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18/07/2006 - Marcelo Tieppo Huertas

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Em dois anos, o armador Marcelo Huertas se transformou de promessa a uma feliz realidade para o basquete brasileiro. O armador fez sua estréia na seleção brasileira em 2004, em uma série de amistosos na Europa. Hoje, aos 23 anos, o armador mostrou evolução e amadurecimento na conquista do 17º título sul-americano adulto, disputado na Venezuela. Marcelo foi o MVP da competição, marcando 67 pontos em quatro jogos (média de 16,8 pontos), 16 assistências, 11 recuperações de bola e seis rebotes. Em grande fase, Marcelo se reapresenta à seleção brasileira para os treinamentos rumo ao Campeonato Mundial do Japão, de 19 de agosto a 3 de setembro. O atleta paulista fez uma ótima temporada no Joventut de Badalona, na Espanha. Foi semifinalista da Liga Espanhola e campeão da FIBA EuroCup. Pela seleção, Marcelo conquistou também o título da Copa América-Pré-Mundial 2005, disputado na República Dominicana.

Como foi a conquista do Campeonato Sul-Americano?

Maravilhosa. As pessoas duvidavam um pouco do nosso grupo, talvez por sermos jovens e com pouca experiência internacional. Mas mostramos o valor dessa nova geração e jogamos um basquete coletivo e solidário. Superamos a derrota para a Venezuela, vencemos a Argentina e fizemos uma grande final contra o Uruguai. Cumprimos muito bem o primeiro objetivo da temporada, que era conquistar o título sul-americano.
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O que significa ter sido eleito o MVP da competição?

Claro que fiquei muito feliz. Mas não conseguiria mostrar o meu jogo sem a participação dos meus companheiros. Basquete é um jogo coletivo. Todos souberam fazer a sua parte e eu fiz a minha. O prêmio é individual, mas divido com todo o grupo a minha alegria. Agradeço ao técnico Lula pela confiança no meu trabalho e pela oportunidade de mostrar o meu potencial.

No Sul-Americano, você mostrou maturidade e evolução. A que se deve todo esse crescimento?

Venho aprendendo muito nos últimos anos, nos clubes e com as últimas experiências na seleção brasileira. Acho que soube aproveitar bem as oportunidades que tive apesar do pouco tempo de carreira. Procuro sempre melhorar, aprender com os outros e ser o melhor armador que puder.
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E as suas expectativas para a próxima fase de treinamentos?

Agora é o momento de treinar bastante e acertar o time rumo ao Mundial do Japão. Acho que temos um bom tempo de preparação para o Campeonato. O grupo já é bastante entrosado e conhece bem a filosofia de trabalho da comissão técnica, o que facilita bastante. Espero ficar na equipe e ajudar o Brasil a fazer um bom papel no Mundial.

Quais as chances do Brasil no Mundial do Japão?

Temos um excelente elenco, com jogadores que atuam nas melhores ligas do mundo. Com confiança, espírito coletivo e regularidade podemos surpreender. Para mim, quem chega a um Mundial tem que ter expectativa de ser campeão. É claro que é muito difícil, mas temos que acreditar sim no melhor resultado possível.
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O que acha dos adversários do Brasil na primeira fase?

O nosso grupo é difícil, mas temos chances de nos classificar bem para a próxima fase. Acho que os times europeus (Grécia, Lituânia e Turquia) são os mais fortes e têm muita tradição. A Austrália pode ser uma equipe perigosa, pois tem bons jogadores. Em um Campeonato Mundial, não podemos desprezar nenhum adversário. Precisamos jogar com regularidade para cumprir os nossos objetivos.

Como foi a temporada no Joventut de Badalona, na Espanha?

Excelente. Chegamos à semifinal da Liga Espanhola, e fomos campeões da FIBA Euro Cup. Pessoalmente, acho que fui bem, estive bastante tempo em quadra e ajudei ao máximo à equipe. Aprendi muito com todos no time, especialmente com o experiente armador americano Elmer Bennet, de 36 anos. Ele é muito respeitado no grupo e me deu dicas importantes durante toda a temporada. Procurei seguir seus conselhos e acho que melhorei demais. Na Espanha, o ritmo é um pouco diferente. Depois que consegui me adaptar, evoluí consideravelmente. Hoje tenho uma visão mais completa de jogo e estou melhor no passe e nos arremessos.

E os planos para a próxima temporada?

Meu contrato com o Joventut de Badalona terminou, mas são grandes as chances de renovação. Dentro de duas semanas isso deve estar resolvido. Eu gostaria de ficar, pois aprendi muito lá e fiz muitos amigos na equipe.
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Você jogou um ano nos Estados Unidos. Como foi essa experiência?

Fiz o último ano do segundo grau lá. Joguei na Coppell High School, em Dallas e foi uma experiência muito útil para mim. Foi o meu primeiro contato com um estilo diferente de basquete. Voltei de lá mais forte, pois fiz um intenso trabalho físico.

Quais as características mais marcantes do armador Marcelo Huertas?

Meu ponto forte em quadra é a velocidade. Sou rápido no contra-ataque e tenho uma boa visão de jogo. Acho que cumpro bem a minha função de armador, que é fazer a equipe jogar, dando assistência, roubando bolas, distribuindo as jogadas. Não sou de marcar muitos pontos, mas quando é preciso ajudo também nas finalizações.
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Como começou a jogar basquete?

Jogo desde criancinha. Comecei com seis anos, por influência do meu pai e do irmão, que também jogavam. Atuei nas categorias de base do Pinheiros e do Paulistano. Depois passei um ano nos Estados Unidos e voltei para o Paulistano, onde joguei no time adulto até me transferir para a Europa.

O que gosta de fazer quando não está trabalhando?

Na Europa, procuro descansar e me divertir como qualquer pessoa. Gosto de ir ao cinema e passear. Quando estou de férias no Brasil, fico o máximo de tempo possível com a minha família e meus amigos, que por conta da minha profissão vejo muito pouco.

Quem são os seus ídolos no esporte?

No basquete, Michel Jordan sempre, claro. Gosto bastante também do trabalho do canadense Steve Nash, armador do Phoenix Suns. E no esporte em geral, tenho grande admiração pela figura do Ayrton Senna e tudo que ele representou para o povo brasileiro.