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25/04/2006 - Paulo Villas Bôas de Almeida

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Após 30 anos servindo ao basquete como jogador, o ex-ala da seleção brasileira Paulinho Villas Boas participa agora da organização do esporte nacional. O paulista, de 42 anos, é Gerente Técnico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), função que assumiu em 2002, um ano depois de encerrar sua carreira como jogador pelo Unisanta (SP). Nos dez anos em que atuou na seleção adulta (1984 a 1994), Paulinho foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (Estados Unidos – 1987), bicampeão sul-americano (Equador - 1989 e Brasil – 1993) e bicampeão do Pré-Olímpico das Américas (Brasil – 1984 e Uruguai – 1988), além de Ter conquistado o 5º lugar nos Jogos Olímpicos de Seul (Coréia-1988) e Barcelona (Espanha – 92).

Fale um pouco sobre sua trajetória no basquete.

Comecei a jogar com nove anos de idade, no Palmeiras. Fazia uma série de esportes que o clube oferecia como recreação. Quando vi que tinha mais facilidade com o basquete, me matriculei na escolinha e não parei mais. Entrei para a seleção brasileira juvenil em 81 e participei da equipe adulta de 1984 a 1992. Tive a oportunidade de defender grandes clubes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Parei de jogar em 2001, na Unisanta (SP). Foram 30 anos como jogador, onde consegui importantes conquistas em competições nacionais e internacionais, como a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, o bicampeonato sul-americano (Equador-1989 e Brasil-1993) e do Pré-Olímpico (Brasil-1984 e Uruguai-1988), além do quinto lugar nos Jogos Olímpicos de em Seul (1988) e de Barcelona (1992).

Qual o momento mais emocionante da sua carreira?

Foi a participação nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, pois um dos grandes objetivos da minha carreira era ser titular em competições importantes. Foi a minha segunda participação olímpica, mas teve um gosto especial já que em Seul (1988) não joguei tanto tempo. Além disso, jogamos contra o Dream Team americano, que se reunia pela primeira vez. Foi realmente inesquecível jogar com grandes astros do basquete mundial.
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Conte como foi a conquista da medalha no Pan-Americano de Indianápolis.

Quando penso naquela conquista, o que me vem logo à lembrança são a amizade e a união do grupo, que jogava junto há muitos anos, de 1984 a 1992. Foi um grande momento na história do basquete, conseguido graças a um excelente trabalho técnico e físico realizado, que deixou a seleção bem preparada para fazer uma grande competição. Todos estavam unidos em um objetivo e cada um desempenhava sua função da melhor forma possível pelo sucesso da equipe. Não foi a toa que chegamos à final. Na partida contra os Estados Unidos, o espírito de coletividade foi fundamental para reverter o placar, quando estávamos perdendo. Aproveitamos a oportunidade e viramos o jogo quando os americanos achavam que já estava ganho. Eles começaram a fazer jogadas de efeito para se mostrarem. Tudo bem eles vencerem, mas não vem querer humilhar o adversário não. Aí a situação mudou e conseguimos aquela sensacional reação. Foi fruto de um trabalho de todos. É claro que os cestinhas acabam se destacando, mas a participação de cada um que entrou em quadra foi fundamental. Os pivôs pegavam rebotes, cavavam faltas em cima do David Robson, que foi eliminado. Enfim, tudo acabou dando certo.

O que mudou no basquete da sua época para o de hoje?

Hoje, as coisas estão mais profissionais do que na minha época, com mais estrutura, patrocínio, divulgação. O basquete está mais globalizado e hoje o intercâmbio para jogadores e técnicos é muito maior. A NBA abriu as portas para o mundo e as possibilidades para quem trabalha com basquete, seja em que função for, é ilimitado nos dias atuais. O interessante para mim é que eu acompanhei um pouco essa evolução, vi algumas mudanças acontecerem durante a minha carreira. Fico orgulhoso de mim e de minha geração por termos, de algum modo, ajudado no crescimento do basquete. Foi muito importante ter participado de todo esse processo de mudanças esportivas no Brasil e no mundo.

