Imprensa

08/12/2005 - Hélio Rubens Garcia

img
A conquista de nove títulos faz de Hélio Rubens Garcia o maior vencedor da história do Campeonato Nacional Masculino. O técnico, de 65 anos (02/09/1940), levou a equipe de Franca ao lugar mais alto do pódio seis vezes. Foi bicampeão pelo Vasco da Gama e conquistou seu último título em 2004, pelo Unitri/Uberlândia. Depois de uma gloriosa carreira como armador da equipe francana e da seleção brasileira, Hélio Rubens levou para a função de treinador todo seu conhecimento, experiência e garra, se consolidando como um dos grandes ídolos do basquete nacional. Nascido em Franca, cidade conhecida por seu amor ao basquete, Hélio Rubens fez desse esporte a sua grande paixão. Famoso não só por seu conhecimento técnico como pela extrema capacidade de motivar e desenvolver suas equipes, Hélio Rubens se tornou também um exemplo de determinação e coragem no cenário esportivo brasileiro. Depois de cinco anos, Hélio Rubens volta à Franca com o objetivo de restabelecer a tradição da equipe no cenário nacional e internacional.

Quais suas expectativas para o Nacional Masculino, após seu retorno à Franca?

Estou muito feliz por voltar ao basquete francano. O clube fez um ótimo projeto, com a participação do poder público e empresarial, para reavivar a tradição de mais de 50 anos. Para o campeonato nacional 2006, montamos um time bastante competitivo e, a exemplo do que aconteceu no Paulista, vamos brigar pelas primeiras colocações e, conseqüentemente, pelo título.
img

Franca é o líder do ranking de clubes do Nacional e você é técnico com mais títulos na competição. Qual o significado dessas marcas para você?

Eu fico muito gratificado com esses recordes. É ótimo saber que a filosofia de trabalho implantada deu certo, resultando em boas campanhas e na conquista de títulos. De uma certa forma, foi uma grande prestação de serviço ao basquete brasileiro, pois Franca tem uma história de mais de 50 anos ininterruptos, jamais visto em outro lugar. A equipe sempre teve boas participações nos torneios e uma enorme identificação com o público.

O que representa o basquete em sua vida?

Eu respiro basquete. Penso no meu trabalho o maior tempo possível. Tenho a sorte de viver em uma família onde todos amam esse esporte. Assim, além das oito horas em que passo no clube treinando, em casa o assunto predominante acaba sendo o basquete. É o meu trabalho e minha grande paixão.
img

Depois de uma sólida carreira como jogador, como foi a mudança para a função de técnico?

Foi algo extremamente natural para mim. Nasci e fui criado em Franca, onde o basquete é uma paixão nacional. Toda minha carreira como jogador foi lá e tenho muito orgulho de fazer parte de uma grande geração de jogadores que ajudou a fazer da cidade uma referência desse esporte no país. Quando parei de jogar, achei que ainda tinha muito a oferecer ao esporte e vice-versa. Me dediquei com o mesmo amor ao cargo de treinador, sempre com a preocupação de implantar uma filosofia de trabalho, uma unidade de planejamento, desde as categorias de base, formando atletas motivados e tendo como espelho jogadores da equipe adulta.
img

E como foi para você, depois de se tornar um ícone em Franca, a experiência treinar o Vasco da Gama, no Rio de Janeiro?

Foi maravilhoso receber o reconhecimento do povo carioca. A torcida do Vasco nos deu um apoio fantástico e conseguimos retribuir com o inédito bicampeonato nacional. Há décadas o clube não conquistava um título tão expressivo. Foi um fase muito feliz da minha carreira, onde fiz vários amigos na cidade maravilhosa.
img

Como técnico, você ajudou na formação jogadores. Como se sente tendo revelado tantos talentos para o basquete nacional?

Me sinto muito orgulhoso. Nas minhas duas passagens pela seleção brasileira, lancei grandes atletas como Nenê, Anderson, Baby, Leandrinho, Helinho, Marcelinho, Guilherme, Tiago Splitter, Renato e tantos outros. Passei a me considerar, com muita humildade, na obrigação de prestar esse serviço ao basquete nacional.

Nas 16 edições do campeonato nacional, você conquistou nove títulos. Qual o segredo de tanto sucesso como treinador?

Em Franca, no Vasco e em Uberlândia trabalhamos mais do que as técnicas do basquete. Implantamos não só uma filosofia de trabalho, mas de vida, mostrando que devemos evoluir como seres humanos, vivenciando o basquete com empenho, dedicação e energia positiva. Fico orgulhoso em ver que essa filosofia tem dado certo. Todos os jogadores, sem exceção, se sentem mais valorizados, trabalham com amor e tanta dedicação acaba se convertendo em conquistas.
img

Desses nove títulos, qual o mais emocionante?

Cada título tem o seu valor, a sua história e todos são muito especiais. Na minha trajetória no Campeonato Nacional, tenho recordações inesquecíveis. Um deles é a conquista do título de 99, pelo Franca, ano em a maioria dos jogadores de lá foi para o Vasco e fizemos a final contra a equipe carioca. O favoritismo deles era absoluto e conseguimos, com disciplina e determinação vencer a série e sermos campeões dentro do Maracanãzinho lotado. Quando fui para o Vasco, a final de 2000 contra o Flamengo também foi memorável, pois ver duas das maiores torcidas do país apoiando seu time de basquete foi fantástico. Os títulos consecutivos pelo Franca fazem parte da minha história e da cidade. Em 2004, no Uberlândia conseguimos dar um título inédito ao basquete mineiro e muito me orgulho de ter participado dessa conquista.

Cite os atletas que mais se destacaram na história da competição.

Minha maior satisfação como técnico é ver que todos os jogadores que eu treinei, sem exceção, melhoraram seu desempenho e assimilaram minha filosofia de jogo. Em 15 edições, oito clubes conquistaram o título, portanto vencer essa competição não é nada fácil, poucos atletas e técnicos tiveram esse privilégio. Me orgulho bastante de ver que muitos jogadores que foram campeões trabalharam comigo. É impossível apontar quem foram os melhores nesses 15 anos, mas posso destacar alguns atletas que, devido ao maior tempo de trabalho, pude ver como evoluíram e fizeram a diferença nos clubes em que atuaram: Helinho, Demétrius, Rogério, Vargas, entre outros.

Como técnico, você é famoso pela grande capacidade de motivar sua equipe. Como é esse trabalho?

Digo sempre que todos nós, treinadores de basquete, dominamos o conhecimento técnico (variações táticas, defesa, ataque). O que diferencia muito é o relacionamento, o comando, a liderança. Dirigir uma equipe é mostrar o caminho, estar junto, é fazer um elogio sincero, ter o pensamento no coletivo e não no pessoal. É isso que motiva a equipe. A falta de motivação cria rugas na alma. O conhecimento é fundamental, mas a confiança, que só vem com o relacionamento harmonioso, é que faz a grande diferença. Somos limitados e temos que buscar o aperfeiçoamento constantemente. Se pensarmos em termos de eternidade, temos pouco tempo na terra, e não podemos desperdiçá-lo. Devemos estar sempre num processo constante de crescimento. Essa filosofia de vida é que procuro passar para meus atletas, acreditando que evoluindo como pessoa eles irão render muito mais como jogadores.