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13/07/2005 - Helen Cristina Santos Luz

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Aos 32 anos, a armadora Helen Luz foi a representante da experiência brasileira na conquista invicta do Sul-Americano da Colômbia, onde o Brasil chegou ao decacampeonato invicto. Foi o quinto título sul-americano adulto da armadora, que foi campeã em 1991 (também na Colômbia), 1993 (Bolívia), 1997 (Chile) e 1999 (Brasil). Liderando um grupo renovado, a capitã Helen foi eleita a MVP (jogadora mais valiosa) da competição e a líder nos arremessos de três pontos, sua marca registrada. Retornando de uma vitoriosa temporada no Barcelona, onde foi campeã espanhola, Helen está em um grande momento profissional e pessoal. Casada com o espanhol Octavio há um ano, Helen está terminando de construir sua casa no Brasil e retorna ao Barcelona em setembro. Só lamenta ainda não ter tido tempo para uma merecida lua de mel.

Como foi a conquista de decacampeonato sul-americano?

Foi ótimo. Estou super feliz com o meu quinto título do continente. Alcançamos o nosso objetivo, crescendo a cada partida conforme o planejado. Chegamos ao último confronto com uma vantagem enorme, podendo até perder para a Argentina por 24 pontos. Claro que só a vitória nos passou pela cabeça. Entramos no ritmo de jogo ao longo da competição e conseguimos mostrar competência, talento e espírito de equipe, com muita humildade e respeitando todos os adversários.
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O que representa ser eleita a MVP do campeonato?

É sempre uma honra ter o seu trabalho reconhecido. Dedico esse prêmio à equipe, pois o meu bom rendimento é também fruto do trabalho de todas as atletas em quadra. Jogamos um basquete coletivo onde todas fizeram bem sua parte na defesa, no ataque, nos rebotes. Nas seis partidas, os pontos foram bem distribuídos, mostrando que não jogamos na individualidade.

O que você achou do nível técnico da competição?

Acredito que todas as equipes evoluíram tecnicamente. A Colômbia me surpreendeu bastante, mostrando um bom basquete. A equipe da casa derrotou a Argentina e foi com justiça a vice-campeã. O Paraguai levou um time jovem e apesar do sétimo lugar, fez bons jogos e é uma seleção com futuro promissor.
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Qual a sua avaliação da equipe brasileira?

É um time forte, muito bom de trabalhar e nos entendemos super bem. Foi uma grande oportunidade para essas meninas mostrarem sua força. Acho que essa geração tem muito talento e promete muitas conquistas para o basquete brasileiro, não só a seleção que esteve no Sul-Americano como as demais atletas que participaram dos treinamentos. É um grupo que tem potencial para brilhar nesse ciclo olímpico até a Olimpíada de Pequim (2008), que passa pelo Mundial do ano que vem no Brasil e os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007). É só dar mais experiência internacional e acho que a hora é essa, com a Copa América e amistosos no Brasil e na Europa. Elas precisam ter vivência em seleção, que é completamente diferente dos clubes. É dedicação total: treinar, descansar, jogar. Temos que abrir mão de algumas coisas, mas sempre vale a pena defender o Brasil.

E como foi sua relação com as atletas mais novas?

Ótima. Acho que pude ajudar com a minha experiência e visão de jogo. Já estive do outro lado, estreando, sem experiência em seleção adulta, como a Jaqueline, a Fabianna, a Flávia, entre outras, e sempre tive quem me ajudasse. Fico feliz em poder retribuir de alguma forma o que o basquete já me deu. Aprendi muito sobre o esporte, disciplina, respeito e humildade com grandes técnicos e jogadoras de alto nível com quem tive o privilégio de trabalhar ao longo da minha carreira. Estava na hora de fazer pelas mais novas o que já fizeram por mim.
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Como foi a sua primeira temporada no Barcelona?

Acho que joguei bem, conseguindo uma boa regularidade e ajudando a equipe na conquista do Campeonato Espanhol. Foi o título da superação. Terminamos a primeira fase em quarto lugar e vencemos o favorito Salamanca na semifinal. Disputamos o título contra o Valência e ganhamos por 3 a 2 fora de casa. Foi demais. A Espanha tem um grande campeonato, com 14 equipes, todas reforçadas por estrangeiras e o país gosta bastante de basquete. Além disso, é um ótimo lugar para se viver, bonito e alegre.

Antes do Barcelona, você jogou na Rússia pelo Dínamo Novosibirsk. Qual a diferença entre os dois países?

A Espanha tem uma forma de jogar parecida com a brasileira, com muita velocidade e contra-ataque. O basquete russo é mais tático e cadenciado. Esse contato com estilos diferentes é muito útil, principalmente para jogadora que atua em seleção nacional, pois tem mais experiência com ritmos e jeitos diferentes de jogar.
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Falando um pouco sobre o lado pessoal, como está a vida de casada?

Maravilhosa. Estou casada com o espanhol Octavio há um ano e encontrei o amor da minha vida. Ele é um grande companheiro e apóia incondicionalmente minha carreira. Estamos terminando de construir nossa casa no Brasil e estamos super felizes. Só não tivemos ainda nossa lua de mel, por causa da minha agenda como atleta, emendando clube e seleção. Mas ele entende que esses sacrifícios fazem parte da minha carreira.

Qual a importância da família na sua carreira?

Fundamental. Devo muito à minha família, principalmente à minha mãe, Cléo, pela atleta que sou hoje. Ela criou três jogadoras de basquete e não foi nada fácil. Ela sempre lutou por nós e me apoiou demais na minha carreira. E agora tenho além da minha mãe e irmãos, o Otávio, meu fã número um.