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09/02/2001 - Silvia Andrea Luz

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A ala Silvia Luz disputa o 4º Campeonato Nacional Feminino pela equipe do Paraná Basquete, buscando o seu terceiro título da competição. Campeã pelo Fluminense em 98 e pelo Paraná em 2000, Silvinha está pronta para mais esse desafio, junto com suas irmãs Helen e Cintia, que também atuam no clube paranaense. Em 1993, aos 18 anos, estreou na seleção feminina adulta, na Copa América. Hoje, aos 25, ostenta uma enorme lista de títulos que inclui duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta/96 e bronze em Sydney/2000), além do tetracampeonato sul-americano e o título de campeã na Copa América.

Quais as chances do Paraná conquistar o bicampeonato?

Não dá para fazer previsões agora, mas acredito que nossas chances são boas. Já ganhamos o Nacional duas vezes e estamos trabalhando duro para estar em mais uma final. Estamos praticamente com a mesma base do grupo da última temporada, mas não contamos com as estrangeiras. Isso significa que as jogadoras mais jovens, que antes entravam pouco terão que assumir seu papel na equipe, ganhando a oportunidade de mostrarem o seu valor.
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Quais os pontos fortes e pontos fracos da equipe do Paraná?

Nossas armas mais poderosas são a velocidade e a precisão nos arremessos de três pontos. A nossa maior dificuldade é o rebote, por causa da baixa estatura do time.

Em um grupo tão jovem, aumenta a sua responsabilidade e de suas irmãs Helen e Cintia?

Ganhamos a responsabilidade de passar confiança a essas meninas e ajudá-las a superar as dificuldades que fatalmente irão aparecer. Eu comecei na carreira cedo e entrei muito jovem na seleção. Fui ajudada por jogadoras mais experientes e agora é a minha vez de contribuir, orientando as mais novas da minha equipe.

Desde 98, você e sua equipe jogaram no Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Como se administra uma vida tão agitada?

Vida de atleta é sacrificante mesmo, não tem jeito, mas vale a pena. Para mim, o maior problema é que acabamos não criando grandes vínculos com uma cidade. Passo mais tempo em São José dos Pinhais (PR), onde estamos há três anos. O basquete já está ficando conhecido aqui e gosto muito de estar participando da construção desse trabalho na cidade.
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Na última temporada, você defendeu o Mangueira/Paraná no campeonato carioca. Como foi voltar ao Rio e qual sua análise sobre o desenvolvimento do basquete feminino no Estado?

No Rio, tive dois momentos. Em 98, no Fluminense, foi maravilhoso. Torcida de clube de futebol é muito diferente. É empolgante e enorme e a conquista do primeiro nacional foi super emocionante. Nessa segunda experiência, jogando na Mangueira, o que mais me chamou a atenção foi o trabalho social que tivemos a oportunidade de participar. O campeonato não foi muito competitivo, realizamos jogos fracos, mas valeu pela chance que foi dada a novos talentos. Meninas bastante jovens puderam entrar em quadra e mostrar seu potencial. Isso é fundamental para se construir novas gerações de atletas.

Qual foi o melhor e o pior momento de sua carreira?

O melhor foi a conquista da medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta, em 96. A equipe esteve maravilhosa em quadra e a seleção mostrou ao mundo que não foi campeã mundial por sorte. O pior momento eu passei em 99, quando machuquei o joelho, fiquei seis meses parada e não pude participar do Pan-Americano de Winnipeg. É sempre muito duro para um atleta não poder acompanhar sua seleção em um evento tão importante como este.
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Como você vê o caminho da seleção brasileira até o Mundial de 2002, tendo esse ano o Sul-Americano e a Copa América?

A seleção hoje já atingiu um alto nível de maturidade, apesar de contar com algumas jogadoras bastante jovens. Estamos consolidando o nosso trabalho e temos muito potencial. Fico muito satisfeita porque sei que faço parte de uma geração vitoriosa do basquete feminino. Quanto à temporada de 2001, acredito que manteremos a hegemonia na América do Sul e conquistaremos a vaga para o Mundial de 2002. Talento e disposição não nos falta para isso.