ano que vem. Pretendo trabalhar cada vez mais e realizar o grande sonho de qualquer atleta, que é se manter na seleção e defender o país nas Olimpíadas e nos Campeonatos Mundiais.
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Fale sobre sua carreira.

Comecei a jogar com 10 anos, em Caieiras (SP). Aos treze, fui para Jundiaí, ser treinada pelo técnico Luiz Cláudio Tarallo. Trabalhei com ele até os 20 anos. Aí começou minha vida de cigana. Fui para Guarulhos, São Bernardo, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, Recife, Suzano e estou de volta à capital pernambucana. Além de ter rodado muito no Brasil, joguei duas vezes na Espanha, em 2003 e no começo deste ano.

Como foram essas experiências no exterior?

Primeiro joguei uma temporada no Teneriffe, na segunda divisão espanhola, que é muito forte, e aprendi bastante. Já em 2006, cheguei ao Yaya Maria, no meio da Liga Espanhola. Era um time cheio de estrangeiras, que não estava indo bem na competição e contavam comigo para reverter esse quadro. Só que é complicado chegar no meio de um trabalho e eu não rendi o que eu esperava. Foi uma grande lição. Nunca mais aceitaria entrar em um time, especialmente no exterior, no meio da temporada.
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Qual a melhor parte do dia-a-dia de uma atleta?

A maior emoção para mim é terminar um jogo satisfeita com a minha performance. E ter a certeza de que consegui colocar em prática na partida tudo aquilo que treinei. A gente se esforça tanto nos treinamentos para fazer o nosso melhor e conseguir isso em quadra, na hora que é para valer mesmo, é a realização do nosso trabalho.

E a pior?

A parte mais chata do cotidiano do atleta é ficar longe da família. Em quatro anos de categoria adulto, já passei quase dez cidades, sendo duas na Espanha. A rotina de viagens é cansativa e faz você ficar distante dos amigos e parentes. É duro, mas vale a pena.

O que gosta de fazer fora das quadras?

Aqui em Recife, meu passatempo preferido é tomar sol. Qualquer folguinha que tenho aproveito para relaxar na piscina do clube. Quando tenho mais tempo, dou um pulo na praia. Quando vou para casa, adoro ficar com a minha família.