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13/04/2006 - Anderson França Varejão

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Após uma lesão no ombro que o afastou das quadras por quase cinco meses, Anderson Varejão voltou em grande estilo para ajudar o Cleveland Cavaliers a garantir uma vaga nos playoffs da NBA. O ala/pivô fechou a primeira fase da competição como destaque do Cavs na vitória sobre o Atlanta Hawks. Anderson saiu do banco e, nos 32 minutos que ficou em quadra, conseguiu um double-double (dois dígitos em dois fundamentos), anotando 14 pontos e 18 rebotes. Foi o segundo de Anderson na temporada. Contra o Philadelfia 76ers, o ala/pivô marcou 11 pontos e pegou 14 rebotes. Nos 48 jogos da temporada 2005/2006, o ‘Wild Thing’, como é carinhosamente chamado pela torcida, já anotou 219 pontos, 235 rebotes, 31 roubadas, 19 assistências e 19 bloqueios. Aos 24 anos, Anderson é uma das forças do Brasil para o Campeonato Mundial do Japão, que será realizado de 19 de agosto a 3 de setembro.
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Após se recuperar da lesão que você sofreu na Copa América, como você está física e tecnicamente?

Estou muito bem. Minha recuperação foi boa e estou vivendo um bom momento. No início, tudo foi difícil. A lesão foi séria e o pior era conseguir controlar a ansiedade, tentar não pensar no período de recuperação, manter a concentração e os cuidados. Nisso os médicos foram fundamentais, tiveram paciência e me deram muita confiança. Eles estiveram sempre por perto e isso ajudou muito. Meu irmão Sandro também passou uns dias comigo nos Estados Unidos. Todos no time me ajudaram muito, os torcedores mandaram mensagens de carinho e de força, e esse apoio todo foi fundamental para que eu tivesse tranqüilidade para me recuperar.

O que está achando da campanha do Cleveland nessa temporada da NBA?

Estamos crescendo num momento importante da competição, na reta final da primeira fase, e conseguimos uma seqüência de vitórias que nos colocou numa situação boa dentro da Conferência. O time ainda tem muito a evoluir e a crescer. O importante é que estamos mantendo a regularidade, um bom padrão de jogo e conseguimos resultados expressivos. Isso dá confiança e nos mantém cada vez mais motivados.

Como você avalia a sua participação no time?

Tento colaborar o máximo que posso, da melhor forma possível. A equipe tem uma característica e um padrão de jogo bem definidos. Cada jogador tem sua função e eu chego a atuar meio que como um coringa, na ala e no garrafão. Gosto disso e estou podendo ajudar o Cleveland.
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Quais as chances do Cleveland nos playoffs?

Estamos subindo muito de produção nessa reta final e vamos chegar bem nos playoffs. Vencemos equipes fortes nas últimas semanas, o time assimilou um padrão de jogo muito bom, de forte marcação e de transição em velocidade. Mas playoff é decisão, não há favoritismo, nenhuma partida é fácil e ninguém ganha no nome. Nossa equipe é muito consciente da força que tem. Conhecemos bem nossas qualidades e defeitos e isso é positivo para nós. O Cleveland é um time muito unido e determinado, e vamos entrar com força nos playoffs.

Qual a sua rotina de treinos e jogos na NBA?

É desgastante, pois estamos sempre viajando de um lugar a outro sem parar. Jogamos praticamente dia sim, dia não. Muitas vezes jogamos dois dias seguidos em cidades diferentes, por isso o tempo que temos para descanso e família precisa ser aproveitado. É uma rotina muito puxada e o atleta precisa ser consciente e disciplinado para poder vencer. É preciso se dedicar ao máximo, porque a cobrança é muito grande. Mas todo esse esforço vale à pena, era um sonho que eu tinha e estou muito feliz de estar realizando.
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Qual foi o jogo mais importante para você até agora? Por quê?

Alguns jogos foram importantes, significativos, muitas partidas têm valores diferentes, mas acho que dois jogos me marcaram muito até agora dentro da NBA: a estréia pelo Cleveland e a volta após a contusão no ombro. Não dá para não dizer que não fiquei nervoso na estréia, porque deu aquele friozinho na barriga, aquela ansiedade, mas consegui me controlar bem. Já a volta da contusão foi mais complicada, porque, por mais que eu soubesse que estava totalmente recuperado, ficava ainda aquele medo de subir num rebote, de me machucar de novo. Mas isso também só nos primeiros minutos. Depois de quente, já envolvido no jogo, nem lembrava mais. Minha recuperação foi maravilhosa. Ainda sonho com uma partida que vai ser mais especial, será o jogo da minha vida, uma final de campeonato com meu time campeão.

Como foi a adaptação à cidade e ao estilo de vida americano?

Não foi muito difícil. Claro, outra cidade, outro ritmo, outros hábitos, pessoas diferentes, mas me adaptei bem rápido, a forma como fui recebido facilitou isso.
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O que você mais gosta na cidade?

Acho que do povo. Todo mundo foi muito receptivo, carinhoso comigo, desde que cheguei e isso sempre me deu muita tranqüilidade para treinar e jogar. Me sinto como se tivesse sido ‘adotado’ mesmo pela cidade. Tenho uma relação muito legal com os torcedores. Eles criaram até o ‘Varejão Day’ (Dia do Varejão), uma noite em que o Cleveland distribui para a torcida perucas imitando o meu cabelo e todo mundo se diverte.

Do que sente mais falta do Brasil? E da Espanha?

Da família, dos amigos e da praia. Adoro o clima de praia do Brasil, é uma coisa diferente, especial, que não existe em lugar nenhum do mundo. Da Espanha, sinto saudade dos torcedores do Barcelona, eu tinha uma afinidade muito boa com eles. Uma coisa também que faz falta é a sinuca com meus amigos no Brasil.

E as expectativas para o Mundial do Japão?

As melhores possíveis. Temos um grupo muito forte, que gosta de estar e de jogar junto, que está cada dia mais experiente e vem mostrando qualidades em seus times no Brasil, na Europa e aqui nos Estados Unidos. Teremos tempo para trabalhar, acho que teremos uma preparação adequada, planejada, e isso vai ajudar muito. Estou muito motivado e confiante.
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O que você achou do grupo do Brasil?

É uma chave difícil, complicada, mas vamos para cima, respeitando os adversários, porém sem temer nenhum deles. E não pode ser diferente. Acho que isso foi bom, vamos pegar equipes de qualidade e isso faz com que a gente entre ligado desde o começo. Vai nos forçar a jogar um bom basquete e acho isso bom. Todo mundo sabia que não seria nada fácil, porque nada é fácil no Mundial. É bom que entremos logo em ritmo forte, contra seleções de alto nível, como Austrália, Turquia, Grécia e Lituânia.

E as chances do Brasil na competição?

Vamos para o Japão com dois objetivos: o primeiro é conseguir uma vaga para os Jogos Olímpicos e o segundo é brigar por um lugar no pódio. Todos nós sabemos que é difícil, mas a nossa missão é essa, representar bem o Brasil e lutar com todas as forças para conseguir um bom resultado. Sabemos do nosso potencial e dos nossos limites. Temos uma chave difícil, mas nada é impossível. Vamos lá jogar o nosso máximo e acredito que conseguiremos um bom resultado.