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24/01/2006 - Alberto Bial

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O técnico carioca Alberto Bial comemora 35 anos de carreira em grande fase, treinando o Joinville, uma das surpresas do 16º Campeonato Nacional Masculino de Basquete. A equipe catarinense é líder invicta do grupo B, com cinco vitórias, junto com o Minas Tênis, do grupo A. Treinar o time adulto de Joinville é apenas uma das atividades que Bial abraçou na cidade, onde coordena um amplo projeto que inclui trabalhos nas categorias de base e programas sociais como “Basquete de Rua” e “Jovem Cidadão”, que leva o basquete às escolas. Adepto da filosofia oriental, o técnico, de 53 anos, atribui o ótimo desempenho de seu time à consciência que um adquiriu sobre cooperação e espírito de equipe, que constrói um clima de harmonia e alegria em prol do sucesso do grupo.
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Qual o segredo do sucesso do Joinville no Campeonato Nacional?

Espírito de equipe é a bandeira deste grupo. Todos nós, comissão técnica, atletas e dirigentes remamos na mesma direção. O trabalho flui muito bem porque o clima é de alegria, motivação e coletividade. Estamos colhendo os frutos de um trabalho iniciado em agosto, quando estabelecemos um intenso programa visando o Estadual, os Jogos Abertos e o Nacional. Os dois primeiros conquistamos de forma invicta e chegamos ao Nacional com um grupo coeso, jogando um basquete de alto nível. Estreamos confiantes, mas esse início foi ainda melhor do que esperávamos. Tenho muito orgulho desse time e dos atletas que têm um enorme potencial. Com certeza, vão brilhar ainda mais, nos clubes e até na seleção brasileira.
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Tecnicamente, quais os pontos fortes do Joinville, e o que precisa melhorar para os próximos desafios?

Acho que a equipe está jogando um basquete bonito, solidário, por conta do trabalho completo que estamos realizando, desenvolvendo a parte física, tática e psicológica. Isso afeta de forma muito positiva o aspecto técnico, tanto individual como coletivo. Assim conseguimos um excelente aproveitamento ofensivo e somos a melhor defesa do Campeonato. O grande desafio agora é manter esse padrão. O maior acerto a se fazer na equipe daqui para frente é trabalhar contra a acomodação, é desenvolver a resistência física e psicológica para o ritmo não cair. Temos que sonhar alto para cumprir o nosso objetivo, que é fazer Santa Catarina brilhar no Nacional deste ano.

O que você está achando do Campeonato Nacional até agora?

É uma grande competição, que mostra todo ano a riqueza e o talento do jogador brasileiro. Temos excelentes atletas em todas as posições, veteranos e novatos. O Nacional é uma ótima fonte de novos talentos para o basquete brasileiro. Joinville e Minas são a surpresa até aqui. Acho que os outros destaques são os tradicionais Franca e COC, grandes exemplos de como se fazer basquete, e o Uberlândia, que vem se firmando muito bem desde a sua criação. Ajax e Brasília são outras forças que merecem atenção, pois representam importantes investimentos em novas praças para o basquete.
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Quais as suas atividades em Joinville?

Minhas atribuições aqui vão além de treinar o time adulto. Eu sou como um gerente de basquete em Joinville. Desenvolvemos um projeto amplo, a longo prazo, de cunho competitivo e também social, cujo objetivo é colocar a cidade no mapa do basquete, estabelecendo um pólo do esporte no Brasil. É um forte investimento da Prefeitura e da Fundação de Esportes de Joinville, que me convidou para coordenar essa empreitada. No clube, trabalhamos com as equipes cadete, juvenil e adulto, capacitando profissionais para as categorias de base. O grande trabalho social desse projeto se chama “Jovem Cidadão”, que desenvolve o esporte nas escolas e nós gerenciamos a parte do basquete. E ainda temos o “Basquete de Rua”, onde já há 500 inscritos e já realizamos três encontros no município. Para fazer tudo isso, conto com ajuda de vários profissionais, como o Aníbal Teixeira e o ex-jogador Marcos Alexandre Cunha, o Moco. Conseguimos um saldo bastante positivo em dez meses de trabalho, apesar das dificuldades normais de um projeto a longo prazo como esse. Mas estamos comprometidos com o sucesso dessa empreitada e trabalhamos com muito afinco e alegria todos os dias para cumprir as nossas metas.
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Você sempre quis ser técnico? Fale um pouco sua trajetória no basquete.

A profissão de técnico me fascina desde a infância. Embora sempre tenha jogado basquete, meu grande ídolo era o Zezé Moreira, técnico de futebol do Fluminense e treinar um time sempre foi um objetivo para mim, mesmo quando jogava. Tanto que conciliei as duas atividades por onze anos. Fui jogador entre 66 e 82 e atuei no Fluminense, Flamengo, Municipal e Mackenzie, todos no Rio. Em 1971 comecei a treinar as equipes de minibasquete e infantil do Fluminense até que, em 82, passei a me dedicar ao ofício de treinador. Dirigi equipes cariocas como Fluminense, Botafogo, Liga Angrense e Vasco. Fora do Rio trabalhei no Universo/Ajax, em Goiânia, projeto do qual também me orgulho bastante. Ainda tive uma experiência muito legal nos Emirados Árabes.

Como analisa o atual momento de sua carreira?

Maravilhoso. Refletindo sobre os meus 35 anos como técnico posso concluir, graças a Deus, que melhorei muito, tanto profissional como pessoalmente. Acho que o ser humano tem que se aperfeiçoar sempre e é isso que procuro fazer na minha vida. Hoje estou conseguindo, no Joinville, aplicar uma série de conhecimentos técnicos, táticos, psicológicos e humanos que adquirir ao longo de tantos anos, estudando no Brasil e fazendo intercâmbios no exterior.
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Como é o técnico Bial?

Sou um treinador que se preocupa com a formação integral do atleta, motivando o grupo a dar o seu melhor, trabalhando com alegria e motivação. Venho estudando filosofia oriental, psicologia e outros saberes que me ajudam a realizar essa tarefa. Nesse aspecto, me espelho muito no grande Hélio Rubens, que desenvolve há décadas esse tipo de trabalho em suas equipes. Temos que ver a pessoa como um todo e não só o jogador e criar um clima sempre harmonioso, para que a energia de cada um se coloque a serviço do grupo.

O que é necessário para ser um bom jogador?

Eu costumo citar características necessárias para ser um bom atleta, pois não basta apenas ser jogador. Temos que ser completos, saudáveis para produzir bem. Integridade, pois um grande atleta é aquele que respeita a ética e busca fazer o que seu coração diz que é o correto. Simplicidade e humildade para sabermos que não estamos sozinhos e o nosso trabalho depende do trabalho dos outros também; Persistência, pois a vida é dura e precisamos de garra para superar os obstáculos. O jogador não é feito só de talento, é preciso persistir e treinar, repetir fundamentos técnicos e se manter focado no objetivo; Fé, acreditar em si, ter confiança no seu trabalho e na sua capacidade e, por fim, equilíbrio, o atleta tem que se cuidar física, técnica e psicologicamentte, buscando uma vida saudável.