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21/02/2006 - Edson Bispo dos Santos

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Há mais de cinquenta anos o pivô Edson Bispo se dedica ao basquete. Em todo esse tempo atuou como jogador, técnico, professor e hoje continua trabalhando com o esporte, na Federação Paulista e na Associação de Veteranos de São Paulo. Experiência para falar sobre o assunto não falta a esse carioca de 69 anos, que fez parte de uma geração vencedora do basquete brasileiro. Pela seleção, as maiores conquistas de Edson Bispo como jogador foram o Campeonato Mundial do Chile, em 1959, e as duas medalhas olímpicas de bronze (Roma-1960 e Tóquio-1964). Além disso, o pivô de 1,98m foi ainda bicampeão sul-americano (Chile-1958 e Argentina-1960) e conquistou duas medalhas em Jogos Pan-Americanos (bronze em Chicago-1959 e prata em São Paulo-1963). Depois da carreira brilhante como jogador, Edson Bispo alcançou mais sucessos como técnico da seleção brasileira. Entre suas conquistas estão a medalha de ouro nos Jogos Pan-americano em Cali-1971, bronze nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México (1975) e campeão sul-americano (Colômbia-1973).
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Como foi a conquista do título mundial do Chile, em 1959?

Tudo começou no Sul-Americano de 1958, também no Chile. Conquistamos o título depois de 13 anos de domínio uruguaio e argentino. Ali deu para perceber o potencial da equipe, que reunia excelentes jogadores e um técnico excepcional, o Kanela, que estruturou a seleção e nos fez render muito no Mundial. Vencemos os americanos na final e não paramos de fazer bonito nas competições. Foi o início de uma grande era do basquete masculino brasileiro.
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Como era a seleção brasileira naquele época?

Éramos um grupo que nos respeitávamos muito. Na seleção era que treinávamos em um ritmo mais forte. No clube, o treino era de duas horas por dia três vezes por semana, pois todos tínhamos profissões paralelas, já que o basquete só nos dava uma pequena ajuda de custo. Foi uma geração que jogou junta um bom tempo, adquirindo um excelente conjunto, sempre muito bem treinado pelo Kanela. O nosso jogo era mais cadenciado, trabalhávamos mais a bola. O talento individual das grandes estrelas como Wlamir e Algodão eram usados para servir ao coletivo e isso deu muito certo.
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Falando nisso, como era o técnico Kanela?

O Kanela foi o grande mentor e organizador dessa geração vencedora do basquete masculino. Ele cobrava bastante da equipe para que jogássemos o melhor possível, mas sempre cuidou muito bem do atleta. Ele supervisionava tudo para que tivéssemos boas condições de trabalhar na seleção. Ele ficava bravo mesmo era com os juizes, quando se achava injustiçado, e com os dirigentes, pois sempre brigava pelos direitos e pelo máximo conforto dos atletas de sua equipe. Ele é uma grande referência para qualquer um que goste de basquete. Ele que me incentivou a treinar a seleção, me dando dicas e orientações.
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Quais os momentos mais emocionantes de sua carreira?

Todo pódio é uma emoção inesquecível. Ser campeão mundial foi uma conquista realmente maravilhosa. Mas nada se compara a uma medalha olímpica. Por mais importante que seja um Mundial, para mim a Olimpíada tem um significado ainda maior e as duas medalhas de bronze que conquistei (em Roma/1960 e Tóquio/1964) são o meu grande tesouro.

Quais as chances do Brasil no mundial do Japão?

Acho que temos atualmente a melhor equipe dos últimos anos. Essa geração é extremamente talentosa e pode inclusive levar o Brasil de volta ao pódio do Mundial. Mas pra isso, não basta o talento individual, uma equipe vencedora que tem que ter humildade, disciplina tática e conjunto. Com isso, o Brasil certamente fará um grande campeonato no Japão.

Quais as suas atividades atualmente?

Eu sou funcionário aposentado da Prefeitura, mas continuo servindo ao basquete como voluntário em duas entidades. Na Federação Paulista de Basquete sou diretor do setor Educacional-esportivo. Também dirijo a Avesbesp (Associação de Veteranos de Basquete do Estado de São Paulo). Temos times com atletas entre 35 e 70 anos e organizamos campeonatos e encontros para quem ainda pratica o esporte e para relembrar os velhos tempos. Em abril deste ano, teremos o Pan-Americano de Veteranos no Guarujá. E, em novembro, haverá nosso encontro nacional no Rio Grande do Norte.

Deixe uma mensagem para os iniciantes no basquete.

O basquete é um esporte difícil de aprender. Quem está começando precisa mesmo ter vontade de jogar, precisa obedecer ao treinador e respeitar a hierarquia. Tem que haver bastante treinamento e dedicação porque o basquete de hoje exige muita técnica.