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04/01/2006 - Demétrius Conrado Ferraciú

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Os números de Demétrius Conrado Ferraciú impressionam. Disputando o Campeonato Nacional desde 1992, o armador lidera o ranking da competição em dois fundamentos: assistências (2.015) e recuperação de bolas (739). Além disso, é o quinto cestinha, com 5.573 pontos em 418 jogos. Em quatorze participações, Demétrius foi campeão seis vezes (Franca – 1993, 1997 e 1998; Vasco da Gama – 2000 e 2001; e Telemar – 2005). Além dessas três equipes, o armador atuou ainda no Universo/Minas (2002/2003), no Corinthians/UMC (2004) e defendeu o Fluminense no Estadual do Rio de Janeiro (2002). Demétrius afirma que hoje, aos 32 anos, é um jogador mais consciente e decidido, que encara com tranqüilidade as pressões que enfrenta dentro da quadra.
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No ranking do Nacional Masculino, você é o quinto cestinha da história da competição e é líder em dois fundamentos: assistência e recuperação de bola. Comente essas marcas.

Como armador, fico extremamente satisfeito e orgulhoso de liderar esses dois fundamentos. Principalmente considerando o alto nível da competição, que sempre contou com jogadores talentosos e experientes. Tento me aperfeiçoar, treinar cada dia com mais empenho, buscando resultados. Esses números representam a recompensa de muito treinamento e dedicação. Para conseguir essas marcas temos que fazer opções e abrimos mão de várias coisas para se dedicar a carreira. Só conseguimos esses recordes com sacrifícios. Fico mais envaidecido ainda quando penso que alcancei esses números competindo com excelentes jogadores, estrangeiros e atletas de seleção brasileira, que hoje jogam na Europa e na NBA.
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Dos seis títulos que você conquistou, qual o mais importante?

Cada conquista acrescenta muito na minha vida profissional e pessoal. Os título são resultado de meses de convívio, de entrosamento e de superação. Por isso cada um tem sua importância. O primeiro sempre tem um sabor especial. Tinha 19 anos e vibrei muito. Toda a cidade de Franca comemorou. Em 1997 fizemos playoff contra o Corinthians de Santa Cruz do Sul. Foram cinco jogos equilibrados. A partida final foi emocionante, vencemos por três pontos, em casa. Foi outra festa em Franca. O título de 1998 foi maravilhoso porque representou um momento de grande superação. Começamos perdendo de 2 a 0, para o Ribeirão Preto, e revertemos para 3 a 2. Depois, veio o bicampeonato pelo Vasco da Gama. Em 2000 a final foi contra o Flamengo, no Maracanãzinho, quando vencemos por 3 a 1. A torcida do Vasco fez uma festa inesquecível. E, em 2001 confirmamos a força da nossa equipe. Minha última conquista, pelo Telemar, também foi muito significativa, pois ganhamos todas as competições da temporada. A união e amizade do grupo foram muito importantes para a conquista do Nacional de 2005. Espero somar novos títulos à minha carreira e tenho trabalhado muito para isso.

Qual a maior emoção e a maior decepção na sua trajetória no Campeonato Nacional?

A maior emoção foi o meu primeiro título como titular, em 1997, pelo Franca. Disputamos a final contra o Corinthians (RS). A maior decepção foi no Nacional de 1999, quando jogava pelo Vasco. Fomos derrotados pelo Franca na quinta partida da série final, com o Maracanãzinho lotado.
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Quais os jogadores que foram importantes para a sua carreira?

Aqueles com quem tive maior convivência, principalmente nos meus primeiros anos de carreira em Franca: Chuí, Rogério, Vargas, Minuci, Helinho. Na minha posição, um grande exemplo de jogador que conheci foi o americano Dexter Shouse. Ele era o armador titular quando comecei em Franca e me deu dicas importantes sobre minha função em quadra.

E o técnico?

Com certeza, o Hélio Rubens foi o treinador mais importante, pois participou diretamente da minha formação como atleta. Comecei a jogar em Franca com 17 anos e ele sempre foi super paciente comigo. Ajudou a corrigir meus vícios e me ensinou muito sobre leitura de jogo. Além disso, ele era armador como eu e entendia como ninguém como exercer essa função em quadra. Foi um grande exemplo de jogador e técnico para mim, sempre cooperando com o desenvolvimento não só profissional como pessoal do atleta.
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Torcida

Já vivi realidades de torcidas bem diferentes. Tive a felicidade de jogar em cidades que gostam muito de basquete e lotam ginásios para ver seu clube jogar, como Franca, Mogi e Rio de Janeiro. Mas Franca ainda se destaca nesse aspecto. Pois a cidade não só adora o basquete como tem conhecimento sobre o esporte. O público sabe as regras, a mecânica do jogo e conhece as outras equipes. A comunidade apoia o time em todos os momentos e também cobra quando acha que deve. Em um clube de futebol como o Vasco, o público é emoção pura. Só quer saber de ganhar e ponto final. Mas tem um lado bom, pois é uma alegria imensa em quadra, animando e motivando o grupo a jogar melhor para não decepcionar seus torcedores.

Qual a maior arma do jogador Demétrius em quadra?

É a minha personalidade. Dificilmente me abalo. Sou um cara que não se dá por vencido. Essa é a minha maior qualidade dentro da quadra. E hoje, mais experiente, tenho uma visão de jogo mais ampliada e estou mais tranqüilo. Não fico tão nervoso quando no início de carreira e consigo manter o controle do jogo nos momentos decisivos, precipitando menos as bolas. Essa experiência nos ajuda também a lidar melhor com a pressão da torcida e a arbitragem.