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30/03/2005 - Vanderlei Mazzuchini Jr.

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Aos 32 anos, Vanderlei é o grande destaque da equipe do Joinville/FME. Até a nona semana do Nacional Masculino, o ala é o cestinha da competição com 399 pontos (média de 26.6 por partida) e o segundo melhor em eficiência (24.1 por partida). Jogando em Joinville há apenas três meses, Vanderlei se apaixonou pela cidade e pelo projeto de basquete desenvolvido pelo clube. O jogador retribui o respeito e carinho que vem recebendo com boas atuações e contribuindo com toda sua experiência para a jovem equipe catarinense. Participando do Nacional pela 12ª vez, Vanderlei foi campeão pelo Bauru (2002) e vice pelo COC (1997). Acostumado com decisões, o ala foi também campeão carioca (1998 – Flamengo), paulista (Bauru – 1999) e goiano (Universo/Ajax – 2002 e 2003).
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Como avalia a participação de Joinville no Nacional?

O grupo tem um grande potencial, mas ainda é muito jovem, não tem experiência para encarar uma competição tão equilibrada como o Nacional. Fizemos bons jogos e alguns acabamos perdendo no último minuto, mostrando inexperiência. Estamos sofrendo as conseqüências de ter uma equipe formada às vésperas do Campeonato. Agora é que estamos adquirindo conjunto. O que precisamos é ganhar alguns jogos para incentivar ainda mais a torcida. O mais importante é que esse ano está servindo de lição para as próximas temporadas. Aqui o trabalho é feito com muita seriedade. Acredito que dentro de uns quatro anos, a cidade possa ser um pólo importante do basquete e estar brigando pelas primeiras posições.

E qual o caminho para isso?

Dar um passo de cada vez, com cuidado, o que está sendo feito. Primeiro é importante investir na base para garantir bons jogadores no futuro. Potencial e talento já podemos ver nessa temporada. É só manter. Acredito que o técnico Alberto Bial dará continuidade ao projeto. Com uma base sólida e mais uns três ou quatro jogadores de peso, mais experientes, é possível fazer uma equipe competitiva.

Como foi a sua adaptação à equipe e à cidade?

Me identifiquei muito com a cidade e com o projeto da equipe, pois aqui sou muito respeitado. Não adianta você estar nas primeiras posições na tabela sem receber salários nem ter seu trabalho valorizado. O carinho que recebi aqui faz com que eu goste ainda mais de Joinville, que um lugar ótimo para morar. É tudo muito organizado, limpo, com alta qualidade de vida. Estou muito satisfeito e procuro retribuir o que a cidade me oferece fazendo um bom trabalho no clube.
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Como acha que a sua experiência contribui para grupo?

É engraçado que eu não me vejo como “o experiente” do time, mas os garotos me vêem um pouco assim. É uma situação diferente para mim e está sendo muito legal. Trabalhando com atletas mais jovens aprendi a ser mais paciente, pois eles estão aprendendo. Nos outros clubes, eu perdia a paciência às vezes quando a gente cometia muitos erros no jogo. Aqui o que procuro fazer é ajudar no que posso. Por exemplo, busco sempre conversar com o armador Gustavinho, de apenas 19 anos. Tento contribuir dando alguns toques, pois o trabalho do armador é a base para toda a equipe.

Qual a sua avaliação sobre o Campeonato Nacional até agora? Quais os favoritos ao título?

É uma competição muito equilibrada, apesar do nível técnico dos times ter diminuído um pouco em relação ao ano passado. Mas a presença de tantos novos nomes do basquete aumenta a motivação, pois esses jovens querem mostrar serviço e jogam com muita garra. O COC e o Uberlândia são favoritos pelo excelente conjunto e pelo trabalho que desenvolvem há muito tempo. O Telemar também está na briga, pois investiu em grandes nomes para ganhar a competição e, nesse caso, o talento individual pode fazer a diferença.

Quais as equipes e jogadores que mais chamaram a sua atenção?

Gosto muito do Murilo, um jovem pivô que vem fazendo um ótimo trabalho no COC e tem grande potencial, inclusive para NBA. Além dele, Renato (COC), Marcelinho (Telemar) e Valtinho (Uberlândia) são jogadores que eu admiro bastante e que fazem a diferença. Como equipe, eu destaco a Uniara, que faz uma excelente campanha depois de perder patrocínio e reformular toda a equipe adulta. Esse sucesso se deve ao investimento que foi feito nas categorias de base e ao maravilhoso trabalho do técnico João Marcelo Leite que, para mim, é a grande revelação desse campeonato.
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Quais seus planos para o futuro?

Depois que o time de Campos acabou pensei em parar de jogar, mas a estrutura que encontrei em Joinville me motivou bastante a continuar. Meu contrato com Joinville termina em junho e ainda não conversamos nada para frente, mas como já disse, gosto da cidade e confio no projeto, e não seria má idéia continuar, mas vamos ver quando chegar a hora. Acho que não vou jogar por muito tempo. Por enquanto, estou fazendo bem o que gosto e sou útil à minha equipe. Mas não me vejo fora do basquete, devo continuar no esporte, só não pensei ainda como.

O que acha da nova geração do basquete brasileiro? Quais as chances do Brasil no Pré Mundial?

É muito boa. Os jogadores de hoje têm uma experiência internacional que a minha geração não teve. Seria ótimo se esses atletas participassem das principais competições da temporada. O fato da seleção poder contar com jogadores da NBA impõe respeito pelo basquete brasileiro e isso tem que ser usado a nosso favor, pois se o esporte cresce, todos os envolvidos ganham. O que não pode é ter vaidade, todos têm que trabalhar na mesma direção. Quanto ao Pré Mundial, acredito que o Brasil tem todas as chances de classificação, pois há talento e potencial para isso.
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Quais as maiores alegrias que o basquete te deu?

Tudo que tenho na minha vida devo a esse esporte. Minha independência financeira, os amigos que fiz, os lugares interessantes que conheci. Minha formação como ser humano também, pois na prática do esporte aprendi muito sobre mim mesmo, sobre o que é certo e o que é errado. Agora está na hora de retribuir, passar minha experiência adiante. Como o basquete me deu tudo vai merecer eternamente o meu respeito e sempre farei o possível para ajudá-lo a se desenvolver dentro ou fora de quadra.

O que é preciso para ser um grande atleta?

Primeiro, a prática esportiva é fundamental para qualquer cidadão, independente se visa ou não à competitividade. O esporte nos ajuda a sermos melhores, tanto pessoal como profissionalmente. Para ser um jogador de ponta, é preciso uma série de fatores, como treinamento, sorte, oportunidade. O mais importante é lutar para fazer o melhor. A felicidade vem da sensação de ter sempre feito máximo possível.