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10/07/2005 - Graziane de Jesus Coelho

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A pivô Graziane Coelho é um dos destaques da nova geração do basquete brasileiro. Aos 22 anos, a jogadora aproveitou bem a chance na sua primeira convocação para a equipe adulta e está na Colômbia disputando o Sul-Americano, em busca do decacampeonato. Graziane renovou contrato por mais dois anos com a equipe italiana do Penta Faenza, onde está há duas temporadas, junto com a armadora Adrianinha. Nesse ano, a equipe das brasileiras foi vice-campeã italiana, fazendo a primeira final da história do clube na competição. O bom momento profissional já rendeu a Graziane a realização de dois grandes objetivos: comprar um apartamento e ajudar a mãe, dona Sônia que, finalmente pôde parar de trabalhar como empregada doméstica para cuidar de sua saúde. Integrante da seleção vice-campeã no Mundial Sub-21 (Croácia/2003), a pivô conquistou ainda, pela seleção juvenil, a medalha de bronze na Copa América (Argentina/2000), foi campeã sul-americana juvenil(Venezuela/2000) e 7º lugar no Mundial Juvenil (República Tcheca/2001). No Brasil, defendeu as equipes de Guaru, Bauru, Microcamp, Jundiaí, Uberaba e São Caetano.
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Como vê sua primeira experiência na seleção adulta?

Na verdade, fiquei surpresa com a convocação. Já estava achando ótimo treinar no Rio de Janeiro com a equipe adulta e não esperava mesmo ficar entre as doze. Mas fiquei super feliz porque o técnico Barbosa acreditou no meu trabalho e me deu a chance de disputar o Sul-Americano, que é uma boa experiência para uma atleta jovem como eu.

E quais suas expectativas em relação ao Sul-Americano?

Acho que temos condições de conquistar o título e o nosso adversário mais difícil é a Argentina. Ganhamos bem os três primeiros jogos, mas apesar dos placares largos, os jogos estão mais complicados, principalmente no início.

Como começou a jogar basquete?

Quando tinha 11 anos, o professor de um amigo meu me viu jogando futebol na rua e, por causa da minha altura, me chamou para jogar na escolinha de basquete. Um ano depois fui jogar em Guarulhos. No começo foi difícil, mas consegui graças ao apoio da minha mãe e de dois grandes amigos, Geraldo e Deni, que sempre me ajudaram quando mais precisei. São como pai e mãe para mim. Sem eles, não estaria aqui hoje.
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O que o basquete significa em sua vida?

Consegui tudo que tenho jogando basquete. A minha maior conquista foi tirar a minha mãe do emprego de doméstica, comprar nosso apartamento em São Paulo e cuidar do problema que ela tem nas pernas, fazendo fisioterapia. Além disso, o basquete me fez mudar meu jeito. Era muito fechada, tímida. Agora sou uma pessoa mais aberta, mais falante. E aprendi a me virar bem sozinha, quando saí de casa para jogar com 14 anos.

Como foi a sua adaptação na Itália?

No primeiro ano, foi difícil, mas tive sorte pois fui para um time que já tinha outra brasileira, a Adrianinha, que me ajudou demais a me adaptar ao clube e ao país. Além delas, devo agradecer muito também a Cintia Tuiú e a Alessandra. Sem essas três amigas, minha vida na Itália seria muito mais complicada.
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E como avalia a sua segunda temporada na Itália?

Foi bem melhor. Acho que fui bem e consegui ajudar bastante a minha equipe. Os resultados do time no Campeonato Italiano ajudaram a formar uma boa torcida na cidade. Antes, a média de público era pequena e na final, mais de 1.500 pessoas lotaram o ginásio. Conseguimos levar a equipe à primeira final da história do campeonato, derrotando o favorito, Nápoli, por dois a zero. Eu joguei bem, principalmente na segunda partida da semifinal, fazendo 16 pontos e 14 rebotes.

E como está o seu jogo hoje?

Acho que melhorei bastante. Eu jogava mais fechado e na Itália as pivôs jogam mais abertas e tive que me adaptar a isso para marcá-las, afinal, defesa é realmente o meu ponto forte. Não sou uma pivô de pontuar, mas ajudo bem na marcação e nos rebotes. Acho que me falta um pouco de malícia debaixo do garrafão, mas acredito que vou adquirindo com o tempo e a experiência.

Quais os momentos mais marcantes da sua carreira?

Posso destacar vários. Minha primeira temporada adulta no Quaker/Jundiaí, dirigido pelo Barbosa. Não jogava, mas treinei com grandes feras e aprendi muito. Em 2003, fomos vice-campeãs mundiais Sub-21, onde joguei bem e a equipe, que estava junta há algum tempo, pode mostrar o seu valor. Em 2002, joguei o Nacional pelo Uberaba, onde eu era uma peça muito importante no time. Fui a segunda cestinha da equipe. E agora o vice-campeonato italiano pelo Penta Faenza, com o ginásio lotado e a convocação para a seleção adulta. Acho que não tenho o que reclamar.