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16/03/2006 - Rafael Hettsheimeir

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Aos 19 anos, Rafael Hettsheimeir é um dos destaques da nova geração do basquete brasileiro. O pivô, que defende o Akasvayu, da segunda divisão da Liga Espanhola (LEB II), foi convocado para a equipe juvenil mundial que irá enfrentar a seleção americana da categoria no 9º Nike Hoop Summit, no dia 8 de abril, na cidade de Memphis, Estados Unidos. Rafael fez parte da equipe que conquistou o título inédito da Copa América – Pré-Mundial da República Dominicana, em 2005. Na categoria juvenil, o atleta foi campeão sul-americano em 2002, no Equador.
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Como foi a adaptação à Espanha?

Tudo é muito diferente do que eu estava acostumado no Brasil, o clima, a comida, os costumes. Faz bastante frio aqui, chegou a nevar alguns dias. Mas a cidade é bem tranqüila, tem cerca de 30 mil habitantes. No início estranhei a comida. Engordei uns cinco quilos porque só comia no McDonald. Agora eu já acostumei e até gosto dos pratos típicos. Acho que quando for para o Brasil vou sentir falta. Já estou bem entrosado com a equipe. Já fiz muitas amizades. Os jogadores e técnicos gostam de mim. Me sinto muito a vontade. Eu estou há oito meses aqui e já aprendi a falar espanhol. Como a cidade fica na região da Cataluña, eles falam muito em catalão, que é bem mais difícil. Mas eu estou aprendendo.

Como está a participação do time até agora na LEB II?

Acho que o time nunca foi tão longe na competição. Estamos em oitavo lugar na tabela. Só faltam seis jogos para acabar a primeira fase e depois começam os playoffs. Estamos fazendo uma boa participação.
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Qual sua rotina diária?

Eu fui emprestado pelo Girona (da ACB) para o Akasvayu. Então, na parte da manhã, eu treino em Girona, que fica mais ou menos a uma hora de carro de Vic, cidade onde moro. Eu faço 40 minutos de musculação e tenho treino individual específico para pivô com um técnico. Depois participo do treinamento com a equipe, que conta com jogadores experientes e mais fortes que o outro time. Eu chego em casa por volta de duas horas da tarde, que é o horário de almoço aqui. Durmo um pouco e vou treinar com o Akasvayu de 18h às 20h. Quando chego em casa à noite, eu fico na internet conversando com os amigos, vejo televisão. Não dá tempo para fazer muita coisa.

O treinamento é muito diferente do Brasil?

Não tem muita diferença, os treinos são fortes como no Brasil. Mas aqui eu tenho um treinamento individualizado, tem um técnico só comigo, trabalhando posicionamento, arremessos e corrigindo alguns detalhes, que no final contam bastante. Isso está sendo muito importante para o meu crescimento.

Você foi chamado para o Nike Hoop Summits. O que você achou da convocação e o que espera do jogo?

Eu gostei muito de ter sido convocado para participar do torneio. Todos os olheiros da NBA e do mundo vão estar no jogo. Será uma boa oportunidade para mostrar o meu talento. Vai ser uma partida bastante disputada. Não podemos esperar menos do que um excelente confronto entre os Estados Unidos e o resto do mundo.
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Em 2005, você foi convidado para treinar com a seleção principal e acabou fazendo parte da equipe que conquistou a Copa América e vaga para o Mundial. O que achou dessa experiência?

Foi uma excelente oportunidade. Fui chamado pelo técnico Lula para fazer parte do grupo de desenvolvimento e acabei fazendo parte da equipe que conquistou o título da Copa América. Não joguei muito, mas foi uma ótima experiência. Treinei com grandes jogadores, como Anderson, Tiago Splitter, e, principalmente, o Estevam e o Baby, que são pivôs de força como eu. Eles me deram várias dicas para melhorar meu desempenho em quadra e esses detalhes sempre acrescentam bastante.

Quais as suas expectativas para a seleção adulta de 2006?

Este ano, a seleção tem duas competições importantes, o Sul-Americano e o Mundial, além de uma série de amistosos e a Copa Stankovic, na China. Seria muito bom defender a seleção nessas competições. Vou esperar a oportunidade. Se eu for convocado, vou me dedicar ao máximo para tentar ficar entre os doze.

Quais as chances do Brasil no Mundial do Japão?

A seleção tem ótimos jogadores, com experiência internacional. O Brasil tem condições jogar de igual para igual com as outras equipes e, com certeza, vai ter um bom desempenho no Mundial.
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Como começou sua carreira?

Eu sou de Araçatuba e estudava em escola pública. Por causa da minha altura, a professora de educação física me convidou para jogar basquete nos Jogos Escolares. Aceitei e no segundo dia de treino, enterrei umas bolas e gostei. Participei do COCBA, um torneio que reúne várias escolas. Foi quando o Lula e o Chaim me viram jogando. Eles gostaram de mim e me convidaram para fazer teste para jogar no COC/Ribeirão. Passei e fiquei quatro anos na equipe. Foi um período muito bom na minha carreira e o Lula sempre me ajudou muito.
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Que jogadores você destacaria no cenário internacional?

No Brasil, eu gosto do Estevam (Uberlândia) e do Paulão (COC/Ribeirão Preto). Na NBA, tem o Anderson Varejão (Orlando Magic), o Shaquile O´Neal (Miami Heat), o Tim Duncan (San Antonio) e Kenyon Martin (Denver Nuggets)