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07/08/2006 - Érika de Souza

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A pivô Érika de Souza foi um dos destaques da seleção brasileira na conquista invicta do 30º Campeonato Sul-Americano, disputado no Paraguai. Foi o 21º título do Brasil na competição e o segundo de Érika, que também foi campeã em 2005, na Colômbia. A pivô carioca foi a cestinha do Brasil e a maior pontuadora do Sul-Americano do Paraguai com média de 19,6 pontos (98 no total). Também foi a melhor reboteira, com 12,0 (60) e a líder em bloqueio, com 2,6 (13). Não é apenas na seleção que essa carioca de 23 anos brilha. Na Espanha, onde joga há dois anos, a atleta foi eleita a MVP das duas últimas edições da Liga Espanhola. Érika, conhecida na Espanha como “De Souza”, foi destaque do Barcelona na conquista do título da Liga em 2006 e do vice-campeonato este ano. Tanto talento chamou a atenção do time rival, o Valencia, terceiro lugar na Liga, que contratou Érika para a próxima temporada. A jogadora, vice-campeã mundial sub-21 (Croácia/2003) e campeã da WNBA pelo Los Angeles Sparks, vive agora a expectativa de estrear no Mundial Adulto jogando em casa. A pivô vem se dedicando integralmente na intensa rotina de treinos da seleção rumo ao um lugar no pódio, no Campeonato Mundial do Brasil, de 12 a 23 de setembro, em São Paulo e Barueri. Além de continuar conquistando títulos, o sonho de Érika é estudar Psicologia e abrir um centro esportivo para crianças no bairro onde mora no Rio de Janeiro.
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Como explica o seu excelente desempenho no Sul-Americano do Paraguai?

O meu bom desempenho nesta temporada é fruto de muito trabalho e do fato de jogar em uma grande seleção, com atletas talentosas que me ajudam bastante em quadra. Os números que alcancei no Sul-Americano reflete o bom trabalho de toda a equipe. Pessoalmente, venho me dedicando muito tanto no clube quanto na seleção brasileira para estar sempre em forma e aperfeiçoando cada vez mais o meu jogo.

E quais foram seus pontos fortes da competição?

Acho que fiz um bom trabalho nos rebotes, que é uma grande característica da pivô. Pude aproveitar bem os rebotes ofensivos e as assistências que recebi, convertendo as cestas. Estou melhorando muito nos arremessos de média e longa distância. A jogadora hoje tem que ser o mais completa possível e é esse o meu objetivo.
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Quais suas expectativas o Mundial do Brasil?

Estou muito empolgada para disputar o Mundial no Brasil e vamos lutar pelo título. A oportunidade de jogar o Mundial no meu país vale todo sacrifício. O grupo está unido neste objetivo. Todas querem mostrar seu talento e conquistar seu espaço. Isso é ótimo para a equipe, que evolui junto para as competições da temporada. Quando a seleção estiver completa vai ganhar ainda mais ritmo para cumprir todas as nossas metas até o mundial.

O que acha do Brasil sediar a competição?

Maravilhoso, pois nunca disputei um campeonato oficial pela seleção no Brasil. Na minha casa e no meu bairro todos estão animadíssimos. Vão fechar a rua e fazer festa para ver os jogos como na Copa do Mundo. Minha mãe quer arrumar mais de um ônibus para São Paulo cheio de parentes e amigos para torcer por mim. Vai ser o maior barato.

Quais são as favoritas ao título?

As grandes forças do mundo hoje são Estados Unidos, Rússia, Brasil, Austrália e República Tcheca. Temos que estar preparados para enfrentar qualquer adversário. Acho que a nossa equipe está melhorando e vamos estar cem por cento para a competição.
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Como foi a temporada no Barcelona?

Maravilhosa. Ficamos em segundo lugar na Liga e acho que cumpri bem a minha função. Esses anos no clube foram importantes para o crescimento do meu jogo. Amadureci bastante e espero passar um pouco da minha vivência para as atletas mais novas. Saí do Brasil muito cedo (aos 19 anos) e tive experiências fantásticas. Hoje, estou mais madura e consciente do meu papel em quadra, fruto da responsabilidade que passei a ter, principalmente no Barcelona. Ajudei muito a equipe e tive o reconhecimento não só do clube quanto do público. Todos me conheciam na cidade, me chamando de “De Souza”.

Você está se transferindo para o Valencia. O que espera do clube e da cidade nova?

Espero ajudar o Valencia como ajudei o Barcelona e melhorar ainda mais meu jogo. O Valencia ficou em terceiro lugar na Liga este ano e quer o título em 2007. Para isso, tem uma excelente estrutura de trabalho e conta com outras grandes jogadoras como as espanholas Marina Ferragut e Laia Palao, além da russa Elena Tornikidou. Acho que será bom trocar de cidade, gosto de morar em lugares diferente. Barcelona é como o Rio e Valencia, São Paulo. São cidades grandes e bonitas. Espero fazer em Valencia bons amigos como fiz em Barcelona.
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Quais seus os seus planos para o futuro?

Por enquanto só penso em jogar bem no clube e na seleção e continuar ajudando a minha família. Mas tenho o sonho de estudar Psicologia para trabalhar com crianças ou idosos, que são duas paixões na minha vida. No futuro, gostaria de abrir um centro de treinamento esportivo para crianças, de preferência onde eu moro, em Campo Grande.

De onde surgiu essa idéia?

Primeiro porque eu adoro crianças e acho que o esporte é um ótimo caminho para o desenvolvimento delas. Eu sou um exemplo disso. Comecei no Centro Olímpico da Mangueira, onde aprendi vários esportes e me apaixonei pelo basquete. Quando machuquei o tornozelo o ano passado, me tratei lá. Continuo usando aquela estrutura maravilhosa até hoje, sendo uma atleta profissional. É algo parecido que quero construir para ajudar as pessoas e retribuir tudo o que o basquete fez por mim.

E o que o basquete trouxe para a sua vida?

Maturidade, responsabilidade e uma profissão com a qual posso ajudar minha família. Com o dinheiro do meu trabalho, já comprei meu carro, reformei a casa dos meus pais e comprei uma padaria para minha família tomar conta. Chama-se Padaria Ana Beatriz, em homenagem à minha sobrinha, que é a minha grande paixão.
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Qual o seu ídolo no basquete feminino?

Existem várias jogadoras excelentes no Brasil e no mundo, mas sempre tive uma admiração especial pela Alessandra, tanto pelo lado profissional quanto pessoal. Além de ser uma pivô maravilhosa, é uma batalhadora, que criou os irmãos e sempre ajudou a família. Gosto do trabalho dela desde que comecei a jogar, com 16 anos e ela sempre foi uma grande inspiração pra mim.