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27/06/2005 - Demétrius Conrado Ferraciu

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O armador Demétrius Ferraciú acaba de ser campeão do 16º Campeonato Nacional Masculino pela sexta vez, defendendo o Telemar, que fez sua estréia na competição. A equipe carioca venceu o Unitri/Uberlândia por 3 a 1 no playoff final e conquistou o título inédito. O armador, de 32 anos, tem uma vitoriosa trajetória no campeonato brasileiro, com seis títulos (Franca – 1993, 1997 e 1998; Vasco da Gama – 2000 e 2001; e Telemar – 2005). Além disso, na história do Nacional (1990 a 2005), Demétrius lidera o ranking de assistência (2.015) e recuperação de bolas (739) e é o quinto cestinha, com 5.573 pontos em 418 jogos. Aos 32 anos Demétrius se define como um armador mais consciente de sua função na equipe, que prefere presentear os companheiros com uma bela assistência do que converter cestas.
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Qual a emoção do sexto título nacional?

Cada título tem o seu significado. É a coroação de um trabalho sério, onde o atleta tem que se dedicar e abdicar de várias coisas na sua vida pessoal. Ser campeão faz tudo isso valer a pena. A conquista pelo Telemar teve um gostinho diferente. Apesar da equipe contar com um elenco experiente e talentoso, muitos estavam em busca de seu primeiro título. Participar dessa conquista na vida de companheiros tão legais foi maravilhoso. Para mim tem ainda sabor de superação, pois não fiz uma boa temporada em 2004, no Mogi, por conta de um sério problema nas costas, mas consegui me recuperar. Aos 32 anos, fui campeão mais uma vez, jogando bem, estando em boa forma física e técnica.

E o segredo do sucesso do Telemar?

Trabalho sério, união, amizade e lealdade. Formamos um grupo de atletas experientes, alguns bem consagrados, que abriram mão de qualquer traço de vaidade em prol do sucesso do grupo. A equipe se fechou no objetivo de ser campeã e, para isso, treinamos muito, com concentração e garra.

Tecnicamente, o que determinou a excelente campanha da equipe (35 vitórias e 5 derrotas)?

Em primeiro lugar, um conjunto muito forte. O técnico Miguel Ângelo da Luz contou com 12 jogadores de excelente nível técnico, permitindo um bom revezamento. Além do grande poder ofensivo, melhoramos demais no aspecto defensivo e isso foi determinante para a nossa vitória.
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Como vê a sua participação na campanha do Telemar?

Comecei um pouco tímido na temporada e ganhei a posição de titular depois de algumas rodadas. Acho que consegui cumprir bem a minha função de controlar a bola, principalmente nas situações em que a equipe estava em vantagem no placar e distribuir bem as jogadas. Além disso, consegui crescer na hora certa, quando o time mais precisou.

Qual sua análise sobre o Nacional Masculino 2005?

A competição teve um bom nível técnico. Apesar de três equipes se destacarem (Telemar, Uberlândia e COC), foi um campeonato difícil e longo, onde qualquer equipe poderia perder qualquer partida. Times que ocupavam as últimas posições na tabela venceram os primeiros colocados. Com a gente aconteceu isso, perdemos para Franca e São José dos Pinhais, por exemplo. Isso fez com que todas as equipes tivessem que jogar com toda a concentração possível, pois qualquer deslize prejudicaria na classificação.

Para você, qual o destaque da competição?

Com certeza, o Marcelinho foi o nome desse campeonato. Sua evolução técnica foi impressionante. Joguei com ele no Fluminense, na temporada 2001/2002 e pude constatar, agora no Telemar, o quanto ele cresceu como jogador. Acho que a temporada na Europa fez um bem enorme a ele. Ele melhorou ainda mais ofensivamente e se aprimorou no passe e na defesa.
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O que mudou no Demétrius do primeiro título nacional (1993) até o sexto, em 2005?

Amadureci muito nesses 12 anos, principalmente na leitura do jogo. Acho que com o tempo, tomei mais consciência da minha função de armador, me preocupando em ver o jogo, distribuir a bola, encontrar o melhor espaço para servir meus companheiros. Com a experiência e os anos de treinamento, a gente vai ganhando mais confiança e tranqüilidade para administrar a partida e tomar fazer as melhores escolhas nos momentos decisivos.
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No ranking do Nacional Masculino, você é o sexto cestinha da história da competição e é líder em dois fundamentos: assistência e recuperação de bola.

Primeiro de tudo, agradeço aos meus companheiros que converteram em pontos os meus passes. Esses números me deixam muito satisfeitos, principalmente ser líder de assistências, pois mostra que estou conseguindo desempenhar bem minha função de armador. Procuro treinar bastante e enxergar bem o jogo, para colocar o jogador na melhor posição possível de arremesso. Ao longo da minha carreira, fui aprendendo a valorizar a assistência e hoje me sinto mais satisfeito em dar um bom passe para a cesta do que converter um arremesso. Quanto à recuperação de bola, é questão de bom posicionamento, fruto de experiência e treinamentos.

Quais seus planos para o futuro?

Meu contrato acaba agora no fim de junho. Oscar já comentou sobre o interesse de manter a equipe e confesso que gostaria de ficar no Rio. Joguei aqui entre 2000 e 2002 e já estou completamente ambientado. É uma cidade ótima para morar e trabalhar e me sinto muito feliz aqui, o que ajuda até no bom rendimento profissional.