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02/02/2006 - Antonio Carlos Barbosa

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O técnico da seleção feminina adulta Antonio Carlos Barbosa se prepara para disputar o seu quinto Mundial Adulto, que será no Brasil, de 12 a 23 de setembro. A seleção brasileira, patrocinada pela Eletrobrás, está no Grupo “A”, com sede no Ibirapuera, e enfrentará na primeira fase a Argentina, Coréia e Espanha. Nas oitavas-de-final, o Brasil terá como adversários os três primeiros colocados no Grupo “B”: Austrália, Canadá, Lituânia ou Senegal. Feliz por disputar o Mundial em casa, o técnico de 60 anos, faz uma análise dos adversários do Brasil e comenta sobre a programação da equipe rumo ao pódio.
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Analise os adversários do Brasil na primeira fase.

Argentina – Ainda é muito fraca tecnicamente e não dará trabalho. Coréia – Apesar de ter ido mal na Olimpíada de Atenas, apresenta um basquete veloz, com defesa fortee boas arremessadoras de longa distância. Sempre tivemos um pouco de dificuldade com a escola asiática. É uma equipe que vem de uma campanha ruim, mas já nos pregou algumas peças, como no Mundial da China, quando nos venceu nas quartas-de-final e na Olimpíada de Sydney, que ganhamos na prorrogação. Espanha – É a terceira força da Europa, atrás de Rússia e República Tcheca, Trabalha bem a bola, mas ainda sofre com a baixa estatura. Conseguimos uma boa vitória sobre elas em Atenas e temos todas as chances de vencer novamente. Numa competição de alto nível onde queremos estar na final, a preocupação maior deve ser com a nossa equipe, em fazer uma preparação adequada para atingir os nossos objetivos.
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Agora fale um pouco sobre o Grupo “B”, de onde sairão os adversários do Brasil nas oitavas-de-final.

Austrália – É uma das grandes forças do mundo. Joga um basquete parecido com o nosso, veloz, com um contra-ataque rápido. Tem grandes jogadoras, mas ainda depende muito da Lauren Jackson, que é uma atleta extraordinária. Canadá – As canadenses vieram ao Brasil o ano passado disputar amistosos e a Copa Eletrobrás, mas não foram bem. Se reforçou com as melhores jogadoras para a Copa América e ficou em terceiro. Vem melhorando, mas tecnicamente ainda está abaixo da nossa seleção. Lituânia – Ficou em quarto lugar no Europeu e esteve afastada das principais competições. Não participou do Mundial da China em 2002, nem de Olimpíadas. Joga no estilo europeu, segurando bem a bola, cadenciando o jogo. É uma boa equipe, mas acho que estamos acima tecnicamente. Senegal – É a mais fraca do grupo e não deverá passar da primeira fase.

3- Quais as principais forças do basquete atualmente?

Acho que os Estados Unidos ainda estão um pouco acima das outras seleções, pela tradição, estrutura e talento da equipe. Depois vem um grupo mais equilibrado, com Brasil, Rússia, República Tcheca e Austrália. Como já disse, australianas, brasileiras têm, um jogo mais parecido, como o das americanas, muito veloz. Rússia e República Tcheca jogam mais cadenciado.
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Qual o planejamento para a preparação do Brasil para o Mundial?

Vamos convocar a equipe no dia 11 de abril e pretendo chamar de 18 a 20 atletas. De 29 maio a 2 de junho faremos os exames médicos e testes físicos e aí começam os treinamentos. Em julho, iremos ao Canadá disputar amistosos com a seleção canadense, provável adversária do Brasil nas oitavas-de-final. De 1 a 5 de agosto será disputado o Sul-Americano no Paraguai e vou levar para essa competição um equipe mista, poupando algumas jogadoras da base para o Mundial. Também em agosto faremos os Jogos Desafio Eletrobrás contra equipes que enfrentaremos no Mundial como Argentina, Canadá e China. Encerraremos os treinamentos com a 2ª Copa Eletrobrás, que terá a participação de China, Canadá e Espanha.
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Podemos esperar alguma surpresa na convocação?

Acho que em um Mundial não dá para fazer experiências e a convocação não deve ter nenhuma grande novidade. Temos uma equipe base, dentro da filosofia de trabalho que desenvolvemos desde 1997. Esperamos com as nossas principais jogadoras como Janeth, Alessandra, Kelly, Cíntia, Micaela, Adrianinha, Helen, Iziane, Érika. Podemos utilizar também algumas atletas que realizaram um ótimo trabalho na Copa América. A temporada 2005, onde não contamos com a essa base, nos deu a chance de aumentar as opções pois observamos um grande número de jogadoras.

Qual a característica básica que o Brasil precisa mostrar para superar seus principais adversários?

Coletividade. Temos que utilizar o grande talento individual de nossas jogadoras para o jogo de equipe. Além disso, uma seleção que quer ser campeã precisa de maturidade, pois as dificuldades serão muitas. A mistura de gerações que o nosso time apresenta favorece isso. Contamos com atletas experientes, maduras, mas num ambiente rejuvenescido, renovado.
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O que significa para você disputar o Mundial no Brasil?

Disputar o Mundial em casa é uma honra e uma responsabilidade enorme, mas principalmente traz uma motivação extraordinária para toda a equipe. Eu acho que a torcida brasileira é diferente de qualquer outra no mundo, mais alegre e participativa. Acho que a nossa seleção tem maturidade suficiente para tirar todo o proveito de jogar em casa, sem se preocupar com a cobrança. Torcida sempre ajuda e isso pode ser muito vantajoso quando enfrentarmos equipes menos experientes, que podem se incomodar com a pressão do público. O Mundial Juvenil de 97, em Natal, tivemos uma amostra de como é positivo jogar no Brasil e como o público nos recepciona bem.