Quais as chances da seleção no Mundial do Japão?

Tenho certeza de que vamos mostrar muita qualidade e competência no Mundial e voltar do Japão com um grande resultado. Acredito muito nessa nova geração, que conta com excelentes jogadores que atuam no Brasil, Europa e Estados Unidos (na NBA e nas universidades). É um grupo jovem, mas com alguns atletas com grande rodagem internacional. Misturando juventude e experiência, o Brasil será muito bem representado.

Você nunca pensou em ser técnico de basquete?

Não. Sempre me preocupei com o que fazer depois que parasse de jogar, e já estava muito cansado da rotina puxada de atleta. Por isso, não pensava em ser técnico, apesar de achar que tinha condições para isso. Mas é um dia-a-dia muito puxado e eu queria algo que me desse mais tempo com a minha família. Então, estudei Administração e Marketing Esportivo. Mesmo jogando, procurava me preparar para o futuro, aprendendo idiomas, computação e fazendo cursos de especialização nas áreas em que pretendia trabalhar.
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Quanto tempo está no COB? Qual sua função na entidade?

Sou gerente técnico do COB desde 2002. O meu departamento é responsável pela preparação das seleções nacionais de esportes olímpicos para competições como Pan-Americano, Olimpíada e, às vezes, Sul-Americano. Cuidamos de toda parte de logística e administração para fornecer à delegação toda a estrutura que precisa para que a equipe se ocupe exclusivamente de treinar e jogar. Criamos, monitoramos e avaliamos junto com Confederações projetos para sua modalidade, dando apoio ao desenvolvimento do ciclo olímpico de cada esporte.

Como a sua experiência como atleta acrescenta nessa função?

Acho que meus trinta anos convivendo com a realidade de um jogador me deram conhecimento e experiência fundamentais para a função que desempenho no COB. Na Universidade e no meu trabalho aqui aprendi sobre a parte administrativa. Como atleta, conheci as necessidades de uma seleção e já vi muita coisa certa e errada, quando viajava com a seleção brasileira e clubes nas competições internacionais. Essas características me fizeram ter um perfil profissional que o COB precisa.

O que o COB vem fazendo para tornar o Brasil numa potência olímpica?

Toda a estrutura de planejamento, execução e avaliação realizados pelo COB vem trazendo grandes progressos para o esporte no país. Vale lembrar que tudo isso é possível graças a Lei Agnelo-Piva, que repassa para o COB e para as Confederações contribuições mensais, vindas da arrecadação da Loteria Federal. Esse repasse representa uma enorme ajuda para as confederações, principalmente as que não contam com patrocinador. Outra realização do COB para desenvolver o esporte é o sediamento de importantes competições internacionais, como os Jogos Pan-Americanos de 2007 e campeonatos mundiais de várias modalidades.

Quais as suas expectativas em relação ao Mundial Feminino no Brasil, em setembro?

A expectativa do COB é de sucesso. É uma ótima oportunidade de desenvolvimento para todas as áreas envolvidas na competição. Tenho certeza que, com a força e tradição do basquete feminino brasileiro, conseguiremos um lugar no pódio. Para o atleta é uma privilégio jogar em casa, com ginásio cheio, o que se torna uma motivação a mais para fazer o melhor em quadra.

Qual a importância de sediar uma competição de alto nível como esse para o esporte brasileiro?

Organizar um Campeonato Mundial dá ao país visibilidade, força política e movimenta negócios importantes em diversas áreas relacionadas ao evento. É uma oportunidade de mostrar competência, dando força a outros pedidos de sediamento no futuro. Além disso, por conta do evento são realizadas importantes melhorias nas instalações esportivas, com reformas e inaugurações de novas estruturas para abrigar a competição.