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22/05/2006 - Rosa Branca

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O bicampeão mundial Carmo de Souza, o Rosa Branca, não pára de servir ao basquete. Aos 65 anos, o ex-jogador da seleção brasileira é Diretor Técnico da Federação Paulista de Basketball. Fã incondicional do esporte que o consagrou, Rosa Branca não deixa de acompanhar os campeonatos no Brasil e no mundo, pessoalmente e pela televisão, observando os novos talentos que estão surgindo no cenário internacional. Experiência não falta à Rosa Branca, que, durante os doze anos em que fez parte da seleção brasileira, atuou nas três posições: pivô, ala e armador. O atleta paulista deixou sua marca no basquete brasileiro e internacional com suas várias conquistas. Além do título de bicampeão mundial (1959/1963), ganhou duas medalhas olímpicas de bronze: Roma (1960) e Tóquio (1964). Também conquistou duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos (bronze em 1955, na Cidade do México e prata em 1963, na cidade de São Paulo), além dos quatro títulos sul-americanos (1958, 1960, 1961 e 1968). Rosa Branca encerrou sua carreira em 1971, pelo Corinthians (SP).

Você esteve em Franca assistindo ao Hexagonal Semifinal do Campeonato Nacional. O que achou da competição?

Espetacular. Foi uma grande festa em Franca, que contou com a participação de excelentes equipes e jogadores. A competição teve um ótimo nível técnico e foi muito bom ver todos unidos em torno de um objetivo comum: realizar um lindo espetáculo de basquete.
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Quais equipes e jogadores que chamaram a sua atenção?

No hexagonal, especificamente, a Ulbra me surpreendeu bastante, mostrou talento. O Rio Claro também merece destaque, por ser um time jovem, muito bem treinado pelo Guerrinha. Quanto a jogador, o pivô Paulão, de 2,08m, do COC, é um atleta de enorme potencial. Ele está na seleção brasileira juvenil e ainda trará grandes alegrias ao basquete brasileiro. O Alex, do COC, também é excelente e está em ótima fase.

Como analisa o Campeonato Nacional 2006?

O nível técnico está excelente. Vi ótimas equipes, algumas experientes, outras mais jovens, porém todas muito talentosas. A arbitragem e os mesários também fizeram um bom trabalho. A única coisa que me deixa chateado é ter tanta briga nos bastidores da competição. Jogo se ganha na quadra. Os dirigentes têm que respeitar a hierarquia do basquete, que é FIBA, CBB e Federações. Temos todos que ajudar a melhorar a modalidade e não ficar arrumando brigas que só tumultuam a competição.

O que acha do processo de renovação do basquete brasileiro?

A renovação constante é o caminho para o sucesso. O jogador brasileiro tem talento de sobra e o país conta com um número enorme de ótimos atletas. Tanto os clubes quanto a seleção tem que ir renovando aos poucos seu elenco, para garantir as gerações futuras do esporte.
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E como você vê a atual geração do basquete masculino?

Temos jogadores impressionantes em todas as posições hoje: Leandrinho, Tiago Splitter, Anderson, Guilherme, Marcelinho Huertas e Nenê são alguns dos destaques. Não é a toa que estão brilhando na NBA e na Europa. O Marcelinho Huertas, por exemplo, fez uma temporada maravilhosa na Espanha e foi eleito um dos cinco melhores jogadores da Liga Espanhola. Isso é um feito e tanto para qualquer atleta.

Quais as chances do Brasil no Mundial do Japão?

Eu confio muito nessa seleção e no trabalho da comissão técnica, liderada pelo Lula Ferreira. É um grupo de treinadores bem qualificado, dinâmico e bastante estudioso. Acredito sinceramente que a equipe tem todas as condições de subir ao pódio no Japão.

E no feminino, cuja disputa acontecerá em casa?

Em primeiro lugar, é motivo de orgulho para o nosso país sediar um Campeonato Mundial novamente. E ainda mais no Ibirapuera, palco de espetáculos esportivos inesquecíveis. O povo brasileiro gosta muito de esporte e tenho certeza que será um sucesso de público e de organização. Quanto à equipe, também confio plenamente nas nossas meninas. É uma geração maravilhosa. Com certeza, nos trará uma medalha, com chances reais de ser a de ouro.

Quais as suas atividades atuais?

Apesar de estar aposentado, trabalho há quatro anos na Federação Paulista como Diretor Técnico e organizo o Campeonato Paulista da primeira divisão. É um trabalho que gosto muito de fazer, pois é uma forma de continuar ajudando o basquete, com muita dedicação e respeito.