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01/11/2006 - Carlos Domingos Massoni (Mosquito)

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Aos 67 anos, o ex-armador da seleção brasileira Carlos Domingos Massoni, o Mosquito, lembra, com alegria, da época em que fazia parte da vitoriosa geração do basquete brasileiro. Depois de tentar ser jogador de futebol, aventura proibida por seu pai, Mosquito encontrou sua vocação no basquete, esporte que praticou dos 10 aos 40 anos. Pela seleção brasileira, Mosquito marcou 495 pontos em 99 jogos em competições oficiais e foi campeão mundial no Brasil (1963), medalha de bronze no Mundial do Uruguai (1967) e medalha de prata no Mundial da Iugoslávia (1970). O armador esteve presente em quatro Olimpíadas e conquistou duas medalhas de bronze (Roma/1960 e Tóquio/1964). Mosquito ostenta vitórias também nos Jogos Pan-Americanos, onde obteve uma medalha de ouro (Cali / 1971), uma de prata (São Paulo/1963) e uma de bronze (Chicago/1959), além de ser tricampeão sul-americano (Argentina/1960, Brasil/1961 e Paraguai/1968).

Porque o apelido Mosquito?

Quando comecei a jogar basquete, na infância, eu era muito baixinho devido a um problema na coluna. Só comecei a crescer depois dos 18 anos e era o menor do time. Como jogava com muita velocidade, me chamavam de “mosquito elétrico”. Com o tempo, deixaram de lado o “elétrico” e fiquei conhecido apenas como Mosquito. O apelido pegou mesmo e todos me chamam assim até hoje.

É verdade que você queria ser jogador de futebol?

Queria sim, mas meu pai não deixou. Ele era remador do São Paulo e eu ficava jogando bola enquanto ele treinava. Mas ele não gostava e então passei a jogar basquete. No final das contas, acho que meu pai estava certo.

Como e onde você começou a carreira?

Saí do futebol para jogar basquete no São Paulo com 10 anos de idade. Com quinze, me transferi para o Palmeiras, onde fiquei por nove anos e fui três vezes campeão paulista. Depois defendi a camisa do Sírio por quase quinze anos e encerrei minha carreira no São Caetano, aos 40, onde atuei como jogador e técnico.
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E como foi sua trajetória na seleção?

Minha primeira convocação foi em 1959, quando o técnico Kanela me convocou para os treinamentos para o Campeonato Mundial do Chile. Fiquei quase seis meses concentrado, mas no final fui dispensado. No ano seguinte, fui chamado novamente e fiquei na seleção.

Qual a melhor lembrança desses tempos?

Sem dúvida a conquista do Campeonato Mundial de 1963, no Rio de Janeiro. Me lembro do ginásio do Maracanãzinho totalmente lotado. Defender a seleção em casa é uma das maiores emoções da vida de um atleta. E esse Mundial teve gosto de revanche. Uns meses antes, tínhamos perdido para os americanos no Pan-Americano em São Paulo e eles achavam que iam vencer de novo. Mas conseguimos impor nosso jogo e derrotá-los por 85 a 81. Foi uma festa.

Como era o clima na equipe naquela época?

Éramos muito unidos. A seleção teve a mesma base por quase dez anos, e o saudoso Kanela foi o nosso técnico a maior parte do tempo. Formamos um grupo forte, com grandes laços de amizade. Naquela época, jogávamos por amor ao basquete, era um tempo de sacrifícios, mas tudo valeu a pena, pois conquistamos muitas coisas e representamos uma geração vitoriosa para o basquete brasileiro. O esporte me abriu muitas portas e me deu a oportunidade de conhecer praticamente o mundo todo.
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E você ainda mantém contato com os seus ex-companheiros?

Sim, sempre que possível. Não posso mais jogar por problemas cardíacos, mas procuro acompanhar e prestigiar as competições de veteranos, quando a velha guarda se reúne. De vez em quando organizo um churrasco no meu sítio para colocar a conversa em dia e relembrar os velhos tempos.

Deixe uma mensagem para os jovens praticantes do basquete.

Um atleta deve ter sempre muita paciência e força de vontade. Para se tornar um jogador de alto nível, é preciso dedicação e treinamento.