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04/09/2006 - Iziane Castro Marques

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Velocidade é a marca registrada da ala Iziane Castro. Tudo acontece muito rápido na vida dessa maranhense que, aos 24 anos, é um dos grandes nomes do basquete feminino na atualidade. Recém chegada de sua quarta temporada na WNBA, onde defendeu o Seattle Storm pelo segundo ano consecutivo, Iziane se prepara para disputar o Mundial do Brasil, que será realizado nas cidades de São Paulo e Barueri, de 12 a 23 de setembro. Será a quinta competição oficial de Iziane pela equipe adulta. A primeira foi a Copa América – Pré-Mundial do Maranhão (2001), com 21 anos. Depois vieram o Campeonato Mundial da China (2002), o Torneio Pré-Olímpico do México (2003) e os Jogos Olímpicos de Atenas (2004). Apesar de jovem, Iziane carrega muita maturidade na bagagem e conta com isso para ajudar o Brasil a fazer bonito no Mundial em casa. Experiência, aliás, que não é inédita para a jogadora. Iziane já viveu a emoção de defender a seleção em sua cidade natal, São Luís do Maranhão, há cinco anos. E sabe quanta diferença faz jogar com o apoio de uma animada e fiel torcida.
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Qual sua expectativa para o Mundial do Brasil?

As melhores possíveis. Acredito que devemos apostar alto e pensar em final. Temos que aproveitar bastante a vantagem de jogar em casa e pensar em decidir o título. O grupo está totalmente fechado nesse objetivo. É claro que é difícil, pois o basquete feminino está bastante equilibrado. Mas com trabalho e o apoio da nossa torcida maravilhosa, podemos cumprir a nossa meta.

E quais os favoritos ao título?

Além do Brasil, os Estados Unidos, sempre, é claro. Ainda é o melhor time do mundo, mas não podemos achar que é imbatível. Depois, Austrália e Rússia são as grandes adversárias a serem batidas.
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E o que acha dos adversários do Brasil na fase de classificação?

Ficamos em um grupo relativamente fácil, onde a equipe mais forte tecnicamente é a Espanha. Depois fica mais complicado, com a fortíssima Austrália. Mas acho que dá para nos classificar em boas condições para a fase seguinte. Acredito que vamos disputar com as australianas a primeira colocação antes das fase eliminatória.

O que significa jogar um Mundial em casa?

É um privilégio que poucas atletas têm. Eu já tive a maravilhosa experiência de estrear na seleção adulta jogando a Copa América na minha cidade, em São Luís. Foi uma emoção ter minha família e amigos me assistindo defender a seleção. Isso é muito raro. No Mundial então, com certeza será fantástico e tenho certeza que o público nos apoiará bastante e isso vai nos ajudar muito em quadra. Minha família estará em São Paulo para se juntar à torcida brasileira e me apoiar nesse momento tão importante na minha carreira.
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O que mudou na Iziane que disputou o Mundial da China há quatro anos e a que vai jogar o Mundial do Brasil?

Muita coisa. O Mundial da China foi a minha segunda competição internacional. Tinha apenas 20 anos e tudo era uma festa. Estava jogando com meus ídolos e estava começando a minha carreira na equipe adulta. Entrava em quadra pouco tempo, para descansar a Janeth. Hoje é bem diferente. Sou titular e tenho consciência da minha responsabilidade dentro do grupo. Mas acho que toda a bagagem internacional que tive nesses quatro anos me deu maturidade e equilíbrio para encarar bem esse momento da minha carreira na seleção.

Na sua opinião, quais os pontos fortes da seleção brasileira para esse Mundial?

Primeiro, o tempo de treinamento. O grupo está reunido há mais tempo do que a maioria das equipes. Além disso, o grupo está acostumado a jogar junto, o que já facilita o entrosamento. Tecnicamente, o nosso ponto forte continua sendo a velocidade no contra-ataque. Mas hoje também temos uma defesa mais sólida e um grupo de pivôs altas e fortes, o que faltava em gerações anteriores. Com excelentes atletas embaixo do garrafão, garantindo bom desempenho nos rebotes e com a rapidez que é nossa característica, temos tudo para jogar de igual para igual com todas as seleções nesse mundial.

E o que falta melhorar para a competição?

Precisamos de um pouco mais de atenção na defesa. A nossa marcação deve ser mais forte e diminuir a média de pontos do adversário para 60, 65 pontos.
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O que esperar da atleta Iziane neste Mundial?

Muita garra e determinação para cumprir os objetivos do grupo. Além disso, acho que tecnicamente, estou em uma fase muito boa. Meu ponto forte continua sendo a velocidade para puxar o contra-ataque. Mas hoje, depois de quatro temporadas na WNBA, estou defendendo bem melhor e tenho uma maior visão de jogo. Acredito que tudo isso pode ser útil para a seleção brasileira.

Como foi a temporada no Seattle Storm?

Foi o meu segundo ano na equipe e conseguimos chegar à semifinal da conferência O time começou irregular na competição, devido a problemas com contusões. Mas isso acabou fortalecendo o conjunto e terminamos, dentro das circunstâncias, em uma boa colocação.

O que achou do seu desempenho na equipe?

Acho que foi uma das minhas melhores temporadas. Não comecei muito bem, mas evoluí junto com o time durante competição e fiz a minha parte dentro do grupo. Fui a melhor defensora da equipe, o que mostra o meu crescimento nessa área, que nunca foi o meu forte. A minha técnica até se surpreendeu com minha evolução nesse fundamento.